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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Até onde vai a nossa imparcialidade?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Não pode ser apenas venha a nós!


O desenrolar das audiências e sentenças da Operação Lava Jato, que é considerada a maior investigação contra a corrupção em curso no país, elegeu o termo “imparcialidade” como destaque, principalmente do lado que sofreu a condenação. Com isso, portanto, seria inevitável a troca de farpas entre os coxinhas e os mortadelas, os grupos que se digladiam na acusação ou na defesa dos seus corruptos de estimação. É logico que ninguém precisa ser alguém muito brilhante para ter certeza de tanta inutilidade prática dessa celeuma sem fim e inconclusiva.
Mas quem gosta de tudo certinho, independentemente se o resultado é adverso ou desfavorável, não importando em que situação do dia a dia, talvez precise rever suas convicções. Primeiro porque em qualquer decisão nesta vida, que dependa do julgamento humano, mesmo que baseado em regras pré-estabelecidas, sempre haverá o risco da falha ou do favorecimento. Depois, esta a mais complexa ainda, todo ser humano está sujeito a levar em consideração uma série de fatores alheios ao foco específico. É o que os especialistas chamam de visão holística.
Quantos se indignaram com a decisão do juiz que liberou o indivíduo que ejaculou em cima de uma mulher num ônibus na cidade de São Paulo? Alguém defendeu o agressor? Da mesma forma, quantos defenderam o ex-preparador físico do falecido piloto tricampeão de Fórmula Um, Ayrton Senna, acusado de assédio sexual. Nuno Cobra foi preso sob acusação de abusar de uma jovem, mas alguém viu? Ou tudo foi baseado apenas na denúncia da suposta vítima? Depois disso, mais de uma mulher o denunciou pelas mesmas investidas vexatórias.
Se a Justiça deve funcionar de forma única e imparcial, por que o ejaculador, cujo ato foi testemunhado por outros, sequer foi preso como o Nuno? Que critérios os julgadores usaram, em se tratando de constrangimento público semelhante? Será que o suposto passar de mão nas partes indevidas é mais agressivo e vexatório que uma ejaculação pública? Aqui não se trata de defender a vítima, mas de julgar o agressor que praticou o ato libidinoso. Para ser solto, Nuno teve de pagar fiança de R$42 mil, entregar o passaporte e está impedido de deixar o país. Justiça?
Redirecionando para outra atividade, esta mais ao gosto do brasileiro. Quem assistiu ao jogo do Corinthians contra o Vasco, no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro da Série A, viu o lance do gol do Jô. Na repetição, todos veem que a bola entra depois de tocar no antebraço do atacante do Timão. O auxiliar, que estava muito próximo do lance, deve ter visto também. Mas com o gol válido, o Corinthians venceu o jogo e se distanciou ainda mais dos concorrentes na tabela. Neste caso, o torcedor corintiano é imparcial ou o problema é do juiz que não invalidou?
Outro caso interessante sobre a imparcialidade da Justiça, que merece comentários, é a libertação do morador de rua que foi preso nas manifestações de 2013. Aliás, Rafael Braga foi o único preso por causa das passeatas. O crime? Portar frascos de Água Sanitária e Pinho Sol, sob acusação de andar com material usado na fabricação de coquetéis Molotov. E pensar que muitos parlamentares, com denúncias comprovadas no esquema de corrupção, circulam livremente rindo na cara do contribuinte e zombando da Justiça. Ao vermos isso... Entendemos a parcialidade!
Infelizmente, a vida tem mostrado, todos são parciais quando qualquer decisão judicial, mesmo que equivocada, nos convém. Pouco adianta vomitar tanta moralidade se nos momentos que devemos nos comportar com imparcialidade não demonstramos isso. Provavelmente milhões foram favoráveis às decisões nos casos do ejaculador urbano, do preparador físico assediador e do gol ilegal corintiano. Então, a tão cultuada Justiça doa a quem doer, está muito longe de ser a unanimidade enquanto o ser humano colocar o instinto de sobrevivência acima de todas as Leis.


J R Ichihara
18/09/2017

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