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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Tentativa de ser uma República
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quem nasce tatu morre cavando?


Há exatos 128 anos começou o sonho de sermos uma República, deixar de ser um Império, onde a maioria se matava de trabalhar somente para sustentar os caprichos da realeza. Oficialmente, pelo menos no papel, declaramos que os interesses pessoais ficariam abaixo do bem-comum – até as autoridades constituídas zelariam por isso. Podemos afirmar, diante do que vimos acontecer, ao longo de mais de um século, que tivemos sucesso neste projeto? O que diria o marechal Deodoro da Fonseca, o herói da guerra do Paraguai, o nosso primeiro presidente?
Salvo informações equivocadas nos registros históricos, a decisão pela queda do Império foi apoiada pelos militares, Igreja Católica, grandes proprietários de terra e classe média urbana. Considera-se que foi uma ação político-militar. Alguma semelhança com a vontade atual de uma parcela da população que quer uma intervenção militar? Se o fato de acabar com o poder ilimitado do imperador fosse o grande problema... O tempo se encarregou de mostrar que não era apenas isso. Talvez o culpado que sempre procuramos esteja nas pessoas e não no regime vigente.
Toda adversidade que atinge a insatisfeita classe média, a que se considera o sustentáculo das arrecadações do país, chegou a este nível por acomodação própria. Educação deficiente? Colocaram os filhos na rede privada! Saúde precária? Contrataram um plano de saúde particular! Segurança pública ineficaz? Foram morar em condomínios fechados, com segurança particular! Excesso de impostos? Forjaram recibos médicos e incluíram dependentes ilegalmente na declaração anual do imposto de renda! Alguém bateu panelas contra os abusos da República?
Crescemos ouvindo que cada povo tem o governo que merece. Que não sabemos votar ou escolher os dirigentes. Resumindo: somos os únicos culpados por tudo de errado que acontece no país! Alguns pessimistas chegam a afirmar que, apesar de toda riqueza natural com que fomos agraciados, o Brasil é inviável. Isso mesmo! Nossa incompetência é tamanha que preferimos entregar tudo que possuímos para os países desenvolvidos gerenciar. Os especialistas, aqueles que sabem tudo sobre problemas, não conseguem ajudar a reverter essa situação indesejável.
O que fazer quando o sonho se transforma em pesadelo? A população deixou de trabalhar só para manter privilégios da Família Real, mas ao invés da despesa diminuir... aumentou a quantidade de pessoas na Casa-Grande! Por isso a urgência de aprovar reformas que solucionam os gastos com os escravos, mas mantêm as mordomias dos Senhores de Engenho. Simples assim. A esclarecida classe média já tem o plano B: mudar de país! Muitos sabem tudo sobre a vida nos Estados Unidos e Portugal, os preferidos das cabeças pensantes. Então... Por que não?
Qual mudança no cenário pode elevar a autoestima do brasileiro? Ganhar a Copa do Mundo de Futebol, no próximo ano na Rússia? Julgar imparcialmente todos os envolvidos nos escândalos de corrupção e condenar os culpados? Reduzir o número de parlamentares, juízes, desembargadores e gestores do Executivo que nada resolvem? Acabar com a impunidade para todo e qualquer cidadão? Cobrar impostos condizentes com o poder aquisitivo da população? Enfim, se nada disso for resolvido... nem educação, muito menos eleição, nos tirará do atoleiro.
Enquanto prevalecer o espírito imperialista que o brasileiro insiste em manter no seu DNA não sairemos da condição de cidadão de quinta categoria. Pouco adianta falar em educação se isso voltará a ser privilégio dos ricos. A mentalidade neoliberal admirada por muitos não considera as necessidades básicas das pessoas. Tudo é voltado para o mercado, para o lucro exorbitante, o domínio total em qualquer ramo de atividade. Onde não basta ser competidor, mas o dono absoluto do pedaço, nada sobra para quem está fora da zona de inclusão. Mas sonhar é possível!


J R Ichihara
15/11/2017

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