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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Pegos na mentira?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O outro nome da inverdade


A situação desconfortável do presidente Temer, por causa da gravação da conversa com os irmãos Batista, do grupo JBS, só se agrava à medida que os fatos vêm à tona. Desnecessariamente, sabe-se lá o porquê, o assunto sobre a utilização do jatinho particular dos irmãos foi negado e depois admitido. Sabia? Não sabia? Se foi na época que ele ainda era o vice-presidente, pouco importa. O fato é que ele utilizou este meio de transporte, inclusive com pós-agradecimentos à Joesley pelo buquê de flores enviado para Marcela, esposa do presidente.
O que incomoda a população, que não tem nada a ver com as amizades pessoais do presidente da República, é a necessidade de mentir sobre isso. No frigir dos ovos fica inexplicável negar e posteriormente admitir que sabia que a aeronave pertencia ao grupo JBS. Mais ainda, a família utilizou o jatinho duas vezes. Uma no trecho São Paulo-Comandatuba (BA), outra para Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Qual o interesse em atender um vice-presidente colocando à disposição, gratuitamente, um serviço desses? Se não havia proximidade... Por que este mimo?
Mas um assunto que não sai dos noticiários é o julgamento da cassação da chapa Dilma-Temer, referente às eleições presidenciais de 2014. Para quem não lembra isso foi uma ação do senador afastado Aécio Neves, que foi derrotado por Dilma, logo após o resultado do segundo turno. A alegação foi que a chapa vencedora usou o poder tirar vantagem econômica na disputa. Nas gravações, porém, entre o senador e o Joesley, o motivo era só para “encher o saco do PT”. O fato é que o presidente do TSE já sinalizou que não votará pela cassação da chapa. Surpresa?
Por causa do deslize do presidente Temer, quanto a utilização do jatinho do grupo JBS, surgiram vários comentários sobre a gravidade de uma mentira. Como não podia deixar de acontecer, até os episódios bíblicos ganham relevância nesses momentos. Daí que alguns, parodiando a célebre frase de Jesus Cristo, quando populares queriam apedrejar Madalena, desafiou quem nunca pecou atirar a primeira pedra. Logo após todos saírem cabisbaixos, a pecadora foi aconselhada a não pecar mais. Isso pode ser aplicado a uma mentira presidencial?
Falar a verdade parece não fazer parte da vida pública. Nos Estados Unidos, onde muita coisa é tolerada, menos a mentira de uma autoridade, o país está às voltas com o mesmo tipo de problema. A troca de acusações entre o presidente Trump e o ex-diretor do FBI ganhou as manchetes mundiais. Fala-se até na possibilidade de impeachment do presidente. Mas o que levaria uma pessoa investida da maior autoridade de um país a mentir publicamente? Como fica a sua imagem depois que a verdade vem à tona? O cargo obriga alguém a agir desta forma?
Infelizmente se a intenção do senador Aécio Neves era só encher o saco do PT, as consequências ganharam proporções preocupantes. O próprio autor da ação se vê às voltas com grandes somas usadas na sua campanha contra a chapa Dilma-Temer. Além disso, foi afastado do cargo e tem explicações a dar para a Justiça. Talvez ele não pensou com racionalidade sobre o que estava fazendo – quem sabe iludido pelo sucesso momentâneo das eleições? Mas o corporativismo dos parlamentares é forte e alguns querem que ele seja perdoado e reassuma.
Diz-se que todo mundo mente, em maior ou menor grau. Em certas ocasiões, justificam alguns, a mentira é um mal necessário. Mas será que a mentira injustificada de uma autoridade do alto escalão é aceitável? Qual é a diferença entre negar firmemente e dizer que não sabia? A maioria acredita que na gestão dos recursos públicos, assim como na condução dos processos jurídicos, a mentira não pode ser admitida, principalmente se houver prejuízo para a sociedade. Torna-se questionável a credibilidade de alguém importante depois de ser pego em uma mentira.


J R Ichihara
09/06/2017

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