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Jornalismo
 
HÁ SALVAÇÃO SEM A POLÍTICA?
Por: ODILON DE MATTOS FILHO

Nos períodos de ditadura o Partido Político e os políticos sempre foram vistos como inimigos dos governos e dos governantes.

Hoje, malgrado o golpe político/jurídico/midiático, podemos, ainda, afirmar que vivemos em uma democracia, pelo menos, sob o ponto de vista do funcionamento das instituições. Porém, paradoxalmente, uma grande parcela da sociedade tem agido de forma contrária à democracia.

Já escrevemos que as manifestações de 2013, não obstante aparentarem meros atos democráticos no quais o povo se rebelou contra a corrupção, a verdade é que essas manifestações resultaram no afloramento do ódio, do preconceito e da intolerância e sob o ponto de vista político/governamental, o resultado foi outro desastre: o poder central caiu nas mãos de um governante ilegítimo, corrupto, sem respaldo popular e executor, tão somente, dos projetos e dos interesses de uma minoria da casta nacional, em detrimento aos interesses do povo brasileiro e da nossa Nação.

Hoje, a despeito dessas manifestações e da Operação Lava-jato, sabemos pelas pesquisas de opinião pública que a eleição para presidente da república em 2018 deverá ser vencida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Porém, o maniqueísmo que está tomando conta da sociedade e o sentimento coletivo de rejeição aos políticos pode mudar, por completo, esse panorama.

Não obstante todos os retrocessos pós-manifestações de 2013, há um movimento muito mais perigoso, rasteiro e silencioso que pode ganhar espaço e colocar em cheque a nossa democracia. Ganha força no país, com ajuda da mídia, o discurso da negação da política, ou, o negacionismo, termo que remete a um fenômeno específico que tem lugar após a Segunda Guerra Mundial. E esse discurso já começou a surtir efeito. Vários Prefeitos, valendo-se da insatisfação, da frustração e do desgosto da população com a política, utilizaram esse álibi do “apolítico” para conseguirem seus feitos. É o caso, por exemplo, de Dória em São Paulo e Alexandre Kalil em Belo Horizonte, dois dos maiores colégios eleitorais do Brasil. E somado a isso tivemos, também, nas eleições de 2016 um alto índice de abstenção de votos, com eleitores que votaram branco, nulo ou que simplesmente não compareceram para votar.

Não temos dúvidas de que todos esses fatores corroboram, sobremaneira, para a tese do negacionismo em curso no Brasil, um fenômeno sociológico perigoso e muito próximo do fascismo.

A propósito, o Economista, André Calixtre asseverou: “..O fascismo, no Brasil, assim como em qualquer outro lugar do mundo, nasce do sentimento de negação da política, seja ela tradicional, seja ela a política futura. É a ideia de que a política não serve como instrumento de melhoria das condições sociais e que é preciso substituir esse espaço. Quando se nega esse instrumento da política — a política no grande sentido do termo —, aparece o discurso do fascismo...Esse discurso é muito difícil de ser interpretado, porque ele é, ao mesmo tempo, conservador e progressista, social e individualista, ou seja, é tudo junto porque, na verdade, ele é um sistema de destruição do sistema político, que aparece no momento em que o sistema político democrático se deteriora. Ao mesmo tempo, o fascismo não é um movimento que está fora de nós, o fascismo está à espreita, é uma forma de regime totalitário que avança na deterioração da democracia e não na superação dela...1”
E é dentro deste contexto, que as forças dominantes do país vão agir no ano de 2018. Podemos afirmar, categoricamente, que essas forças, apoiadas pela “mídia nativa”, já estão preparando seus candidatos “apolíticos”, que usarão a Operação Lava-jato como carro-chefe e núcleo deste discurso.

Não temos aqui a pretensão de profetizar, mas, certamente, três fariseus serão apontados pela direita conservadora como os “apolíticos” salvadores da pátria: o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, o Batman brasileiro, o apresentador de TV, Luciano Huck, o bom mocinho ou o ex-treinador da seleção de vôlei do Brasil, Bernadinho, o homem de sucesso e vencedor.

Eis aqui na nossa humilde opinião o quadro que se avizinha para 2108. Resta para nós, esperar que o povo brasileiro tenha memória, sabedoria e amadurecimento político suficiente para não se deixar levar por esse discurso fácil, aparentemente ético, porém, falso e sorrateiro. Não podemos esquecer que o fascismo é exemplo emblemático desse “negacionismo” da política. A história está repleta desses falsos moralistas!


1 Fonte: http://jornalggn.com.br/fora-pauta/o-discurso-fascista-e-a-negacao-da-politica

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