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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Olhares atentos
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Um olho na Rússia e outro no Brasil


Como analisar o cenário político e econômico, além da atuação do Poder Judiciário, no Brasil após uma semana de Copa do Mundo na Rússia? O povo está sendo entubado pelos aproveitadores, enquanto os olhares estão voltados para os jogos, ou tem aqueles que não desgrudam dos noticiários sobre o que acontece no dia a dia do país? Como os jogos são transmitidos a partir das 9 horas, quem gosta de se informar sobre os diversos assuntos pode fazer isso tranquilamente. Alguns meios de comunicação vão além dos gramados de futebol.
Alguém desconheceu que a senadora petista Gleisi Hoffmann foi absolvida pela 2ª Turma do STF, por unanimidade, das acusações de receber propina nas investigações da Lava Jato? Isso acendeu o alerta de que é o indício de uma possível absolvição do ex-presidente Lula, cujo julgamento do pedido de liberdade, feito pela defesa, será no próximo dia 26/06/18, pela mesma Turma do STF. O povo já compara este acontecimento com o VAR (o árbitro de vídeo) adotado nesta Copa. A função deste é alertar para lances duvidosos que podem prejudicar um dos lados.
Girando para a economia, as novidades não causaram nenhuma surpresa. A taxa de desempregados continua alta, a intenção de privatizar a Eletrobras e a Petrobras continuam na pauta de discussão, mas a informação de que 14 mil indústrias fecharam as portas, desde que a Operação Lava Jato começou, assustou a população. Certamente não é deixando de torcer pela Seleção Canarinha que isso vai mudar, muito menos desejando o seu fracasso que o quadro se reverterá. No cenário global, igual a Copa do Mundo, os grandes competem acirradamente.
Não poderia faltar os velhos assuntos crônicos requentados que nos atrapalham, independentemente de Copa do Mundo, Olimpíada, carnaval e eleições. Apesar do esforço do governo em mostrar que tudo está melhorando, ainda somos os detentores de uma das maiores taxas de juros do mundo. Para o expert em economia, isso significa que os pobres sofrerão mais que os ricos... os bancos aumentarão os lucros, mas as empresas que dependem de financiamento para crescer e gerar empregos suspendem os investimentos e demitem o pessoal.
O fato é que não importa se a bola rola aqui ou na Rússia – com a nossa Seleção voltando precocemente ou mais tarde – porque a ingerência do torcedor é zero de influência. Vivemos num sistema onde demonstrar insatisfação com a gestão dos recursos públicos tem uma repercussão desprezível junto às Instituições. Devemos acreditar que as coisas podem mudar, insistir nos questionamentos, exigir dos representantes legalmente constituídos, renovar os parlamentares, mas nada disso adiantará se a Justiça não atuar a favor do povo. Por que só o torcedor tem culpa?
Talvez a paixão do brasileiro por futebol possa ser explicada. Quem já viu um time muito bem preparado, com jogadores de alto nível, muito bem pagos, comandado por uma administração impecável, perder para um adversário infinitamente inferior? Pois é. Isso acontece. Nessa atividade ignoramos o famoso complexo de vira-lata louboutin pas cher e exibimos com orgulho as 5 estrelas no escudo da Seleção. Como não valorizar essas conquistas vendo tanta injustiça que as autoridades submetem os mais carentes? Por que desqualificar algo tão precioso para quem falta tudo?
Muitos brasileiros criticam os apaixonados por futebol comparando a falta de títulos mundiais de futebol com outros destaques. Enfatizam a qualidade em educação, saúde, transporte púbico e segurança. A maioria trocaria os nossos 5 títulos por esses benefícios. Provavelmente qualquer torcedor brasileiro faria o mesmo, sem dúvida. Só que a maioria nunca terá nada disso. Portanto, qual é a incoerência em valorizar a única coisa que lhe dá orgulho? Se nem nesses momentos podemos ser unidos... Como demonstrar amor por um país que maltrata o seu povo?


J R Ichihara
21/06/2018

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