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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Extracampo: guerra comercial acirrada
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Tudo melhora sem futebol, carnaval e cachaça!


Enquanto a bola rola nos gramados entre as seleções que se enfrentam para saber quem será o vencedor da Copa do Mundo, outra batalha acontece, paralelamente, com a seleta participação dos 7 países mais ricos do planeta, o chamado G7. Só que nesta disputa, puramente comercial, os adversários não jogam individualmente contra os demais. Os Estados Unidos, que está fora da briga futebolística, é o inimigo comum dos outros membros (Alemanha, Canadá, França, Itália Japão e Reino Unido), além da China, a segunda potência econômica mundial.
Que o presidente Trump ia endurecer o jogo contra os parceiros comerciais, especialmente com a China, ninguém desconhecia. Isso era um slogan de campanha nas eleições: primeiro os Estados Unidos. Mas o que todos também sabem de cor e salteado é que a União Europeia e a China não aceitarão passivamente as retaliações comercias aos seus produtos na Terra do Tio Sam. Os especialistas em comércio internacional alertam que a taxação do aço e dos automóveis não criarão as vagas anunciadas por causa do avanço tecnológico na indústria.
O fato é que as medidas protecionistas independem do povo que está comparecendo aos jogos realizados na Rússia. Portanto, se as consequências das decisões da alta cúpula dos países envolvidos são no sentido de resguardar os interesses nacionais, é indiferente torcer pelo sucesso ou fracasso do seu país nos gramados de futebol. Um evento que ocorre de 4 em 4 anos não pode ser o responsável pelas crises que atingem os participantes, muito menos servir de justificativa para a reprovação nos índices de desenvolvimento humano. Isso tem outros motivos!
A intolerância é tamanha que os comentários sobre o nosso maior ídolo da seleção extrapolam a racionalidade. Muitos destilam um verdadeiro ódio contra o jogador, usando o seu comportamento em campo para concluir que não melhoramos em outras atividades extracampo porque apoiamos o seu individualismo em detrimento da equipe. Aí cabe um lembrete muito simples: uma coisa é uma coisa, enquanto que outra coisa é outra coisa. Misturar a atitude do torcedor com a consciência do cidadão é generalizar sem qualquer base científica aceitável.
Talvez os críticos da paixão pelo futebol precisam aprofundar a análise do problema social que sempre enfrentamos, girando os holofotes para outra direção. O que acontece quando as autoridades tomam decisões que prejudicam o povo? Manifestações nas ruas fortemente reprimidas pela segurança que falta em outras situações. A própria população sofrida reclama quando há greves de motoristas, lixeiros, servidores da educação, da segurança e da saúde.... Ou não é isso que acontece? Qual é a outra maneira de externar uma insatisfação pacificamente?
Mas ignorar que existe manipulação quando acontece um grande evento não deixa de ser ingenuidade. Se as atenções estão voltadas para outro objetivo, os oportunistas de plantão têm uma ótima chance de empurrar goela abaixo do povo as medidas que normalmente não seriam aceitas. Daí a necessidade da mídia em informar ao povo o que está acontecendo. Afinal, todo meio de comunicação é um prestador de serviços, uma concessão que tem de cumprir um papel muito importante para a sociedade. Não se trata de quarto poder, mas de liberdade de expressão.
Infelizmente, a história do país tem mostrado, os problemas crônicos que nos afetam há séculos não são originados exclusivamente da paixão pelo futebol. Provavelmente o modelo adotado para a organização da sociedade, na composição dos poderes, seja a principal causa da disseminação da desigualdade social que não dá mostras de tendência de queda. O que não pode persistir é a ideia de que só somos subdesenvolvidos porque gostamos de futebol, samba e cachaça. Enquanto muitos se orgulham daquilo onde se destacam, nós só vemos atraso nisso.


J R Ichihara
24/06/2018

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