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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Comemoração precipitada
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Será que bateu o desespero?


Que efeito teria o anúncio de 1% no crescimento do nosso PIB no primeiro trimestre desse ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior? De otimismo, claro. No meio de tanta notícia ruim, isso soa como música aos ouvidos da população. Primeiro porque crescimento está diretamente ligado a oportunidades de emprego, hoje com um déficit que beira os 14 milhões de desempregados, o que representa cerca de 13,6% da população economicamente ativa. Depois porque, apesar dos cortes nos investimentos públicos por 20 anos, uma frágil luz se acendeu.
A decepção, porém, é que a boa notícia, talvez uma tentativa do governo Temer melhorar a impopularidade, aponta como única responsável por isso o setor de agronegócio. Na indústria e nos serviços, as atividades que empregam mais pessoas, não houve crescimento algum. No segmento de óleo e gás, onde se situavam as obras da Petrobras, dificilmente haverá uma retomada igual aos anos anteriores sob a gestão petista. O motivo disso é muito simples: venda de ativos e desaceleração na exploração do pré-sal. O crescimento, sem dúvida, é bem pontual.
Mas o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mostrou-se bastante otimista nas declarações através da mídia. Para ele o caminho é longo, mas a direção está correta, apoiando a afirmação do presidente Temer que a recessão acabou. As informações do IBGE e do COFECON (Conselho Federal de Economia) são mais cautelosas e até pessimistas. Rebeca Palis, gerente de contas do IBGE, disse que o crescimento não foi uniforme e que é cedo para falar em saída da recessão. Para Júlio Miragaya, presidente do COFECON, o PIB apenas parou de piorar.
Dentre outras entidades que analisam a situação econômica do país, como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a euforia é contida porque o objetivo não é dividendo político nas divulgações e opiniões, mas puramente técnico. Neste espaço amostral entram não apenas as exportações, mas também o consumo interno das famílias. Ora, com o desemprego em alta não tem como acontecer um aumento no consumo de bens e serviços. Portanto, mais uma vez, o exagerado otimismo do presidente e do ministro da Fazenda está muito aquém da realidade.
Ouve-se incansavelmente que a economia é uma ciência inexata. Para o leigo, como a maioria da população, isso não faz o menor sentido. Ele apenas sente o efeito da crise econômica. Daí que pouco adianta ler e tentar entender as complicadas teorias de Adam Smith, John Maynard Keynes, da escola clássica, assim como o Thomas Piketty, o centro das atenções deste século, que pouco resolverá a sua situação se não houver crescimento. Do resultado de tantas variáveis surgem, mundialmente, as crises e os momentos de bonança na História da Humanidade. Então...
O problema é que da incompreensão e da falta de domínio desses conhecimentos é que a desigualdade social aumenta cada vez mais. Portanto, deve haver uma explicação científica para que os ricos se tornem mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Se o combate deve ser na causa do problema... este deve ser, primeiramente, descoberto e analisado para ser eliminado. Mas se o mundo sempre vai privilegiar quem tem mais competência para ganhar dinheiro e adquirir poder... a forma de reduzir o abismo entre as classes precisa de outra abordagem. Como fazer?
Infelizmente, para quem depende apenas das ações governamentais, sair do atoleiro não tem data certa para acontecer. Mas será que somente reclamar, denunciar e se indignar resolve? Há outra alternativa para o cidadão que depende de emprego e crédito para consumir produtos e serviços? Pessimismo à parte, mas a dose de ânimo comemorada por Temer e Meirelles conseguiu injetar esperança na população? Ou só haverá uma verdadeira comemoração quando o povo souber como o dinheiro arrecadado é aplicado pela gestão pública neste país? Até lá...


J R Ichihara
03/06/2017

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