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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Quarta-feira como outra qualquer
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Viver injustiçado, mas com alegria!


Quem curte o carnaval no Brasil sabe que a quarta-feira de cinzas é um divisor entre a fantasia e a realidade. Depois de pular à vontade, esquecendo os problemas crônicos do país, descontando o resíduo da ressaca, vem aquele momento de reflexão. Valeu a pena? Quero repetir tudo no próximo ano? Alguma coisa mudou porque me diverti? Não há pesquisa séria sobre este assunto, apenas o que vemos nas manifestações dos brincantes quando entrevistados nos meios de comunicação, mas a grande maioria declara que pretende voltar às ruas outra vez. Então...
As opiniões dos que não gostam desta festa popular, certamente a mais conhecida no país e no exterior, pouco importam nesses momentos. Qual a grande diferença que faz deixar de se indignar, por três dias ou mais, com os escândalos diuturnamente mostrados na mídia? O cidadão deixa de ser consciente somente por causa disso? Se muitos passam o restante dos dias procurando valer os seus direitos e nada... por que são considerados alienados quando resolvem se divertir um pouco? A seriedade se faz presente nos locais onde não se brinca o carnaval?
Historicamente o povo é manipulado pelos poderosos em qualquer lugar do mundo. Uma das frases mais conhecidas sobre isso remonta ao Coliseu romano, onde o povo se divertia vendo os gladiadores lutarem até a morte. Antes disso, era jogado pão para a plateia, ficando registrado que ela gostava de “pão e circo”. Um detalhe que faz a diferença é que os que divertiam os espectadores estavam lá obrigados e não espontaneamente. O único prêmio era vencer a luta e sair com vida! Mas era a diversão popular da época. Os tempos são outros, mas... Isso acabou?
Um famoso carnavalesco brasileiro também ficou muito conhecido porque disse que o visual apresentado pelas Escolas de Samba confirmava que “pobre gosta de luxo, beleza e destaque”. Algum mal nisso? Em que momento alguém da periferia que pertence a uma classe sem acesso aos direitos constitucionais poderia ser destaque? Fantasia ou alienação, mas o carnaval permite isso, mesmo que por 90 minutos. Além disso, os participantes, seja nos desfiles oficiais ou nos blocos de rua, não estão lá por obrigação – nem precisam matar alguém para viver.
Talvez não haja uma pesquisa que indique o percentual da população brasileira que brinca o carnaval. Isso poderia mostrar se a representatividade era preocupante sobre a seriedade do cidadão quanto a gestão dos recursos públicos. Parece que a paranoia cria uma cortina de fumaça na visão nacional, principalmente dos extremamente preocupados com o destino do país. Será que essa festa não incrementa muito dinheiro na economia nos locais onde acontecem os eventos? No meio de uma crise financeira... faz mal alguém pagar e exercer o direito de brincar?
Será que os críticos do entretenimento, o carnaval está se tornando isso com os eventos fora de época, consideram alienados os que vão para a Disneylândia? Certamente muitos diriam que há muita diferença. Lá não há exposição de mulheres peladas e outras obscenidades abusivas do carnaval. Pudores à parte, o que diriam sobre Las Vegas, com seus cassinos e prostituição liberada? Considerando que quem se diverte é um alienado... A população do país mais poderoso economicamente não é muito diferente do Brasil. Ou eles não têm problemas de gestão pública.
O fato é que mais uma quarta-feira de cinzas vem aí. Gostem ou não os que colocam a seriedade acima de tudo, essa festa está no sangue do brasileiro. Adianta dizer que, oficialmente, o carnaval não é feriado? Se as empresas e as repartições públicas não adequarem suas jornadas de trabalho nessa época... o absenteísmo vai às alturas. Pouco importa o rótulo que os críticos dispensam aos brincantes. É carnaval, dizem eles se lixando para quem não aprovar a alegria e a disposição. Quarta-feira? Esse é um dia como qualquer outro. Quem não brincou resolveu o quê?


J R Ichihara
11/02/2018

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