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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Voluntariamente ou compulsório?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quando a solução é sair de casa...


Os remanescentes da Ditadura Militar lembram como alguns resistentes ao regime imposto à população tinham que deixar o Brasil a convite da gestão mão de ferro que comandava o país. A maioria era obrigada a deixar tudo para trás simplesmente porque não concordava que o direito individual de questionar ou criticar, construtivamente, significavam desobediência ou desrespeito. Mas o certo era bater continência e responder “sim, senhor”, como habitualmente se faz nos quartéis. Emprego, carreira profissional, futuro, amigos, família... nada disso importava.
Muitos foram obrigados e morar e sobreviver em países que nada tinham a ver com suas histórias e raízes. Mas era pegar ou largar, já que por aqui os dirigentes do país não os queriam atrapalhando o bom andamento da ordem e do progresso. Por isso, apesar de muitos não darem a menor importância a este episódio histórico recente, os relatos dos que, compulsoriamente, emigraram ainda revelam o sentimento de quem é obrigado a deixar o seu país. Dá para imaginar alguém vivendo num lugar com idioma, cultura, tradições, leis e costumes totalmente diferentes?
Alguém sairia voluntariamente do seu país, em busca de melhores perspectivas no futuro, apenas porque está sem opção pessoal? Ou o espírito aventureiro, independentemente da situação socioeconômica, sempre fala mais alto na pessoa que gosta de desafios? Se a escolha é estritamente pessoal, deve prevalecer o direito individual de procurar o melhor para si. Mas se a decisão de deixar o seu país é porque não vê sentido algum em cumprir com todas obrigações e não receber absolutamente nada em contrapartida... Como tirar a razão de quem age assim?
Quem acompanha o que circula nas redes sociais percebe a curiosidade dos brasileiros em saber como vivem os povos em alguns países da Europa, principalmente Portugal. Nos comentários fica muito claro a intenção de muitos arrumarem as malas e partir para lá. A maioria demonstra que já desistiu de construir um Brasil decente, justo e generoso de oportunidades para todos. E a cada denúncia de escândalo envolvendo autoridades e empresas privadas, a vontade de deixar a pátria amada cresce ainda mais. Portanto... Quem ficará para apagar as luzes?
Esta queda vertiginosa no sentimento pátrio revela que o brasileiro não tem fibra para enfrentar os problemas e mudar o que está errado? Que somos de muita conversa e pouca ação quando o momento exige? Ou que reconhecemos a incompetência para administrar nossas riquezas de forma autossustentável? Seja por qual motivo for, o que muitos não entendem é que os países que atingiram um grau de civilidade, acima do nosso, lutaram muito por essa conquista. Nada caiu do céu! Em alguns casos, a violência até substituiu o diálogo quando isso fracassou.
Curiosamente a xenofobia que condenamos no Primeiro Mundo é fartamente aplicada por aqui. Quantos recebem de braços abertos os venezuelanos, os haitianos, os bolivianos e outros que fugiram dos seus países por causa da crise? Por que os nossos pretensos emigrantes acham que serão calorosamente aceitos em Portugal ou nos Estados Unidos? A mídia exibiu o tratamento que os estrangeiros de baixa qualificação recebem no Reino Unido. Por que aplicar os recursos financeiros e conhecimentos pessoais para desenvolver outro país? Devem ter muitos motivos!
Pragmatismo à parte, se desistirmos na construção do país que queremos, ninguém virá realizar essa tarefa gratuitamente. Viajar ao exterior como turista é maravilhoso. Só conhecer o lado bom da vida é ótimo. Mas como emigrante as facilidades serão iguais? Os decididos a viver no exterior, porém, devem ter sentido os efeitos da gota d’água. Se governar um país não é focado na vida das pessoas, mas apenas nos interesses do deus mercado, quem deve lutar por isso? Serão covardes, fracassados ou oportunistas os que veem o aeroporto como única solução?


J R Ichihara
15/09/2017

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