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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Filme rebobinado... Com outros artistas
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O que esperar desta Câmara de Deputados?


A denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra o presidente Michel Temer, na última segunda-feira, já era esperada. O embasamento é a delação do executivo da JBS, Joesley Batista, onde a conversa gravada dá indícios de corrupção passiva e tentativa de obstrução da Justiça quanto a Operação Lava Jato. Além disso, para desconforto de Temer, o relatório da Polícia Federal não aponta que houve adulterações na gravação, como alegava a defesa do presidente. O cerco se apertou?
Como tudo que depende da atuação contra uma autoridade de alta patente neste país, a atitude de Janot só significa o passo inicial do que pode virar um processo formal contra o atual presidente. A aceitação do STF depende da aprovação da Câmara de Deputados, onde Temer conta com a maioria. Mas em política, com o barco afundando, tudo pode acontecer. No caminho da burocracia há a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e o plenário. Em ambos, seguir adiante, envolve números a favor e contra. Se tudo for aceito, Temer é afastado igual a Dilma.
Mas como dizem alguns parlamentares da ala governista, o país não pode parar porque há muitos assuntos importantes que precisam de decisões. O problema não é apenas de urgência, mas de credibilidade nas pessoas que votam nas tais prioridades. Como aceitar que algo que pode influenciar significativamente na vida futura da população esteja nas mãos de pessoas comprovadamente envolvidas nos escândalos da Lava Jato? Essa desculpa não convence quem quer colocar a corrupção sob controle. Que inventem outra trapaça, mais uma vez, contra o povo.
Quando a Justiça, um dos poderes públicos que mais toma decisões polêmicas, anuncia que o ex-ministro Palocci ficará preso por mais de 12 anos, assim como fará um leilão dos bens do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ganha todo o apoio, a credibilidade e o respeito da sociedade. Mas se os outros, também denunciados por corrupção, inclusive com provas, continuam livres, tudo volta à estaca zero na opinião da população. O juiz Moro nem quis ouvir as coisas muito importantes que Palocci teria para dizer. Isso é querer passar o país a limpo mesmo?
O que a maioria dos brasileiros, realmente, espera da nossa Justiça? Uma atuação imparcial desapegada de tudo que discrimina uma pessoa? Ou que a acessibilidade e o tratamento não estejam atrelados exclusivamente a cada indivíduo, independentemente de quem seja o réu ou o acusador? Para exemplificar, peguemos o caso do incêndio na Boate Kiss, onde morreram cerca de 240 pessoas, há mais de 4 anos. Os familiares dos mortos foram processados, pelo Ministério Público do RS, por calúnia e difamação, mas nenhum culpado foi preso até o momento.
Infelizmente, o nosso dia a dia é farto em notícias desagradáveis. Saiu na mídia que a Polícia Federal (PF) prendeu uma aeronave com mais de 600 kg de cocaína. O caso ganhou notoriedade porque a primeira informação da FAB (Força Aérea Brasileira) foi que o avião decolou de uma fazenda de propriedade da família do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, no Mato Grosso. Depois, o piloto mudou a versão dizendo que saiu da Bolívia com destino a Jussara, em Goiás, mas não passou pela propriedade do ministro. Por que a mudança repentina no caso?
Sem apelar para a bola de cristal, mas relembrando um filme envolvendo a presidência da República, há uma mudança nos atores denunciados. Dilma foi indiscutivelmente afastada, mesmo que não apresentassem uma prova inquestionável de crime contra ela. Temer, pelo que se percebe, sairá desta sem um único arranhão na reputação frente aos parlamentares da Câmara de Deputados, apesar das provas conhecidas por todos no país. Adiantou o Joesley dizer que o atual presidente é o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil? Quem vai julgar também acha?


J R Ichihara
27/06/2017

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