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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Febre verde-amarela?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A esperança e a desesperança


Por uns momentos a população brasileira deixou a febre amarela de lado e voltou as atenções para o julgamento do ex-presidente Lula, em Porto Alegre, nesta quarta-feira (24/01/2018). Como não poderia deixar de ser, a sociedade está dividida em contra e a favor da condenação do petista. A mídia exibiu imagens das manifestações e o forte esquema de segurança montado para garantir a tranquilidade no local do evento. Mas a questão que não sai do foco é a consistência das provas contra o acusado. Lê-se de tudo nas redes sociais sobre isso.
Os telejornais não mostraram as enormes filas nas cidades onde a febre amarela fez vítimas fatais e as pessoas procuram os postos de saúde para tomar a vacina. Também, por uns momentos, pouco importa saber se há estoque suficiente para atender as necessidades caso fique comprovado o surto desta doença. Por quê? Nada disso ganhou mais notoriedade que o julgamento do ex-presidente. Será porque a absolvição, muito difícil para a maioria, ou a condenação, desejada por grande parte da classe média, será decisiva para os mais pobres?
Quem acompanha de perto a atuação da Operação Lava Jato, o motivo principal da condenação de Lula, independentemente de ser contra ou a favor dele, tem motivos para achar que logo após sua condenação a Justiça encerrará o caso. As fotos onde a figura principal neste processo, o juiz Sergio Morro, aparece sorrindo ao lado de outros citados nas delações dos envolvidos pelas empreiteiras, além do publicamente conhecido “não vem ao caso”, sinalizam neste sentido. Para os inconformados com a impunidade... O julgamento foi meramente político!
A paixão e o ódio que Lula exerce sobre as pessoas extrapola a racionalidade em alguns pontos. Para os opositores, trata-se do maior corrupto da história política do país; os vermelhos ferrenhos bradam aos quatro ventos que ele foi o melhor presidente que o Brasil já teve. Os neutros, mas suficientemente conscientes quanto a política, baixam a bola dos dois lados. A gestão petista teve bons e maus momentos, como qualquer outra. Mas quem desconhece as costuras entre os políticos, mas dependem das decisões que vêm depois, pode julgar errado.
Será que o confisco da poupança da população, um dos primeiros atos do ex-presidente Collor, teria a mesma repercussão se fosse na gestão petista? Ou a implantação do fator previdenciário, pelo presidente FHC, para evitar uma catástrofe no futuro da Previdência? Por que nenhum deles foi tão odiado quanto Lula? Fala-se que no governo do PT se institucionalizou a corrupção. Mas os números mostram que as reservas aumentaram, os investimentos cresceram, o salário mínimo sempre foi reajustado acima da inflação... Houve até redução na desigualdade.
Vivemos um momento de mobilização e paralisia com relação ao poder central do país. Curioso é que não há mais o movimento, as manifestações populares, apoiado pela mídia, contra os escândalos e as denúncias de corrupção. Talvez porque a classe média, a única que sabe o que é melhor para o país, não veja nada ameaçando os seus interesses particulares. Quem sabe porque sempre se pode recomeçar a vida em Miami ou em Lisboa. Bater panelas e protestar, somente em casos extremamente importantes, como tirar um corrupto do poder e prendê-lo.
Lamentavelmente, qualquer que seja o resultado do julgamento de Lula, poucas mudanças significativas acontecerão no país. O grupo que manda continuará mandando, assim como os que obedecem continuarão obedecendo. A análise sobre o aumento da riqueza no país mostra que nada melhorou para os necessitados. Basta ver que os 5 bilionários (Jorge Paulo Lemann, Joseph Safra, Marcel Herrmann Telles, Carlos Alberto Sicupira e Eduardo Saverin têm, juntos, fortuna total de US$ 84,9 bilhões) têm mais dinheiro que a metade da população brasileira.


J R Ichihara
24/01/2018

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