Seleção de Livros! Clique e confira.

A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco | CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Jornalismo
 
STF, Moro e prisão
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Espera-se que não seja o único exemplo


Houve uma equilibrada decisão do STF (6 votos contra e 5 a favor) sobre o Habeas Corpus de Lula para responder em liberdade as condenações em primeira e segunda instância, sobre o Tríplex de Guarujá. O que se viu, desta vez, foi a ausência de unanimidade, diferente da turma do TRF-4, quando foi condenado por 3 a zero. Mas houve uma surpresa quando o ministro Gilmar Mendes votou contra a prisão do ex-presidente. A decisão ficou com a ministra Rosa Weber, com o voto Minerva, que por falta de convicção seguiu o colegiado, votando a favor da prisão.
Para os leigos no assunto fica difícil entender os termos técnicos empregados pelos ministros que julgaram o caso. Da mesma forma que muitos especialistas acharam correta a decisão, outros discordam totalmente dos argumentos condenatórios. O que se sabe é que o STF é o guardião da Constituição Federal de 1988, ora em vigor. Falou-se de clausula pétrea, tradições e todos os recursos legais permitidos por um réu. Mas o que a maioria sabia, alguns até desejavam, era que a prisão seria questão de dias - muito ódio ainda vai rolar até a poeira baixar.
O ato seguinte, logo nas primeiras horas desta sexta-feira (06/04/18), foi a decretação da prisão de Lula, expedida pelo juiz Sergio Moro, o mesmo que o condenou em primeira instância. Para quem acompanha o caso desde o início, isso não traz nenhuma surpresa. Impedido de participar de eleições por causa da Ficha Limpa e ainda preso, o PT vê o sonho de retornar ao poder, via eleições, bem mais distante. Como se diz no linguajar comum: deram um nó e esconderam as pontas. O legado pessoal e a popularidade serão suficientes para superar isso?
Mas esse caso histórico na política brasileira teve repercussão internacional nos principais jornais do mundo. Afinal, trata-se do primeiro ex-presidente escolhido em eleições livres a ter a prisão decretada pela Justiça. Seria para comprovar que a Lei é para todos? Adversários políticos – e até ex-companheiros de partido – opinaram sobre a decisão do STF. Poucos acharam injusta, a não ser alguns aliados e membros do PT. Até no Facebook, de veracidade questionável, uma série de acusações de Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, desmitificaram o mito Lula.
Considerando que o caso Lula é página virada, o que acontecerá com os outros denunciados nos esquemas de corrupção? Será que a impunidade, reclamada até por um general que colocou o STF em xeque, está com os dias contados? Se tudo isso que aconteceu foi apenas para impedir que Lula e o PT voltem ao poder, deixando os outros denunciados livres, a voz do militar não poderá se calar. Para quem gosta de Justiça imparcial, a luta pela convicção de que a Lei é para todos não pode parrar. Se a Lava Jato foi o ponto de partida, a chegada é na cadeia.
Especialistas sobre economia, política e Justiça expõem diariamente, nos meios de comunicação, o que está acontecendo e quais cenários se descortinam no futuro. Reaquecimento da atividade produtiva, definição de candidatos à presidência da República e fim da vida fácil para corruptos, deixarmos de ser o país mais corrupto do mundo. Afinal, o que consolida um país como justo, desenvolvido e politicamente estável? De novo caímos nas benditas Instituições! Se elas funcionam contra os interesses da população, apenas cadeia não resolve um problema crônico.
Vida que segue. Mesmo com Lula preso e outros corruptos soltos, o país tem de continuar. Esta decisão não devolve o emprego do desempregado, a segurança nas ruas, o rombo nas contas públicas, muito menos inibe quem vive explorando o narcotráfico. Será apenas mais um capítulo na História do Brasil. Não tem porque se sentir feliz ou triste por causa disso. Todo servidor púbico, independentemente do cargo que ocupa, sabe que deve prestar contas dos seus atos. No dia que aceitarmos a impessoalidade da Justiça, o fosso da desigualdade social se estreitará.


J R Ichihara
06/04/2018

Comente este texto

 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: EXAD (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.