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Jornalismo
 
Riqueza questionável e seletiva
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Faltou a regulamentação da Lei Áurea?


A cada nova denúncia de escândalo na corrupção, envolvendo autoridades públicas e privadas, o cidadão comum, aquele desprovido de qualquer privilégio real, se questiona para que serve a tão falada riqueza natural brasileira que nos orgulhamos de possuir. Será que ainda não saímos do regime de escravidão vigente na época do Brasil-Colônia? Ou a Casa-Grande e a Senzala apenas receberam uma roupagem com aura de modernidade? Caso a princesa Isabel, a que pensou que os escravos estavam livres, assinando a Lei Áurea, voltasse o que acharia disso?
Quem já se livrou da ideia de que somos ricos por natureza? Afinal, dizem os historiadores, desde a chegada dos primeiros colonizadores, na verdade ávidos extrativistas dos recursos naturais, foi dito que aqui “em se plantando tudo dá”. Será que plantaram no DNA dos que nasceriam neste torrão a sina de serem eternamente subdesenvolvidos? Quem sabe ignorantes diante de um mundo em transformação que evoluiu com avanços científicos, tecnológicos e sociais? A bem da verdade, uma minoria se beneficia da riqueza que, teoricamente, seria de todos.
No auge da popularidade do governo petista, o slogan “País rico é um país sem pobreza” ficou conhecido nas propagandas deste partido. Até então todo o apoio popular vinha do sucesso dos programas de inclusão, elogiado até por órgãos internacionais, que incomodava muitos das classes mais abastadas. Seria a rejeição pela ocupação de um espaço considerado de merecimento exclusivo? Ou a tese de que ajudar pobres não traz benefício algum para o desenvolvimento do país? Talvez combater pobreza não seja prioridade nacional. Quem sabe?
Estudiosos do assunto dizem que há dois tipos de pobreza. A social, aquela que impede o cidadão do acesso a qualquer oportunidade de ascensão social como educação, saúde, Justiça e sucesso profissional. Mas a outra, a biológica, é decisiva para a sobrevivência humana porque se trata das necessidades básicas (alimentação e moradia), sem as quais ninguém pode sonhar em alcançar os outros objetivos. Portanto, de nada adianta os melhores sistemas públicos de ensino, saneamento, transporte e saúde se o cidadão não tem o que comer nem onde morar.
Como se sente o sistematicamente excluído quando toma conhecimento que alguém recebe todos os as vantagens para atingir os seus objetivos? Raiva? Impotência? Vontade incontrolável de esganar algum beneficiado? Até onde se sabe nenhum estudo acadêmico sério tem a resposta para isso. Mas quem vê isso acontecer frequentemente, independentemente de ser a vítima, não esconde a indignação. Como ignorar que somos paupérrimos socialmente? Não basta sermos, reconhecidamente, pobres biologicamente? É muito triste viver só de migalhas!
Insistindo nos fundamentos acadêmicos sobre as necessidades humanas, nunca é demais citar que na famosa pirâmide de Maslow, a que especifica as prioridades básicas da vida, caberia um ingênuo questionamento: nossas autoridades levam isso em consideração? De que adianta pensar em algo megalomaníaco num país onde muitos não têm o que comer nem onde morar. Como desacreditar que as etapas dessas necessidades obedecem um escalonamento racional? Isso justifica por que a geração de empregos submete a população à impunidade das empresas?
Lamentável que os bons exemplos conhecidos no mundo não sirvam absolutamente de nada para o nosso país. Alguém desconhece que países muito mais atrasados socialmente e biologicamente que o Brasil, há cinco décadas, já nos ultrapassaram? O pior é que não há nenhum segredo guardado a sete chaves para isso. Mas por aqui, infelizmente, talvez por orgulho pátrio, queremos construir uma Ponte para o Futuro de forma inédita. Enquanto isso, para manter os caprichos e as mordomias da Casa-Grande... Como sempre... Haja sacrifícios extra na Senzala!

J R Ichihara
09/08/2017

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