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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Inconfidência mineira como reflexão
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Seria o motivo da desconfiança do mineiro?


Hoje se comemora o feriado de Tiradentes, o Joaquim Jose da Silva Xavier, que foi o único condenado por causa do movimento que demonstrava insatisfação contra os impostos abusivos que a Coroa Portuguesa impunha ao Brasil, a Inconfidência Mineira. Tinha este apelido porque entre outras atribuições – tropeiro, mascate e Alferes do Regimento de Cavalaria Regular – exercia a profissão de dentista. Como nasceu e vivia em Minas Gerais, região onde a principal atividade era a extração de ouro, via de perto a tirania que Portugal praticava sobre a população local.
Para mostrar o que acontecia com quem se insubordinasse contra as decisões da Coroa, ele foi enforcado, teve o corpo esquartejado e as partes expostas no caminho entre o Rio de Janeiro e Minas. Mas a pergunta que sempre volta às páginas da História não deve ficar sem resposta. Por que só ele foi morto? O movimento era feito por pessoas de várias classes, entre elas militares, religiosos e escritores que queriam libertar o Brasil do domínio português e transforma-lo numa República. Sabe-se que o motivo é muito simples: sua baixa condição social!
Infelizmente, para quem não gosta de discriminação perante a Justiça, o herói nacional foi vítima da prática que sempre funcionou neste país. Na época, ao todo, onze pessoas foram condenadas à morte, mas apenas Tiradentes foi enforcado e esquartejado. O sonho de ver as ideias iluministas libertarem o Brasil, como fez com a Revolução Francesa e Independência dos Estados Unidos da América acabou no cadafalso, na tarde do sábado de 1792. Fala-se ainda que foi traído pelo delator Joaquim Silvério dos Reis, em troca do perdão de suas dívidas com a Coroa.
Que lições o povo brasileiro pode tirar deste acontecimento histórico? Vê-se que nem todos têm um comportamento digno quando se trata de lutar pelo bem comum. Quantos arriscam o pescoço por uma causa nobre? Pode-se confiar nas pessoas num grupo onde os interesses particulares são divergentes? Se os registros históricos são confiáveis e verdadeiros, Tiradentes foi o que se chama atualmente de bode expiatório. Os demais trataram de salvar a pele quando a coisa ficou preta... trataram de negociar a pena de forma a fugir da forca. Hombridade é isso?
Aos que gostam de comparações de épocas antigas com as atuais, vemos muita semelhança com o que acontece por aqui. Condenação severa ainda permanece, na maioria dos casos, apenas para os de condição social inferior. Pena de morte, apesar de não ser legalizada, também só atinge com mais frequência os que têm menor poder aquisitivo ou pertencem a classe social mais baixa. Então, as práticas jurídicas no nosso solo pátrio, conservam os valores dos tempos da Colônia. Lamentavelmente, para as vítimas, ninguém mais vira herói por morrer assim.
O mundo evoluiu socialmente, apesar das inúmeras injustiças que vemos nos quatro cantos do planeta. Então soaria estranho ver um enforcamento nos dias atuais? Qual a reação da humanidade diante de um esquartejamento seguido de uma exposição pública das partes? Afinal, depois de tantas guerras sangrentas as pessoas aprenderam que nem todo sofrimento é necessário para se manter a ordem. Mas é isso que se vê através das imagens mostradas na mídia? Lembrando que Tiradentes apenas se manifestava contra os abusos tributários. Portanto...
Costuma-se falar que tudo de ruim e catastrófico que acontece deve ser assimilado como lição aprendida. Será que somente pensar assim, sem adotar uma postura que lute para evitar repetições desagradáveis, vai trazer segurança para as pessoas. Como duvidar que a forma de julgar e punir, como fizeram com Tiradentes, continua latente na mentalidade de uma sociedade que elege a exclusão social como solução para os problemas? A decepção coletiva pode ser imensurável se não mudarmos a forma de julgar e condenar quem tenta realizar um sonho.


J R Ichihara
21/04/2017

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