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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Mãe como apelo comercial
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O importante é vender cada vez mais


Afirma-se no Brasil que o Dia das Mães só perde para o Natal em volume de vendas no comércio. Talvez por isso esta data tão importante para as pessoas virou apenas um índice comparativo informando percentual de crescimento ou queda para os lojistas. Serve mais para avaliar o comportamento dos filhos com relação ao ano anterior do que mostrar as manifestações de amor e carinho. É um tal de sua mãe merece o melhor, como também os descontos e as facilidades na aquisição para os bolsos mais apertados. Na verdade, isso joga mãe contra filho.
Certamente que um almoço em família, desde que não sobrecarregue a mãe, é mais do que bem-vindo neste dia. A vida moderna tem oferecido muitas opções para isso. Dos enormes restaurantes, que podem abrigar muitas pessoas, aos serviços de entrega sob encomenda dos pratos pedidos, as facilidades são generosas, desde que se tenha como bancar isso. Afinal, um dia especial não poderia passar em branco. Por outro lado, mais uma vez, esta data se transforma em números, como o mundo neoliberal quer, para avaliar o desempenho da atividade comercial.
Da forma como a economia é vista nada ameaça mais a humanidade que o compra e vende no dia a dia. Tudo se resume ao resultado disso. Como demonstração de amor e carinho são intangíveis, algo que não dá para mensurar quantitativamente, nenhuma dedicação escrita ou falada para as mães, por mais elogiosa ou verdadeira que seja, entra na conta do interesse comercial. Isso, como recuperação da crise econômica que o mundo vive, tem contribuição zero para a redução do desemprego no país e no mundo. Dia das Mães sem presentes não existe!
Esta comemoração surgiu da ideia de reunir mães norte-americanas para promover a paz, por volta de 1872. Os registros falam que antes da guerra civil naquele país a mulher de um pastor evangélico organizou trabalhos no campo para melhorar as condições de saúde pública e sanitária na Virginia do Oeste. Quando aconteceu a guerra esta organização socorria os soldados atingidos de ambos os lados. Após a morte, em maio de 1905, a sua filha resolveu homenagear o trabalho dela, sendo escolhido o segundo domingo deste mês. Depois o dia tornou-se público e oficial.
Vê-se que as mudanças na forma de comemorar este dia foram brutais. Quem ouve alguém falar o porquê desta data? Certamente todo meio de comunicação só tem apelo comercial lembrando que ninguém deve esquecer de comprar o presente da sua mãe. No mínimo proporcionar um momento de lazer inesquecível. Não basta apenas ser o filho carinhoso, dedicado e atencioso ano após ano. Há uma obrigação moral de comparecer com um presente, de preferência alguma coisa surpreendente - muitas mães já se convenceram disso no planeta.
Portanto, a grande inspiradora para a comemoração de uma data universal, cujos registros nem citam o seu nome, jamais exigiu presentes nesta homenagem. Não fosse a filha, Anna Jarvis, sugerir uma lembrança festiva em sua memória, reunindo com as amigas, o mundo nem estaria sabendo como surgiu esta tradição. Quando a data ultrapassou as fronteiras dos Estados Unidos, ganhando dimensão mundial, a ideia era que as crianças homenageassem as mães e fortalecer os laços familiares através do respeito aos pais. Receber presentes não fazia parte do ritual.
O consumismo ocidental se apossou desta data para aumentar o faturamento nas vendas de produtos e serviços. Algum mal nisso? Nenhum desde que na comemoração não seja compulsório a compra de um presente para todo filho que ainda tem mãe viva. Mas será que o fortalecimento dos laços familiares só é reconhecido através de presentes? O mundo dos negócios se esforça para todos acreditarem que o caminho é este. Por isso, todas as tradições como Natal, Ano-Novo, Dia dos Pais, Dia da Criança e o Dia das Mães viraram apenas comércio. Não é isso?


J R Ichihara
15/05/2017

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