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Jornalismo
 
Bandido, polícia e a morte
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Como acabar com tanta ousadia?


O número de policiais militares assassinados no Rio de Janeiro, somente neste ano, assusta qualquer brasileiro que tenta se esquivar da violência urbana nesta cidade. Noventa e sete! Isso mesmo: NOVENTA E SETE!!! Mas o que deixa a população ainda mais apavorada com esta situação é que a maioria foi executada nos momentos de folga no serviço. Para quem analisa este problema há alguns anos, essa estatística não apresenta nenhuma novidade alarmante. Motivo? Simplesmente porque a Segurança Pública não é prioridade nacional – e nunca será.
Dia desses a mídia, que se especializou em mostrar como a violência tomou conta do país, informou que um projeto de lei, a chamada PL, autoriza que as armas apreendidas dos bandidos – reconhecidamente mais modernas que as da Polícia Militar e do Exército – podem ser usadas pela Segurança Pública. Até que enfim. Por que demorou tanto a se pensar nisso? Inexplicavelmente todas eram destruídas, com imagens exibidas ao vivo, para demonstrar que a repressão ao crime estava atuando com sucesso. Mas na falta de recursos... Por que não?
Como não poderia deixar de acontecer, uma declaração do secretário de Segurança do Rio de Janeiro, o senhor Roberto Sá, de que “as leis são brandas contra o crime”, provocou uma reação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Este rebateu dizendo que o secretário não deveria “ser tão irresponsável por tentar transferir a sua responsabilidade para os outros”. Para quem valoriza discussões que não levam a nada, isso pouco reduz a insegurança, mas a verdade é que a Câmara de Deputados está mais preocupada com as votações em outras Reformas. Portanto...
Quantos contribuintes vítimas da falta de investimentos na Segurança Pública, no seu estado, já se deram ao trabalho de saber como os recursos são distribuídos? Tipo assim: as mordomias do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Certamente é uma montanha de recursos inutilmente aplicada porque o retorno é pífio, desprezível, insatisfatório... revoltante. Não é muito descaramento dizer que gostariam de fazer mais pelo povo, mas, infelizmente, a escassez de recursos os obrigam a cortes que penalizam os usuários dos serviços públicos essenciais?
Por que alguém se importaria com a segurança alheia se não há ameaça alguma contra a sua pessoa? Enquanto milhões de desprotegidos procuram se defender como podem, nossas autoridades, muito bem pagas pelo cidadão comum, contam com todo o aparato que garantem suas integridades físicas, assim como as de seus familiares. Talvez, para elas, com a imensa sensibilidade e a responsabilidade lhes atribuídas por lei, bandido bom e policial bom não são diferentes e merecem ser mortos pelo bem da sociedade. Então... Dá para pensar diferente disso?
Lamentavelmente o chamado crime organizado tomou conta do país. O Rio de Janeiro é mais citado porque as ações espetacularizadas pela mídia dão muita audiência. Só que o critério para medir o índice de violência (o número de homicídios por cem mil habitantes) desbanca a Cidade Maravilhosa do pódio, colocando Altamira (PA), Lauro de Freitas (BA) e Nossa Senhora do Socorro (SE), como os medalhistas nesta competição que comprova a inoperância do Poder Público e a insegurança dos que vivem nessas praças de guerra. O que se produz nesses locais?
Aos poucos a sociedade brasileira percebe que os policiais se tornaram muito vulneráveis diante da criminalidade. Há pouco tempo o narcotráfico evitava matar policial. Isso era considerado muito ruim para os negócios. Mas como tudo um dia muda, parece que essa tarefa passou a ser o teste prático para alguém ser admitido nas atividades ilegais. Se algumas pessoas de bem acreditam que bandido bom é bandido morto, outras, aquelas para quem os fins justificam os meios para a sobrevivência, têm a convicção de que policial bom é policial morto. Alguém duvida?


J R Ichihara
15/08/2017

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