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Jornalismo
 
SAMARCO CONTINUA ATERRORIZANDO
Por: Afonso e Silva

Devido às coincidências e ao contraste acerca de duas notícias que recebi da mesma fonte, do escritor, acadêmico, cantor e poeta Tolentino e Silva e que tratam do mesmo tema, senti quase na obrigação de fazer um pequeno comentário.

A primeira notícia está no número 28 da Revista SUINDARA, periódico publicado pela Academia Valadarense de Letras, e assim que vi fui envolvido por um sentimento indizível acompanhado de uma alegria incontida fruto da linda pintura estampada na capa. Tentei, mas não consegui identificar o porquê, mas as paisagens fizeram-me recordar a cidade que nasci. Saí do ar e me fiz incorporar à pintura. Subi no carro de boi e, seguindo as margens do Rio Corrente, ao som das músicas cantadas pelas rodas, cheguei em Virginópolis. Não queria voltar, mas virei a página e li a belíssima poesia que a escritora Maria Bernadete de Almeida Brito fez da obra da artista plástica Elizabeth Pereira. Foi a partir daí que descobri o motivo de tanta emoção. Sei que com minha visão míope jamais conseguiria identificar a área, mas com o olhar de Bernadete viajei no tempo. Mesmo morando noutra cidade consegui até sentir algumas sensações narradas e antes experimentadas da região do Rio Doce que me fizeram remoçar. Foi um sentimento maravilhoso. Vi o frescor do ar do Pico do Ibituruna misturando-se ao calor do centro comercial. Dancei com borboletas e libélulas na beira do rio. Foi uma sensação inenarrável na companhia de Deus que deixou tudo perfeito para usufruirmos.

A segunda, foi uma notícia muito triste provocada pela ação irresponsável do homem e principalmente pelos empresários das granes mineradoras preocupados exclusivamente com a obtenção de lucros exorbitantes, independente dos meios aplicados para conseguirem seus objetivos. Não importa quantas famílias serão destruídas, quantas pessoas morrerão soterradas. Quantas ficarão intoxicadas, envenenadas... Não importa. Menos ainda entra em conta a vida dos animais que dependem da água. O lucro justifica qualquer coisa.

A nota do Tolentino e Silva que transcrevo integralmente como recebida começa assim: “O jornal O Tempo, de hoje, página 23, traz uma matéria, resultado de uma pesquisa da UFRJ. Pelo resultado do estudo feito ao longo do Rio Doce, foram identificados metais pesados em pontos afetados pelo CRIME que cometeram contra toda a população. Vou transcrever só um pedacinho da reportagem. Leiam, pois a coisa é mais séria do que estamos achando: "Eles analisaram a presença de metais pesados na água em 48 amostras coletadas de três regiões diferentes da bacia do Rio Doce: Belo Oriente, GOVERNADOR VALADARES e Colatina (ES). As amostras foram recolhidas em poços, em pontos do rio e na ÁGUA TRATADA FORNECIDA PELA PREFEITURA ou pela Samarco." "A contaminação por metais pesados pode ter consequências futuras graves para as populações do entorno, que necessitam de suporte e apoio -pós-desastre", diz Fabiana Alves, do Greenpeace."

Sobre as duas notícias um pequeno comentário para reflexão: o tempo decorrido entre o quadro pintado pela artista na capa, poetizado pela escritora e a emancipação do Município de Figueira do Rio Doce ocorrida em 1937, - segundo artigo da escritora Ruth Soares, SUINDARA, pg, - é de apenas 79 anos e de 71 anos do nascimento da CARDO-Companhia Açucareira Rio Doce, primeira grande indústria de Valadares, conforme texto publicado pelo escritor Tolentino e Silva no mesmo periódico, pg. 34/5 intitulado “C.A.R.D.O., um gigante adormecido” que trata de sua inauguração em 1946. É muito pouco tempo para tamanha destruição e, pelo andar da carruagem, se nada fizermos agora, o que deixaremos para os nosso nossos filhos e netos?

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