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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Privatização do país
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Será que todo dono é generoso?


Desde o final dos mandatos do PSDB, com a gestão de Fernando Henrique Cardoso, o FHC, a sociedade brasileira não ouvia tanto que a solução para o desenvolvimento do país é a privatização. Se na época o objetivo era tirar do governo toda a cadeia produtiva como mineração e infraestrutura (estradas, portos, aeroportos, energia elétrica e telecomunicação), agora os insatisfeitos com as gestões petistas querem privatizar os serviços essenciais como educação, previdência e saúde. A justificativa, como sempre, é o fim da corrupção e o ganho na qualidade.
Um tema tão polêmico não poderia deixar de ter as suas divergências. Os favoráveis ao país totalmente privado, citam os Estados Unidos como exemplo das vantagens da livre iniciativa, com a intervenção mínima do Estado na vida das pessoas. Reforçam que isso é tão positivo que atrai milhares de brasileiros para tentar a vida naquele país. Argumentam, ainda, que por não ter leis trabalhistas tão engessadoras, o mercado de trabalho é generoso em oferta de vagas. Mas será que isso é a realidade quando se trata de emprego decente? Ou só vale para subemprego?
Não importa a situação política e econômica no Brasil, mas as prioridades por aqui sempre foram educação e saúde. Para decepção dos que acham que o Tio Sam é exemplo nessas atividades públicas, este país fica bem atrás da China, da Noruega, da Finlândia e da Coreia do Sul, onde a educação básica é pública e de qualidade incontestável. Além disso, os Estados Unidos não ficam muito acima desses países no que diz respeito ao atendimento gratuito da saúde dos seus cidadãos. Portanto, os argumentos de que todo serviço público é ruim não é universal.
Quem vive pensando nas excelentes oportunidades que os imigrantes encontram nos países desenvolvidos, mas não as acham por aqui, precisam repensar sobre as suas convicções. Nos momentos de crise as dificuldades aumentam, assim como as oportunidades também. Se não houvesse nada disso por aqui, como explicar que muitos chegaram aqui sem nada e hoje têm um patrimônio considerável construído ao longo dos anos. Ah, mas a burocracia é enorme e atrapalha. Isso ninguém nega, mas como alguns venceram, apesar desses entraves? Esses são os desafios!
Mas o grande empecilho, segundo a maioria, é porque o governo se intromete em tudo. Pode até ser isso, mas alguém já imaginou se tudo fosse privado e o Poder Público não pudesse interferir na atuação das empresas para evitar abusos. Não haveria cartel por aqui? A solução seria deixar de adquirir o produto? E se for água e energia elétrica, itens indispensáveis no dia a dia das pessoas? Por que todos reclamam quando há um aumento nos preços dos combustíveis? E das passagens nos transportes coletivos? Então, o mundo privado também tem lá seus contras.
Beira a incompreensão por que algumas pessoas querem que tudo neste país seja privado. Já imaginaram como seria a vida do cidadão? Ruas, praças, escolas, policiamento, hospitais, praias... Tudo particular até onde a vista alcançar. Para quem seria bom uma situação dessas? Como o assalariado de menor poder aquisitivo viveria? Alguém que conhece a gula dos empresários, por lucros cada vez maiores, pode fazer a simulação do custo financeiro de uma família que depende de emprego e salário? Nem tudo é cor de rosa quando se trata de serviços.
O brasileiro de baixa renda ainda não aprendeu que a solução do problema do mau atendimento não é só por causa do serviço ser público. As empresas privadas conseguiram incutir isso na mente de todos, aproveitando para convencer que tudo muda da água para o vinho quando o negócio tem um dono. Como se o que é público não tivesse dono. O erro é exatamente esse! Se o usuário não exigir, denunciar e mostrar insatisfação, sendo o dono do recurso, qual é o interesse do empresário do setor privado tentar melhorar isso? Que tal ver a coisa de outra forma?


J R Ichihara
06/05/2017

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