- A DANÇA
-
- Então, ele se aproximou de
mim...
- olhou-me profundamente
- e, sem qualquer palavra,
- tomou-me pela mão e me
conduziu
- ao meio da pista de dança.
- Envolveu-me em seus braços
- com firmeza,
- como se a temer que eu
fugisse,
- colou seu rosto ao meu
- e sussurrou frases quase
inteligíveis,
- mas que eu sabia serem de
amor...
- Suas mãos deslizavam
- em minhas costas, suavemente,
- provocando-me arrepios de
prazer.
- E me beijava...
- Delicadamente...
- Ternamente...
- Então, aos poucos,
- a profusão de luzes do salão
- deu lugar à penumbra
- e éramos apenas nós dois
- a deslizar descalços
- sobre a maciez do tapete.
- Seus lábios retinham os meus
- num beijo possessivo,
dominador...
- Suas carícias
- foram se tornando mais
audazes
- e me vi correspondendo com
intensidade,
- com ardor...
- E ali, na penumbra do quarto,
- nos fizemos amantes
- e nos completamos...
- Nos transportamos em êxtases
- ao paraíso, ao além...muito
além...
- Depois, num gesto inesperado
- e de infinita ternura,
- ofereceu-me uma rosa
vermelha...
- E com o olhar repleto de
tristeza,
- desapareceu
- entre as brumas da madrugada.
- E foi neste instante que
acordei!
- Tudo não passara de um sonho!
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- Rose Mori
- 26/07/2005