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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Marolinha e não tsunami?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Não existem grandes conquistas com pouco sacrifício


Depois de dez dias de bloqueios nas estradas brasileiras, que provocou um desabastecimento considerável de gêneros alimentícios e produtos de primeira necessidade, o governo aos poucos reassume a usual arrogância sobre as insatisfações da população. O que surgiu com a promessa de um tsunami reduziu-se a uma marolinha? Por que? As opiniões dos especialistas são diversificadas, mas foi determinante o comportamento da mídia, apoiada por uma minoria que se sentiu prejudicada. Apelou-se para o velho direito de ir e vir das pessoas.
Por muito menos que um aumento diário no preço dos combustíveis, os 20 centavos nas passagens urbanas, as manifestações provocaram engarrafamentos significativos na cidade de São Paulo. Até quem não utilizava este meio de transporte se indignou! Mas será que o verdadeiro motivo era esse? Ou a manobra para atingir outro objetivo foi magistralmente aplicada e deu certo? Portanto, ao que parece, o movimento dos caminhoneiros, que ganhou importância no cenário nacional, dá sinais de enfraquecimento e ficou longe da expectativa da sociedade. Valeu a pena?
A nossa vontade popular de emparedar as autoridades é frágil e rapidamente perde vitalidade porque o comodismo individual do brasileiro sempre está acima do interesse comum. Não há solidariedade, cota de sacrifício, muito menos consciência de que tudo isso é pelo bem comum. O que se vê é o oportunismo latente que aflora facilmente onde o comportamento deveria ser outro. Aumento de preços, formação de estoque para ganhar algum trocado... o velho farinha pouca, meu pirão primeiro. Joga-se alimento fora, mas não se faz doação para quem precisa.
Qual é a dificuldade de um governo para lidar com pessoas de espirito coletivo igual ao nosso? Provavelmente nenhuma. O corte e aumento de tributos dá-se ao sabor das conveniências do momento... e seja o que Deus quiser. Curiosamente ninguém ouviu nenhum presidente de um órgão púbico, de qualquer dos Três Poderes, falar em cortes nas despesas. Se a arrecadação vai diminuir, não seria lógico, em qualquer gestão de recursos financeiros, do boteco da esquina à administração de uma grande organização, ser obrigatório uma rigorosa contenção de gastos?
Os fatos e as decisões do Planalto mostram que o interesse maior não é atender as necessidades da maioria. Perdoam dívidas bilionárias das grandes empresas, mas sufocam a população, assim como os pequenos empreendedores, com uma carga tributária absurda, sem oferecer qualquer contrapartida, inaceitável em qualquer país civilizado que respeita o contribuinte. Por que alguns servidores sequer receberam o décimo terceiro salário, enquanto outros brigam na Justiça para não perder os ganhos indevidos, os chamados penduricalhos? E assim a vida segue!
As imagens sobre as consequências do desabastecimento comprovam que ainda estamos longe de enfrentar uma greve com o objetivo de mostrar que o governo precisa respeitar o cidadão que lhe banca as despesas. O que se viu nos postos de abastecimento de combustível, tanto da parte do consumidor quanto do fornecedor, comprovam que não temos espirito de coletividade. Não houve preocupação de atender a todos, mesmo que com uma quantidade menor para cada pessoa que estava na fila. Queremos o bem de todos? Ou é cada por um por si e Deus por todos?
Pode ser que o movimento dos caminhoneiros esteja perto do fim, mas se isso não gerou um tsunami também não foi uma marolinha. Incomodou. E muito! Lições? Situações pontuais não podem ser determinantes para esvaziar uma greve; o sacrifício deve ser absorvido por todos para que a luta tenha sucesso; para assumir uma posição irredutível, sem negociações, deve-se calcular os riscos com muita consciência; avaliar criteriosamente se o apoio de partidos políticos será benéfico. Por fim: se houver negociação, que seja feita por quem tem experiência no assunto.


J R Ichihara
31/05/2018

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