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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Fogo também alimenta a exclusão
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Esterilizando a promiscuidade?


O último 1º de maio foi pavoroso para os moradores de um prédio público ocupado ilegalmente no centro de São Paulo, por causa de um incêndio que provocou o desabamento da construção. A tragédia chamou a atenção até da imprensa internacional. Depoimentos de historiadores ressaltaram a importância arquitetônica que o edifício representou na época que foi inaugurado, lá pelos idos dos anos 1960. Não era destinado para moradia e sim para escritórios. Por causa das dívidas - falta de pagamento de tributos – o empreendimento foi confiscado.
A maioria que ocupava o local o fazia por obrigação circunstancial porque não tinha onde morar com a família. Segundo mostrado nas reportagens da mídia, havia uma cobrança de aluguel que variava conforme as condições de quem vivia nas instalações. As especulações, como não poderia deixar de acontecer, denunciam que há uma organização que comanda as invasões e depois cobram um valor dos ocupantes. Muitos também acham que por trás disso tudo tem a atuação do MST e dos movimentos sociais da esquerda brasileira. O fato é que tudo virou cinzas.
Depois que algo desse tipo acontece vem à tona as providências que não foram tomadas antes. Falta de condições quanto a segurança e tudo que precisa obedecer às normas necessárias para autorizar a habitabilidade de uma residência. Se o prédio nem foi construído para moradia, como permitiram que isso acontecesse? Mas o vácuo deixado pelo Poder Público permitiu que os pobres coitados vivessem num micro-ondas. O mais revoltante foi ouvir o jogo de empurra dos representantes legais – cada qual fez a sua parte. No fim, ninguém é responsável por nada.
Quem se posiciona contra as políticas públicas para reduzir a desigualdade social, lógico, aponta os moradores como os únicos culpados por tudo que aconteceu. Como se o cidadão fosse prazerosamente viver naquele lugar por vontade própria. Uma moça falou que se mudou para lá porque ficou desempregada e devia três meses de aluguel. Como abrir mão de um cantinho para abrigar a família? Acreditando no milagre da autorregulação do deus mercado? Ou esperando que a consciência de quem aprova o auxílio-moradia, para quem não precisa, mudará um dia? Então...
Ironicamente neste dia se comemora o Dia do Trabalhador. Mais ainda, por acontecer na cidade que simboliza a prosperidade através do esforço individual numa atividade produtiva. Para decepção dos otimistas incuráveis, a mídia divulgou que há dezenas de imóveis públicos ocupados nas mesmas condições deste que virou cinza. Talvez a maior e mais rica cidade do país seja o exemplo que os abismos entre a opulência e a miséria só são invisíveis para quem não quer ver. Quem sabe a prometida Ponte para o Futuro não sirva aos excluídos dos prédios abandonados?
Uma certeza os que precisam de ajuda governamental têm: isso é mais uma prova que pobre só ganha importância em época de eleição. Política habitacional? Não consegue sair do atoleiro! Inclusão social? É vista como esmola! Combate à fome e a miséria? Desejo de esquerdopata, que vai transformar o Brasil numa Venezuela ou Cuba! Administrar o país de forma integrada entre regiões? Perda de tempo, o Norte e o Nordeste são as causas do atraso do Brasil! É triste, mas é a pura verdade. Somos racistas, preconceituosos e regionalistas. Alguém discorda?
Extraindo alguma utilidade das redes sociais, isso é possível, pode-se imaginar no que está se transformando o mercado de trabalho do Brasil. Profissionais altamente qualificados, na faixa dos 55 anos, não conseguem colocação após a demissão. Mas... A Reforma Trabalhista não era a promessa do Paraíso Terrestre? Como nem tudo está perdido, alguns desta faixa etária comentam que a melhor remuneração que conseguiram foi de dois salários mínimos. Parece que o ser humano é um eterno insatisfeito com o que lhe oferecem... Ou a exclusão mudou de foco.


J R Ichihara
03/05/2018

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