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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Inimigos do rei... Ou ex-amigos?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O poder do fogo amigo!


Diz o ditado popular que é melhor ser amigo do rei que ser o rei. A afirmação se baseia no fato desta relação só tirar proveito das vantagens, mas não ser arrastado para o precipício quando a situação se torna adversa por qualquer circunstância. Por isso é comum ver tanto assédio à pessoa que está no poder, mesmo que temporariamente. Não faltam ofertas de mimos e agrados dignos de satisfazer os caprichos de uma autêntica realeza. No nosso país, apesar do regime oficial não ser a monarquia, é muito comum essa prática entre o público e o privado.
A recente delação do empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo JBS, envolvendo uma conversa altamente comprometedora entre ele e o presidente da República, Michel Temer, exemplifica perfeitamente a tênue linha divisória que delimita os interesses das pessoas. De um lado, o empresário buscando obter vantagens para os seus negócios, oferecendo algo em troca; de outro, o servidor público, responsável pela gestão do cofre que guarda os recursos financeiros do contribuinte, mas com muita suspeita de usá-los para benefício pessoal.
Logicamente que a relação baseada apenas em interesses na manutenção do poder muda radicalmente se um dos lados se sentir injustiçado. Isso está comprovado no caso de Joesley e Temer. O acesso após o horário normal de expediente, a cortesia do jatinho e as facilidades de parte a parte são coisas do passado – agora ambos mostram o lado podre do outro. O empresário disse que o presidente é o chefe da quadrilha; por sua vez, o presidente diz que vai processar o falastrão. Isso pode até ser comparado aos casos de traição que apimentam as novelas na TV.
Mas nada que esteja ruim não possa piorar. O trunfo para se manter no poder, mesmo sentindo os aliados abandonarem o barco, que sinaliza que vai para o fundo, também não foi eficaz. Temer confiava que tinha a maioria no Congresso, onde esperava a aprovação da Reforma Trabalhista. Novamente os ex-amigos viraram inimigos? Como a fidelidade no meio político é volátil! Há bem pouco tempo o discurso era que os interesses do país estavam acima de qualquer coisa. A proposta não passou e com isso o apoio dos empresários balança. Isso foi uma traição?
Os altos e baixos na vida de qualquer pessoa servem como lições aprendidas, dizem os que estudam o assunto. Portanto, é comum o assédio exagerado ou a debandada em massa aos ocupantes de altos cargos na vida pública. Se o exercício do poder ofusca a visão dos deslumbrados, quando acham que tudo podem, a volta à realidade acontece quando falta o chão sob os seus pés e todos os abandonam. Para os especialistas e para quem já sentiu isso na pele, é a situação chamada cruelmente de “solidão do poder”. Quantos tiraram boas lições disso?
Quais ensinamentos desta crise econômica, política, ética e moral a sociedade brasileira vai usar em situações no futuro? Talvez a reforma mais importante para a população seja a de rever os seus conceitos do que significa decência. De que adianta tantas leis e um aparelhamento caríssimo do Estado, se a impunidade continua estimulando e favorecendo o criminoso? O contribuinte precisa deixar de lado a paixão político-partidária e exigir responsabilidade de todo gestor público que lida com recursos financeiros. Quem sabe adotar o cada qual no seu quadrado?
Infelizmente, para os que acham que tudo se resolveria se a privatização fosse ampla, geral e irrestrita, os exemplos não sustentam esta tese. Condenar apenas os corruptos passivos dos Três Poderes e deixar os corruptos ativos das empresas privadas é de uma parcialidade sem tamanho. A utopia de acabar com a corrupção também deve ser revista. Onde houver dinheiro a cobiça humana falará mais alto. O problema do nosso país é que os níveis extrapolaram, em muito, a tolerância e a aceitação dos que pagam as contas e nada recebem em contrapartida. Então...


J R Ichihara
21/06/2017

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