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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Viralizou nas redes sociais
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Não se trata de uma luta de boxe


Desde o último dia 10/05/17 não se falou em outra coisa que não fosse o depoimento do ex-presidente Lula como réu na Operação Lava Jato, em Curitiba, onde a outra figura de destaque é o juiz Sergio Moro. Agora todas as medidas preventivas, quanto a segurança física das pessoas, que contava com a presença de um forte esquema apoiado por tanques de guerra, atiradores de elite e isolamento de áreas próximas ao local do evento, perderam a importância. Será que havia a necessidade de tanta precaução? O resumo final são apenas as palavras registradas!
Com certeza a decepção foi muito grande para quem esperava provas bombásticas contra a pessoa que alguns consideram o símbolo do maior escândalo envolvendo a corrupção na história do país. Seria a oportunidade do responsável pela operação desmascarar de vez quem tem causado tanto prejuízo à sociedade. Reduzir a pó o grande embusteiro mentiroso que vem enganando a população há algum tempo. Alguém viu isso tudo de maneira convincente? Restou alguma dúvida de que Lula comandava toda a roubalheira nas obras da Petrobras? Tudo claro?
A ansiedade popular para saber quem está faltando com a verdade vai esperar um pouco mais. Qualquer audiência na Justiça, seja de que natureza for, restringe-se à pauta que consta na convocação de quem vai responder. Portanto, se alguém esperava que Lula já saísse algemado mediante o que o juiz Moro apresentasse, isso está fora de cogitação. O réu apenas responde o que for perguntado, as partes (acusação e defesa) intervêm quando necessário e permitido, e depois o juiz dá a sentença baseado nos fatos apresentados. Grosso modo é isso que acontece.
Portanto, a expectativa criada em torno deste depoimento extrapolou a importância que ele tinha. Lógico que os favoráveis à condenação de Lula acharam que ele se contradisse várias vezes, que suas expressões corporais revelaram inúmeros pontos negativos e tudo mais. Por outro lado, quem defende a inocência de Lula, comemorou o desempenho do ex-presidente achando que ele deu um banho no juiz Sergio Moro. Reforçou isso afirmando que a mídia golpista pouco falou da atuação incipiente do juiz, citando até dos documentos rasurados e sem assinaturas.
Os defensores de Lula se manifestaram através das redes sociais, no que chamam atualmente de viralização, já que a mídia tradicional, no entendimento dessas pessoas, sinaliza há muito tempo que quer a condenação deste réu. Aí, neste espaço livre de cortes e censura dos grupos de interesse radicais, manifestam todas opiniões permitidas. Para eles não teve para ninguém e Lula reduziu a estatura do juiz Sergio Moro, não importando o que pensam os que têm convicção do envolvimento dele no esquema de corrupção. Mas... haverá surpresas na sentença?
Logicamente que uma audiência com esses personagens, apesar do exagero na importância que a mídia deu ao caso, não seria uma troca de amabilidades e rasgação de seda. Afinal, todo o pós-evento servirá para aumentar ou diminuir a popularidade de ambos. Daí o telespectador observar que alguns momentos fugiram ao cerne da questão em julgamento. Para quem é imparcial, ambos cometeram excessos. Mas será que Lula teria outra oportunidade de desabafar tudo que vem sofrendo com os ataques à sua pessoa pela mídia? Ele não é humano?
Quem atua na área jurídica sabe como funciona o comportamento humano nos processos democráticos. Dificilmente alguém aceita a derrota passivamente sem recorrer das decisões. Isso é o que diferencia uma democracia de um regime totalitário – o processo só encerra quando não houver mais recurso legal. No caso em questão, o juiz garantiu ao réu que a sentença será dada com base nos fatos apurados pelas declarações deste, ou seja, o espetáculo midiático terá zero de influência na decisão judicial. Nada de luvas de boxe nas mãos, mas caneta e consciência!


J R Ichihara
12/05/2017

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