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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Repúdio à caravana do Lula: normal ou exagero?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A necessidade de se mirar num espelho


Na noite desta terça-feira (27/04/18) um dos ônibus da caravana do ex-presidente Lula foi atingido por 4 tiros, quando saía de Quedas do Iguaçu, no Paraná. Em outras cidades da Região Sul a recepção não foi nada amistosa para ele. Foram alvos de ovos, pedras, latas de cerveja e outros objetos. A mídia divulgou imagens onde os manifestantes demonstraram a rejeição contra a candidatura dele. Mesmo debaixo de tanta violência, dezoito cidades foram visitadas na região. Como sempre, as opiniões sobre estes atos dividiram a população, outros candidatos e a Justiça.
Um dos pronunciamentos que chocou foi do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, um dos prováveis candidatos à presidência da República pelo PSDB. Primeiro falou que o PT apenas está colhendo o que plantou. Depois, talvez por refletir melhor sobre o que disse, tentou colocar panos quentes, mas não adiantou muito. Remendou dizendo que “toda forma de violência tem que ser condenada e que é papel dos homens públicos pregar a paz e a união entre os brasileiros”. Qual das suas afirmações, entretanto, a população vai interpretar como a verdadeira?
O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, na mesma noite do ocorrido, repudiou os tiros à caravana petista dizendo que “isso é absolutamente antidemocrático”, em uma entrevista coletiva em Brasília. No dia seguinte, foi a vez do presidente Temer se manifestar nas redes sociais. Disse lamentar o que aconteceu e salientou que desde que assumiu insiste sobre a necessidade de reunificar os brasileiros, acabar com o clima de “uns contra os outros” e do “nós contra eles”, usado por Lula, que inflama ainda mais a divisão do país. Quem dividiu o país?
Curioso é que a campanha eleitoral, na verdade, ainda nem começou. Lula, assim como o próprio PT, não tem certeza que será o candidato. Enfim, parece que o povo adquiriu uma paranoia inútil e desnecessária diante de várias incertezas. Felizmente ninguém foi atingido pelos tiros. E se alguém morresse por causa dessa manifestação? Valeria a primeira opinião do Alckmin? Ou a ponderação do ministro Jungmann é a mais recomendada? Quem sabe a sutileza na opinião pessoal do presidente Temer? O fato é que os ânimos precisam baixar de patamar.
Sempre que acontece algo dessa natureza é bom para os defensores ferrenhos do armamento refletirem. A tese que as armas devem ser liberadas para as pessoas de bem se defenderem não merece uma análise? Os manifestantes que realizaram os ataques, inclusive os disparos, se consideram pessoas de bem? Da mesma forma, quantos que estavam na caravana, que sofreram as agressões, também são pessoas de bem? Agora, imaginem os dois lados, ambos só de pessoas de bem, legalmente armados para garantir suas defesas. Visualizaram a cena final?
Por que a insatisfação pessoal ou de grupos, principalmente contra figuras públicas, facilmente descamba para a violência? Há algum tempo, durante o governo Sarney, cuja popularidade, no final do mandato, estava rente ao chão, o ônibus da sua comitiva foi atingido por uma picareta, no Rio de Janeiro. Só que ele era o gestor do país... situação muito diferente do que Lula é hoje. Não bastaria deixar de votar nele? Ou a sua condenação, de acordo com as regras, é insuficiente? Um senador do PSDB, no auge da crise, falou que a Dilma tinha que sangrar!
Talvez o exercício da democracia foi erroneamente assimilado pelas pessoas de bem. Situação e oposição, tratando-se de eleitores, exageram quando estão de um lado ou de outro. Alguns só respeitam a Justiça se houver a exterminação de pessoas, empresas, instituições, partidos políticos e tudo que desagrada ou contraria sua preferência. Os ânimos estão de tal forma acirrados que uma simples divergência, algo natural e saudável num regime democrático, gera comportamentos irracionais até nas pessoas consideradas sensatas. Aonde isso nos levará?


J R Ichihara
28/03/2018

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