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Jornalismo
 
Repetir um erro não é burrice?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Fechando o cerco no cidadão


Um general se pronunciou que se a desordem, a corrupção e a impunidade persistirem não haverá outra alternativa se não a intervenção militar para colocar o país nos trilhos novamente. A declaração ganhou aplausos entusiasmados de parte dos insatisfeitos com a situação que vivemos no Brasil. Isso ganha mais adeptos quando os que apoiam a volta da Ditadura elencam as inúmeras obras de infraestrutura física e social que herdamos depois de 20 anos sob gestão mão de ferro. Mas será que a análise deve ser feita apenas sob esta ótica? Um replay de 1964?
Se o problema é o Congresso corrupto – provavelmente a primeira medida ditatorial seria fechar esta Casa Parlamentar –, o ideal é que a sociedade os substitua de forma democrática. Afinal, a população sustenta outras instituições que são responsáveis pelo cumprimento das leis no país. Forças Armadas, até onde se sabe, é para dar segurança nacional e proteger o território de ameaças externas. Governar um país, onde a maioria não tem formação militar, é muito diferente de comandar tropas preparadas para o combate armado – a estratégia é bem distinta!
Àqueles que têm convicção de que a única saída para o Brasil se desenvolver para chegar ao tão sonhado Primeiro Mundo, os exemplos de Ditaduras Militar mostram que o caminho não é este. Que país democrático desenvolvido é governado por militares? Os casos de ditadores violentos, todos militares, no Oriente Médio, na África e na Coreia do Norte não servem de modelo para quem sonha com a volta dos Anos de Chumbo? À propósito, os Estados Unidos, a maior potência militar do planeta não é governada por um militar. Mas lá não tem muita corrupção?
Os argumentos indiscutíveis, até certo ponto, de que toda infraestrutura e direitos sociais que usufruímos hoje é fruto da gestão militar (aeroportos, Embraer, hidrelétricas, portos, rodovias, FGTS e demais) não pode ser o único motivo para um retorno muito bem-vindo deles ao poder. Quais dessas obras citadas foram minuciosamente auditadas para encontrar corrupção, propina e suborno? Se realizações fossem o bastante, sob a gestão civil houve um aumento significativo de universidades e escolas técnicas, a base intelectual de todo desenvolvimento de um país.
Mas opinião é um direito de cada um, especialmente num regime democrático. Hoje fala-se muito no endividamento público, o que forçosamente sustenta a necessidade de reformas. Onde se constata, realmente, qual foi a herança maldita, na forma de dívidas contraídas, deixada pelos militares, após tantas obras faraônicas? Para que serviu a fortuna gasta na construção da Rodovia Transamazônica? Se as usinas nucleares de Angra dos Reis não tinham outro objetivo, qual foi o grande benefício que elas trouxeram? O que foi a Petrobras nesta época maravilhosa?
Quem sofreu os horrores do Regime Militar, apesar de reconhecer que as obras em destaque foram importantes, teme pela Lei da Mordaça, a que implanta um zíper na boca do cidadão impedindo-o de manifestar sua opinião e fazer o seu questionamento. Num mundo em constante transformação é inaceitável que o contribuinte nunca tenha razão, muito menos não tenha o direito demonstrar a sua insatisfação com algumas medidas que lhe prejudiquem. Isso destoa totalmente dos avanços científicos, tecnológicos e sociais que a humanidade conquistou.
Infelizmente, os Três Poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) do pós-Ditadura não corresponderam aos anseios da população. Exageraram na abertura e impuseram um novo regime ditatorial – este democraticamente escolhido pela vontade popular. Mas isso não é motivo para esquecer todas as formas de humilhação física e psicológica que alguns sofreram nas mãos dos torturadores. Se muitos acham que aquela época foi maravilhosa, provavelmente não faziam parte dos que lutaram por outra forma de pensar e viver. Se repetir erro é burrice... Fazer o quê?


J R Ichihara
21/09/2017

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