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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O intrigante silêncio dos conscientes


Por 44 votos contra e 26 a favor, o Senado derrubou a decisão da Primeira Turma do STF sobre o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG), nesta terça-feira (17/10/17). Alguém duvidava que ele seria inocentado pelos seus pares? O resultado era tão previsível que ninguém esperava algo diferente disso. Até os que se encontravam com problemas de saúde compareceram e cravaram o NÃO contra as medidas cautelares consideradas anticonstitucionais. A mídia estampou o semblante vitorioso de quem acredita na Justiça e vai provar sua inocência.
Numa comparação, feita pela BBC Brasil, entre a votação que condenou o petista Delcídio do Amaral, com a que livrou o tucano Aécio Neves, ambos senadores, fica muito claro a inversão pelos partidos como o PT, PSDB, DEM e PMDB. À parte a gravidade das gravações, o fato é que um está preso e o outro continua solto. Como as partes juram de pés juntos que não se trata de corporativismo, mas de Justiça... Qual a conclusão que chega o cidadão ansioso para ver o fim da corrupção? O certo é que 43% dos senadores que foram contra são alvos da Operação Lava Jato.
Aos perdedores – a sociedade brasileira – resta lamber as feridas e pensar como enfrentar tanta parcialidade, impunidade e blindagem dos parlamentares. Por causa das denúncias e gravações comprometedoras que chegam ao conhecimento público, sem qualquer punição exemplar, a população se dá o direito de chamar as Casas Legislativas de antro de ladrões, quadrilha organizada e tudo mais que caracteriza crime e roubo. Para a maioria não há distinção alguma entre sigla partidária – é tudo farinha do mesmo saco. Longe das câmeras, só conchavos!
Infelizmente a nossa história política está sendo escrita de forma vergonhosa. A certeza da impunidade é tanta que alguns já perderam totalmente a vergonha na cara, já que medo mesmo nunca tiveram. Quem ainda tinha uma tênue esperança que o STF fosse a tábua de salvação, viu afundar o último recurso legal para pôr um freio na esculhambação que dominou o país. Pode-se até dizer, usando a gíria do crime organizado, para todos ouvirem: tá tudo dominado! O povo desprotegido e vulnerável acha que a única forma de mudar é não reeleger os corruptos. Será?
O próximo imbróglio envolvendo a alta cúpula do país é a decisão de acatar ou rejeitar a segunda denúncia contra o presidente Temer. Este enrosco ainda é sobre as gravações da conversa, fora do horário normal de expediente, entre ele e o empresário Joesley Batista, um dos donos do Grupo J&F, que controla a JBS. Os aliados do presidente justificam a necessidade de votar contra porque agora a economia dá sinais de recuperação. Mas o que tem a ver o combate à corrupção, motivo do afastamento do PT, com uma melhora pontual na crise geral? Dúvidas?
Quem esperava uma adesão em massa no combate à corrupção, envolvendo até o presidente da República, pode estar apostando as fichas de maneira errada. A tropa de choque do Planalto já move as pedras no tabuleiro. Denigrem a imagem do ex-procurador Rodrigo Janot, do doleiro Funaro e do empresário Joesley. No auge da empolgação, o deputado Darcísio Perondi comparou o doleiro com o Fernandinho Beira-Mar e criticou o Ministério Público dizendo que “agora vem vindo uma ditadura de procuradores que se associam a bandidos delatores”. Então...
Tem como mudar o quadro inaceitável que vemos no dia a dia? A solução é mudar de país? Já chegamos ao fundo do poço ou ainda falta muito? Como miséria pouca é bobagem, o deputado Rogerio Marinho, o relator da Reforma Trabalhista, agora quer permitir que os Planos de Saúde explorem ainda mais os usuários. O ministro do Trabalho quer mudar a definição sobre trabalho escravo. Melhor para quem? Se eles não estão tornando inviável viver por aqui, alguém tem de explicar. O mais decepcionante é ver a consciente classe média calada diante de tudo isso.


J R Ichihara
18/10/2017

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