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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Barcelona, Neymar, PSG e o mimimi
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Onde pobreza atrai investimento?


As manchetes dos principais jornais do mundo estamparam, nos últimos dias, a novela sobre a transferência do jogador brasileiro Neymar do Barcelona, da Espanha, para o Paris Saint Germain, o PSG, da França. Os apaixonados por futebol, assim como os indiferentes à tanta banalidade, emitem as opiniões depois de lerem as notícias que tratam deste assunto. Muitos até esqueceram a votação na Câmara de Deputados que decide a autorização para afastar o presidente Michel Temer, por causa das denúncias de corrupção na gravação de Joesley Batista.
Para o torcedor apaixonado, aquele que coloca o coração acima da razão, o craque brasileiro é um mercenário, um ingrato que cuspirá no prato que comeu, se for para o PSG. Não teve honestidade ao renovar o contrato milionário sabendo que sairia para outro clube. Merece o desprezo da torcida azul-grená por sua atitude e falta de compromisso. Já para os desapegados de paixão futebolística, os que estão pouco ligando para isso, Neymar é apenas um profissional que recebeu uma proposta de trabalho, a seu ver, mais vantajosa. O que há de tão errado nisso?
O fato é que o mundo das fofocas é generoso em especulações. Não precisa o principal envolvido na polêmica se manifestar porque todos se acham com autoridade suficiente para dizer o porquê do silêncio deste atleta. Sair da sombra do Messi, o seu companheiro de clube? Buscar novos desafios, tentando um voo solo? Conquistar o título de melhor jogador de uma temporada europeia, algo impossível sendo o eterno garçom do craque argentino? Do Neymar mesmo ninguém ouviu nada disso. Quem cala consente? Portanto... O futebol é mesmo apaixonante!
Curiosamente, nessas horas, muitos defensores ardorosos do neoliberalismo criticam o astro brasileiro por causa das cifras envolvidas. Afinal, mais de R$ 800 milhões envolvidos no negócio, é muito dinheiro em se tratando de um jogador de futebol. O que isso agrega aos países em questão? Como não se sentir um egoísta enquanto milhões vivem na miséria? À parte o fato deste dinheiro não sair dos cofres públicos, quem está pagando espera ganhar muito mais do que isso. Questiona-se o porquê de não acontecer uma disputa idêntica no meio científico. Interessa?
Qual regra, num mundo extremamente competitivo e materialista, o Neymar estaria violando? O fato do Barcelona servir de vitrine para suas habilidades perante o mundo não o obriga a uma gratidão ilimitada. Ele também não fez a sua parte? Se não correspondesse às expectativas seria mantido no clube? Nessas horas, os adeptos da livre escolha e da valorização profissional norte-americana, viram austeros benfeitores de instituições de caridade – o deus mercado desaparece. Quanta bobagem! Não é o mercado que está supervalorizando o passe do atleta?
Temos o espírito de rico num país assumidamente cheio de pobres, mas quando algum compatriota chega ao patamar que muitos desejam... rapidamente ganha milhões de inimigos! Seria apenas inveja? Ou nessas horas buscamos, na essência individual, a tão valorizada fraternidade e compaixão pelos desassistidos? Se é isso que mantêm os nossos sagrados valores intangíveis no topo do pódio, por que não agimos da mesma forma contra os servidores públicos e os empresários desonestos que se locupletam dos recursos de todos? Que falso moralismo!
Lamentavelmente, qualquer que seja o resultado deste imbróglio Barcelona-Neymar-PSG, a situação socioeconômica de nenhum excluído ao redor da Terra vai mudar um milímetro. O mundo dos negócios está se lixando para a miséria das pessoas, seja em qual parte do planeta esteja localizada. A única centelha de esperança para milhões é que o caso deste jogador servirá de inspiração para muitos garotos que habitam os bolsões de pobreza desprezados pela humanidade. Se um chegou lá, apenas com a habilidade individual, outro também pode conseguir.


J R Ichihara
02/08/2017

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