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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Juíza, vereadora.... Quem pode condenar ou questionar a PMRJ?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A eficácia da Lei do Silêncio


Os assassinatos no Rio de Janeiro não surpreendem mais nenhum brasileiro. Da mesma forma que as imagens exibidas pela mídia nos confrontos entre gangues rivais do narcotráfico, ou a troca de tiros entre policiais e membros de quadrilha, virou lugar comum nesta cidade. Mas a execução da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), nesta quarta-feira (14/03/18) repercutiu além das fronteiras nacionais e provocou uma revolta popular. O crime ocorreu as 21:30, no Estácio, quando ela saiu num carro de um evento na Lapa as 19:00. Fala-se que seu carro foi seguido.
A investigação policial acha que se trata de uma execução porque nada foi levado dos ocupantes do veículo. A vereadora estava no banco de trás, ao lado da assessora. Os disparos foram feitos de 2 metros de distância, por uma pistola 9 mm, de um carro que emparelhou do lado que a vereadora estava sentada. Soube-se que a munição pertencia a um lote fornecido para a PF de Brasília em 2006. A assessora só foi atingida pelos estilhaços do vidro, mas 3 tiros acertaram as costas do motorista e 4 atingiram a cabeça da vereadora – ele também morreu.
Como não poderia deixar de acontecer, rapidamente surgiram as opiniões sobre o motivo deste crime. Repressão por acusar o 41º BPM (Batalhão da Polícia Militar) do Irajá de intimidar os moradores da comunidade? Por motivos políticos, já que lutava em defesa dos negros e pobres moradores das favelas? Encomendado pelos narcotraficantes pelas denúncias que ela fazia contra a violência atrelada a esta atividade? Fazer qualquer pré-julgamento deste triste episódio pode ser precipitado, mas muitos acham que o silêncio dela interessava muito à PMRJ.
Sempre causa muita polêmica as denúncias sobre a atuação da PMRJ em operações nas favelas. Será que as imagens mostradas, em muitos casos que vêm ao conhecimento público, só tem como objetivo denegrir a imagem desta corporação? Ou defender uma abordagem civilizada significa concordar com a criminalidade? A estatística sobre os PMs mortos nesta cidade, se confrontada com os inocentes que morreram pelas armas deles, nos leva a que conclusão? Provavelmente que eleger a morte como a única solução esteja equivocada. Portanto...
Infelizmente, se levarmos em consideração os fatos conhecidos sobre a PMRJ, nos casos que é acusada de abuso e outros desvios, a opinião pública tem motivos para desconfiança. Quem não se lembra que a Juíza Patrícia Acioli foi executada, em agosto de 2011, com 21 tiros de armas de uso restrito da força de segurança, ao chegar de carro na sua casa? Ela havia condenado 60 policiais militares por envolvimento com milícias e grupos de extermínio. A similaridade deste caso com o da vereadora é que ambas defendiam fervorosamente a defesa dos direitos humanos.
Esta tragédia não poderia acontecer em momento mais inoportuno. Por que durante a implantação de uma Intervenção Federal para combater a violência na cidade? A ação foi premeditada com a finalidade de causar um impacto negativo? Ou a decisão foi simplesmente baseada numa oportunidade que surgiu? Soube-se que ela não vinha recebendo ameaças, mas a hipótese de que estava sendo monitorada é bastante pertinente. Senão... Por que um veículo seguiu o seu carro quando este deixou o evento na Lapa e outro se juntou a ele no trajeto?
Lamentavelmente a população ficará mais assustada depois deste crime contra uma representante eleita pelo povo. O que se pode fazer diante dos abusos, escândalos, desmandos, irregularidades e outras atitudes que atentam contra os interesses da sociedade? Ninguém tem mais o direito de questionar, solicitar providências às instituições, exigir o cumprimento da lei? Nem mesmo uma autoridade legalmente constituída pode se manifestar? Ou o Brasil virou uma espécie de Velho Oeste, onde o mais rápido no gatilho impõe a Lei do silêncio na base da bala?


J R Ichihara
16/03/2018

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