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Jornalismo
 
Mãe: a quintessência do amor
Por: Marlene A. Torrigo

Estando muito atarefada na última semana, flagrei-me pensando que não tivera tempo de elaborar um texto em reverência às mães. Ontem, sábado, busquei por algum tema brando, porém desisti. De madrugada, insone, resolvi assistir um filme. Nesse momento me veio a mente algumas imagens de um dos filmes mais tristes da história do cinema sobre mães. Eu encontrara o tema. Assim sendo, as três da madruga, lá estava Marlene na penumbra, rascunhando como seria o texto que escreveria ao alvorecer. A caminhada matinal ficaria para o entardecer, afinal, escrever requer tempo, necessidade de separar os seixos da minúscula pedra preciosa.

Sobre o filme que me levou a escrever esse texto é A Escolha de Sofia, que deu a Meryl Streep o Oscar de melhor atriz. Baseado em fatos reais contados pela própria Sofia a um aspirante a escritor, o enredo narra a decisão atroz de uma mãe, uma polonesa que foi acusada de comunista, presa e levada junto com seus filhos, uma menina e uma menino, para Auschwitz durante o desenrolar da Segunda Guerra Mundial. Um sádico oficial nazista pede que Sofia escolha uma das crianças para execução, ou ele executará as duas. Sofia, sem tempo preciso de absorver o comando do oficial prestes a mandar executar as duas crianças, pede que levem a menina. Realmente, é uma das cenas mais impactante da história do Holocausto. O livro, A Escolha de Sofia, publicado em 1979, teve três milhões de exemplares vendidos à sua publicação, figurando por mais de um ano na lista de best-sellers. É parte de uma história, entre inúmeras dos mais bárbaros crimes de todos os tempos, orquestrada pelo Holocausto de Hitler.

Temos também as Mães de Maio, mães que ainda hoje se reúnem toda quinta-feira na Praça de Maio, em Buenos Aires, exigindo notícias dos filhos desaparecidos durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983). Também, pais argentinos considerados subversivos tiveram seu filhos confiscados. Quando do termino do período ditatorial, algumas crianças estavam sob guarda de famílias de militares. No Brasil tivemos muitos filhos desaparecidos durante a ditadura (1964-1985). Uma das personagens mais conhecidas desse período é a mineira Zuzu Angel, uma mulher obstinada em saber do paradeiro do seu filho, Stuart Edgar Angel Jones. Zuzu, que morreu sem encontrar seu filho, usou toda sua influência de estrela da moda para lutar pelos desaparecidos na ditadura. Segundo testemunhas do cativeiro de Stuart, ele foi torturado barbaramente, morto e seu corpo jogado ao mar. Muitas das pessoas presas durante o regime militar no Brasil, eram jovens estudantes, meninos e meninas ainda, seviciados e torturados barbaramente nos porões da ditadura. Sim... E tem gente que defende o retorno dessa barbárie toda.

Eu, que tenho um filho portador de esquizofrenia, sei muito dos corações tristes de mães de filhos desaparecidos. Numa das fugas do meu filho eu levei cinco meses para encontrá-lo. A dor é excruciante, aterradora. Conheço sim, pessoalmente, mães que sofrem por filhos desparecidos. Estará vivo? Morto? E se estiver passando fome, frio, sofrendo barbáries?... São essas as perguntas que elas fazem. Eu tive uma montanha de sorte em encontrar o meu filho das vezes que ele desapareceu, sorte que muitas mães não tem, que morrem procurando seus filhos sem jamais encontrá-los, carentes de paz emocional.

Sabemos que em tempos de reconhecimento pelo DNA, a esperança cresce nos corações maternos e paternos. Pai sofre tanto quanto mãe com o desaparecimento de um filho. Sabemos de casos de sequestros famosos de crianças e adolescentes no Brasil que jamais foram solucionados. São histórias tristes, dolorosas demais para que sejam contadas num tema brando. Será às mães de filhos desaparecidos - seja por criminalidade, sequestro, doenças psíquicas, vontade própria de se afastarem dos pais por conflitos familiares -, será a elas que eu hoje dedico um FELIZ DIA DAS MÃES. Que seus corações jamais percam a esperança, que não desistam de encontrar os seus bebês, mesmo que encontrem apenas restos mortais, para poder proporcionar-lhes um enterro simbólico. Saber enfim, que de fato estão mortos para que não sofram mais com incertezas. Que Deus lhas ajudem!


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