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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Até onde acreditar no que estão vendendo
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Mais do mesmo... E a vida segue em frente


Ganhou menos manchete do que merecia o anúncio da demissão de 1.200 professores da Universidade Estácio, no Rio de Janeiro, uma das maiores da rede privada no país. Segundo a administração da entidade, a medida, agora sob a proteção da reforma trabalhista aprovada, foi para “adequar” o efetivo à nova situação. Como não há mais necessidade de negociação com os sindicatos, os patrões podem demitir em massa, segundo o entendimento jurídico dos dirigentes das empresas privadas – uma pequena amostra do que vem por aí. Mas... E o desemprego?!!!
Para o neoliberal radical convicto, aquele que acha que toda atividade para ser autossustentável tem de dar um alto lucro financeiro, educação e saúde estão perfeitamente enquadradas nisso. A nossa realidade, evidentemente, destoa deste pensamento por ser um país extremamente desigual, mas onde todos dizem que a educação é fundamental para melhorar a vida da população. Qual seria o verdadeiro motivo, que não a redução de custo, da demissão absurda no quadro de professores da Estácio? Os próximos contratados receberão muito menos.
Os números podem ajudar a traduzir o que os dirigentes desta Universidade pretendem com a “adequação”. Com os salários menores, mas mantendo os mesmos preços das mensalidades, o que vai acontecer? LUCRO MAIOR!!! Aí cabe um questionamento de quem está pagando para adquirir um bem intangível fundamental para aumentar as chances de uma boa colocação no mercado de trabalho: e a qualidade do ensino... vai se manter no mesmo padrão? Mas vamos admitir que se trata de uma simples “adequação”. Por que só fizeram isso agora?
Infelizmente, a prática vai comprovar o receio que tinham os trabalhadores da iniciativa privada com as mudanças nas regras que disciplinavam as relações entre patrão e empregado. Quantas escolas privadas deixarão de seguir o exemplo da Estácio? O que as promessas de mais oportunidades e melhorias, além da segurança jurídica propagandeada pelo relator, estão sendo demonstradas no mundo real? As pessoas sabiam isso desde que se falou das mudanças na CLT, mas o Congresso, a Justiça e os sindicatos patronais, além da mídia golpista, venceram.
Temos o mau costume de supervalorizar algumas declarações que ouvimos, principalmente nas redes abertas dos meios de comunicação. Se as palavras vêm ao encontro daquilo que desejamos, então, nosso apoio vai à estratosfera. Há pouco tempo muitos foram ao delírio porque o general Mourão falou que as Forças Armadas estão prontas para intervir se o caos político continuasse acontecendo. Só que veio um banho de água fria e ninguém mais ouviu o novo herói se pronunciar. Os militares roeram a corda? Era só fogo de palha? Ou o vento levou?
Mas o assunto do momento é a Reforma da Previdência. Parece que o destino do país depende da aprovação disso. Diuturnamente ouvimos as autoridades alertarem sobre a catástrofe que acontecerá se o Congresso não aprovar as propostas. Até o Moody’s, uma das maiores agências de classificação de risco de crédito do mundo, já avisou que os cofres se fecharão para o Brasil, caso ela não seja aprovada. Por que tanto interesse voltado para o tema? Não é estranho algo extremamente deficitário atrair tanto a atenção das finanças internacionais? Alguém sabe?
No governo FHC, houve uma mudança nas regras para a aposentadoria do brasileiro. Sob a alegação de evitar um rombo futuro nas contas da Previdência, implantaram o tal fator previdenciário, uma combinação do tempo de contribuição com a idade. O objetivo, na verdade, era desestimular este benefício aos 55 anos. Agora, em pouco mais de 20 anos, novamente o aposentado é o único culpado pelo déficit nas contas. Isso não é para obrigar todos a aderirem a uma previdência privada, já que não se aposentarão pelo INSS? Afinal, saber vender é uma arte!


J R Ichihara
16/12/2017

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