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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Hoje sou o você de ontem?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

As voltas que o mundo dá


O recente julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer, pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) encerra mais um capítulo de uma longa pendenga que começou logo após a derrota do senador Aécio Neves, nas eleições presidenciais de 2014. Depois de muita água rolar por baixo da ponte, curiosamente, as posições se inverteram radicalmente. A situação da época, hoje oposição, com o impeachment da presidenta, assim como o presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, mudaram da água para o vinho. Portanto... vai entender as reviravoltas no mundo político.
Como entender a mudança de comportamento de Gilmar Mendes? Em agosto de 2015 foi ele quem pediu a reabertura do processo de cassação da chapa no TSE. Não escondia de ninguém que era a favor da cassação. Bom lembrar que nesta época Dilma sofria muitas pressões do STF e Temer já demonstrava insatisfações como vice. Além disso, a amizade entre Mendes e Temer nunca foi segredo de estado. Por que o giro de 180 graus agora? Somente desvincular os recursos usados na chapa era insuficiente? Ou as delações da JBS mudaram a estratégia?
Por outro lado, os opositores de hoje, mas aliados de ontem, aqueles que não queriam a cassação da chapa antes do impeachment de Dilma, também mudaram de comportamento. Qual o motivo agora? Seria apenas para tirar o Temer do poder? Se Gilmar Mendes merece questionamento por causa da mudança de posição, os petistas e aliados não podem se sentir isentos de explicações perante a opinião pública. O julgamento não diz respeito às revelações gravadas pelos donos da JBS, mas estritamente ao abuso de poder econômico alegado por Aécio.
Diz-se que o meio político é cheio de meandros onde poucos sabem se movimentar. O momento atual no Brasil é um bom exemplo disso. Quem queria cassar a chapa, há dois anos, se posicionou ao contrário. Talvez o próprio Aécio, o autor do pedido de cassação da chapa junto ao TSE, não queira mais que isso aconteça. Por outro lado, os contra a cassação, no mesmo período, agora querem fervorosamente que isso aconteça. Como deve se comportar a Justiça diante de uma situação dessas? Gostem ou não, mas imparcial, baseada nas provas juntadas no processo.
Indiscutível que o ministro Gilmar Mendes e o presidente Temer não gozam da simpatia e da credibilidade de parte da população. O primeiro porque não assume a imparcialidade que muitos entendem que seria necessário, sendo uma pessoa que julga processos da alta cúpula do poder. O segundo, pelas gravações da JBS que jogaram sua reputação na lama. A maioria não aceita que ele continue no cargo depois que a imagem do homem da mala, com R$ 500 mil, esteja ligada à sua pessoa. Lamentavelmente afastá-los do poder não é tão fácil como muitos gostariam.
Mas o resultado esperado por todos, devido a clara posição do ministro Gilmar Mendes, tem de ser respeitado pela sociedade? Votaram a favor da cassação da chapa Dilma-Temer os ministros Herman Benjamin, o relator, Luiz Fux e Rosa Weber. Os contra a cassação foram Admar Gonzaga, Napoleão Maia e Tarcísio Neto. Por causa do empate, o desempate, o chamado voto Minerva, caberia ao presidente do TSE, Gilmar Mendes, que votou contra a cassação. Decisão judicial alguma agrada a todos porque não tem como atender os diversos interesses. Paciência!
Este desfecho deu uma sobrevida ao governo Temer que está com a popularidade no fundo do poço e vê os aliados desembarcarem a cada nova denúncia de escândalos. Ele já se recusou a responder as perguntas encaminhadas pela Policia Federal, sobre as gravações da delação dos donos da JBS. Será que entendeu que esta absolvição no TSE significa um certificado inquestionável de Ficha Limpa? Este processo mostrou que a Justiça que muitos querem nunca funcionará porque é voltada para atender interesses circunstanciais. Ou não foi isso o que vimos?


J R Ichihara
12/06/2017

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