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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Medo de ser devorado?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Cada qual no seu quadrado!


O anúncio oficial do ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, através do twitter, que não será candidato à presidência da República na eleição deste ano, provocou decepção e alegria ao mesmo tempo. Pelas atuações durante o processo do Mensalão, o estopim que gerou a Operação Lava Jato, ganhou muitos admiradores que declaravam a intenção de votar nele. Por outro lado, visto pelos concorrentes ao cargo, os votos que seriam dele (cerca de 10%) estarão disponíveis e podem ser conquistados por quem souber fazê-lo. Além disso, todos visam o tempo de TV.
A alegação de motivos pessoais feita por ele é perfeitamente compreensível vindo de alguém preparado para atuar em um meio totalmente diferente da política partidária. Em uma oportunidade anterior, já afastado do STF, durante uma entrevista informal, ele declarou ao jornalista que não pensava em ser presidente da República porque “eles vão me devorar”. Não ficou claro quem seriam eles, mas para o bom entendedor está muito claro: os parlamentares com quem precisaria negociar, os empresários, a oposição e a mídia. O poder no Executivo é frágil.
Engana-se redondamente quem acha que o ocupante da presidência no Brasil pode tudo. Se não houver a tal coalização, a base de sustentação com partidos aliados, o atendimento de interesses... adeus poder da caneta na mão. Ou alguém já esqueceu o que aconteceu com a ex-presidente Dilma? No Judiciário o ex-presidente do STF é pouco atacado, para não dizer intocável. O cargo não exige o funcionamento de toda rede de serviço público essencial (educação, saúde, segurança e infraestrutura) com qualidade e satisfação por parte do contribuinte. A batida é outra!
Mas quem acha que pode resolver muitos problemas do país, sendo o gestor máximo, tem de estar consciente de que dificilmente agradará a todos. Combater a desigualdade social, uma das prioridades da sociedade, arregimenta vários inimigos. Fornecer educação e saúde de qualidade para todos, contraria frontalmente os privatistas de plantão. Reajustar o salário mínimo acima da inflação, forçará as empresas a demitir pessoas, além de repassar os custos ao produto. Enfim, como diz o ditado popular, a “corda sempre vai arrebentar no lado mais fraco”. Então...
Caberia um exercício imaginário sobre a possível candidatura e eleição do ex-ministro Joaquim Barbosa? Vamos supor que ele participaria das eleições e fosse eleito. Estaria livre de uma devassa nas contas de campanha? Como todos sabemos, apesar das prisões na Lava Jato, a irrigação de uma campanha sempre contará com as contribuições questionáveis. Se ele fosse pego em uma escorregada dessas, como ficaria a sua imagem de retidão ética e moral? E as alianças com partidos investigados sobre esquemas de corrupção? Seria esse o medo dele?
Infelizmente, a conduta imaculada que todos queremos dos candidatos e partidos é pura utopia. Por que o PT, quando era extremamente radical, nunca chegou ao poder? Qual foi o preço que pagou em troca de um sonho? Até um integrante do seu alto escalão deu a entender que o PT se lambuzou contaminado pela embriaguez do poder. É uma pena que não existe uma vacina contra este mal. Se fizerem uma investigação criteriosa e imparcial sobre partidos e candidatos pouquíssimos serão aprovados. Nessas horas, um bom passado é mais importante que o futuro.
Talvez a decisão do pretenso candidato seja a prova de uma sensatez ausente em outras pessoas. Nem todos têm o jogo de cintura necessário para conviver com lobos 24 horas por dia, 365 dias por ano, durante os 4 anos de mandato. Ao ocupar a cadeira mais importante e de maior responsabilidade do país, não adianta dizer que é impossível governar sob tanta pressão e assédio vindo de todas as direções. Mesmo descontando os exageros ditos nas campanhas, as cobranças por resultados e promessas são implacáveis - o outro Joaquim, de jeito nenhum, caberia aqui.


J R Ichihara
09/05/2018

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