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Antuérpio Pettersen Filho
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GETÚLIO DORNELAS VARGAS : “ERAMOS FELIZES E NÃO SABIAMOS...”
Por: Antuérpio Pettersen Filho

GETÚLIO DORNELAS VARGAS : “ERAMOS FELIZES E NÃO SABIAMOS...”

Por ; Pettersen Filho
Exatamente, em meio a sua maior crise financeira, e política, quando se fala, mais uma vez, em privatizações, Eletrobras, Petrobras, e outras, remetemo-nos a 63 anos atrás, ao dia vinte e quatro de agosto de mil novecentos e cinqüenta e quatro, assim escrito, literalmente e por extenso, como, inclusive, se fazia nos velhos alfarrábios e assentamentos antigos, à “bico-de-pena”, que, tem tamanha importância na História Republicana do Brasil, que, proporcionalmente, muitos historiadores lhe atribuem, como “marco”, valor maior que o próprio advento da Inconfidência Mineira e o final enforcamento de Tiradentes, em 21 de abril de 1791, no Rio de Janeiro, como precursores da soberania nacional.

É que na tal data, aos vinte e quatro dias passados do mês de agosto do ano de mil novecentos e cinqüenta e quatro de Jesus Cristo, morreu “suicidado” o maior homem público que o Brasil já teve: Getúlio Dornelles Vargas.
Fruto de uma História anacrônica, que mistura, no mais das vezes, ficção e realidade, grande parte dela escrita por documentos pró-formes, lavrados pela Chancelaria Oficial, distantes da realidade das ruas, tal qual o “Grito de Independência”, aos sete de setembro de mil oitocentos e vinte e dois, em que, “Filho” rompia com “Pai” (o imperador Pedro I “versus” o rei Dom João VI), dividindo os despojos do Império Português, sem que tal ruptura representasse, necessariamente, sequer, no disparo de um só tiro. A história tupiniquim, no entanto, está repleta de “Gloriosas Mentiras”, desde a tal “Calmaria” enfrentada por Pedro Álvares Cabral, e o suposto “Descobrimento”, tal qual o foi a própria “Proclamação da República”, realizada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, contra o seu amigo, Pedro II, aos quinze dias do mês de novembro de mil oitocentos e oitenta e nove, sem que necessário fosse que desembainhasse da cintura o seu enferrujado sabre.
Assim, ao longo dos anos, desde o Brasil Colônia, vem tendo curso nossa história, sem que nada de realmente novo, relativo às velhas práticas políticas, e a base agrária brasileira, oligárquica, se modificasse no Brasil. Na mudou passado o Império, e pela própria República, até que, em 1930, fruto de uma revolução popular, Getúlio Dornelles Vargas ascendesse ao poder, rompendo com a Política do Café-com-Leite e do Voto de Cabresto, até então praticado na chamada Política dos Governadores: Minas/São Paulo, em que se resumia, na prática, a Federação.
Como um dos seus primeiros atos, diante da “quebra” da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929, cujos reflexos se faziam sentir, Getúlio foi logo ateando fogo nos estoques de café brasileiro, principal lastro das oligarquias da época, objetivando valorizar-lhe o preço, mas, desde logo, indispondo-se, terrivelmente, com os “Barões do Café”, que deflagraram a contra-revolução paulista de 1932, conhecida como “Constitucionalista”, a fim de restaurarem a “velha ordem oligárquica”.
Do embate armado, Getúlio saiu vencedor, nomeando interventores nos estados, mas, ainda assim, promulgando a Constituição Liberal de 1934, o que deu inicio a um dos períodos de maior crescimento econômico, e social do Brasil, cujo projeto primou pelo nacionalismo, retirando o país das estruturas semi-feudais e agrícolas, que possuía, para a efetiva urbanização da sua sociedade e a conseqüente industrialização.
Consta dessa época 1930/45 e 1951/54, a criação do BNDE(S), da CSN – Companhia Siderúrgica Nacional, da Vale do Rio Doce, da Petrobrás, da FNM – Fábrica Nacional de Motores, a abertura de estradas, a Lei de Remessa de Lucros ao Estrangeiro, a CLT – Consolidação da Legislação Trabalhista e os Sindicatos , SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem dos Industriários.
Getúlio Vargas, no entanto, como todo governo reformista, não teve facilidades.
Depois de vencer a Revolução (São Paulo) Constitucionalista de 1932, já em 1935, deparou-se com a Intentona Comunista, projeto no qual se queria implantar o Comunismo no Brasil (o mundo estava, já, profundamente dividido entre o Capitalismo Liberal Americano e o Comunismo Soviético, formando fileiras para confrontarem-se, num futuro muito próximo, com os Estados Nacionalistas da Alemanha e Itália – Nazismo e Fascismo, todos firmemente instalados no Brasil, via Integralismo, influenciando politicamente o Governo).
Diante de tais pressões, vertendo, ora para um lado, ora para outro, mas sempre trazendo vantagens ao Brasil, sem, necessariamente, vincular-se. Mantendo-se eqüidistante, Getúlio, ora fazia concessões ao Nazismo (enviou, num episódio questionável, Olga Belizário, esposa do Comunista Luis Carlos Prestes, à extradição para a Alemanha Nazista, onde foi às câmaras de gás por ser judia e comunista), ora aliava-se aos americanos (conseguiu, de forma inédita, ao simplesmente declarar guerra ao Eixo, em 1941, sem que enviasse um só soldado aos campos europeus, até então. Tropas brasileiras somente desembarcaram na Itália, em finais de 44, quando a guerra já estava, irremediavelmente, decidida, diante das ameaças americanas de ocupar Natal/RN).
Já ao fim de 1937, diante das ameaças de golpe, Getúlio recrudesce, aplicando, em si mesmo, um auto-golpe, a pretexto do Comunismo, instalando no Brasil um “governo de exceção”, o que lhe rendeu na história o título de “Ditador”, mas que lhe permitiu realizar as reformas que retiraram o Brasil do status, muito depois da sua independência, de mera colônia agrícola de monocultura do mundo, diversificando a sua economia.
Com forte intervenção nos sindicatos (Peleguismo), nomeando interventores (bem diferente do Neo-peleguismo de Lula, onde os atuais sindicatos, a UNE – União Nacional dos Estudantes, a CUT – Central Única dos Trabalhadores, o MST – Movimento dos Sem Terra, e outros assemelhados, foram cooptados pelo Governo Federal e vivem às suas custas, via FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador e PRONAF – Fundo de Amparo à Agricultura Familiar), Getúlio governou até 1945, quando uma Junta de Generais, articulada pelos Estados Unidos, desinteressada no Protecionismo/Nacionalismo de Vargas, derrubou Getúlio do poder, abrindo espaço para que nos dominassem as multinacionais.
Assim, depois de breve ausência, no arremedo da nova Constituição Democrática de 1947, Vargas, seria eleito, através do voto, pela primeira vez, Presidente da República, em 1950, voltando a governar pelas “mãos do povo”, a quem ele tanto amara. Mas, ainda assim, diante das jogatinas e armações contra o seu “projeto nacionalista”, exacerbado, por episódio muito menor que os atuais “mensalões” e “Atos Secretos”, no ardil da rua Toneleros, em que um oficial da Aeronáutica foi alvejado a tiros, episódio que foi associado ao Palácio do Catete, sede do Governo Federal, Getúlio foi levado ao “suicídio”, quando teria dito, diante do golpe: “Estou velho demais para ser humilhado”. Sepultando, aos vinte e quatro dias passados do mês de agosto do ano de mil novecentos e cinqüênta e quatro de Jesus Cristo, a sua História, e o próprio sonho do Brasil.
Sem se aperceber, contudo, junto com Getúlio, sucumbiu toda uma nação, deixando para trás um legado, nunca mais igualado por estadista algum, e um país, terrivelmente órfão de ideário político.
Na sua Carta Testamento, escrita no ato do seu captulamento, bem antes que a “Sweet River Valley” e a “Piter-America-Bras-Company”, criadas por Getúlio, se tornassem, apenas, mais um bom investimento na Bolsa de Valores de Nova Iorque, e do inimaginável festival de privatizações, quem transformou o cidadão brasileiro, apenas num índice financeiro, ou numa mera estatística, desprovida de valores nacionais e amor próprio, nas Bolsas Internacionais da Coca-Cola Company e da Microsoft Enterprise, Getúlio Dornelles Vargas teria escrito: “O povo de que fui escravo, não será mais escravo de ninguém. Serenamente, saio da vida para entrar na História.”
Será???
Antuérpio Pettersen Filho, membro da IWA – International Writers and Artists Association, é advogado militante e assessor jurídico da ABDIC – Associação Brasileira de Defesa do Individuo e da Cidadania, que ora escreve na qualidade de editor do periódico eletrônico “Jornal Grito do Cidadã”, sendo a atual crônica sua mera opinião pessoal, não significando necessariamente a posição da Associação, nem do assessor jurídico da ABDIC

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