- A ROSA
-
- No princípio era apenas um botão,
- como tantos outros espalhados pelo
jardim...
- Mas, dentro desse pequenino botão,
- estava ela, vaidosa, se preparando
- para mostrar-se em sua exuberância
- de cor e perfume.
-
- Aos poucos, preguiçosamente,
- a cada dia, sem pressa,
- abriam-se as perfeitas pétalas
- daquela flor rubra,
- cor de sangue,
- cor da vida!
- E não havia quem não parasse
- para admirar as perfeitas formas
- de suas pétalas
- e aspirar seu perfume inebriante.
- Mas ninguém que realizasse
- o profundo desejo de sua alma...
- E, assim, ela se via vítima
- de seu mais temeroso e implacável
inimigo:
- o Tempo!
- Inexorável ele passava veloz
- modificando tudo à sua volta.
- Até que, enfim,
- antes do fim,
- alguém a colheu,
- realizando seu sonho,
- e a ofertou em prova de carinho
- a outro alguém.
- Doeu ser arrancada de seu caule,
- mas foi uma dor sublime.
- Havia uma razão em seu viver:
- era um símbolo de Amor!
- E o amor era tão grande,
- que resolveu guardá-la
- entre as páginas de um livro.
- E hoje, passado tanto tempo,
- ainda se encontra lá, esmaecida...
- Não morreu no jardim,
- esquecida como as outras;
- suas pétalas não foram levadas pelo
vento
- e jogadas num canto qualquer do mundo.
-
Mesmo tendo perdido suas cores
- e seu perfume,
- permanece intacta na memória
- de quem um dia a recebeu
- das mãos de um grande amor.