A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco | CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Jornalismo
 
Honesto, como querem, sobrevive no capitalismo selvagem?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Num mundo onde só os fortes sobrevivem...


Alguém, em sã consciência, esperava delações muito diferentes das que fizeram os executivos da empreiteira Odebrecht? Para decepção dos que queriam colocar toda responsabilidade pela corrupção nos ombros do PT, o ex-presidente Emílio, pai do Marcelo que está preso desde o ano passado, disse que a doação ilegal é praticada há 30 anos. Ou seja, desde que os presidentes da República passaram a ser eleitos por voto popular, com o fim da Ditadura Militar. Indo além, é bom observar que as grandes empreiteiras cresceram nos Anos de Chumbo.
O que precisa ser internalizado no contribuinte brasileiro é o desapego aos partidos políticos para se combater a pouca vergonha que se instalou no país. Parar de defender acusado somente porque votou nele ou na legenda que ele representa. Corrupção não tem sigla partidária! Basta ver os nomes da lista que o ministro relator da Lava Jato no STF, Edson Fachin, encaminhou para a Procuradoria Geral da República (PGR) investigar – a relação é multipartidária. Isso só envolvendo a Odebrecht. Quando ouvir as demais empreiteiras, outros partidos podem aparecer.
Quem se pauta pela conduta sem mácula no serviço público tem de reconhecer que o Emilio Odebrecht é um corruptor, mas não pode negar que a afirmação dele está corretíssima. Então a honestidade que todo brasileiro quer não é possível na relação público-privada, quando se trata de obras públicas? Pelo sim, pelo não, quem falou foi o dono da maior empreiteira do país. Alguém duvida que muitos parlamentares atuavam para atender aos interesses da Odebrecht? Portanto, cabe a pergunta para os fãs da iniciativa privada arrojada: isso é o melhor para todos?
Para quem gosta de números, o total “doado” no período de nove anos é de arrepiar. Foram 3,37 bilhões de dólares, o equivalente a mais de 10 bilhões de reais. Se fosse uma instituição de caridade distribuindo recursos até que não seria ruim, mas era dinheiro de propina. Com que finalidade? Lançar como prejuízo no balanço financeiro? A regra do jogo, no mundo capitalista, é esta? Este é o único caminho para se tornar competitiva e sustentável? Se o que a Odebrecht adotou é o modelo de uma gestão eficiente... A iniciativa privada valoriza a corrupção.
Logicamente que as atividades comercial e administrativa questionáveis – havia até um Departamento da Propina – não nos obriga a desmerecer o acervo técnico desta empresa. Certamente muitos colaboradores da área operacional, os executores das obras complexas, não se envolviam nas maracutaias da alta cúpula. São profissionais dedicados, corretos, honestos e cumpridores de suas obrigações com quem lhes pagavam os salários. Pena que por causa das manobras incorretas dos diretores são colocados, injustamente, no mesmo barco dos chefões.
No outro lado, o dos corruptos passivos, ocorre a mesma situação. Quantas pessoas honestas e incorruptíveis são exoneradas do cargo porque não entram no esquema? Daí que é uma injustiça generalizar todo funcionário público como corrupto, preguiçoso e outros adjetivos depreciativos usuais. Então, para deixar a corrupção, o mal que todos desejam combater, no nível que permita aumentar a confiança nas repartições públicas quando contratam serviços de empresas privadas, devemos esquecer a que partido político o denunciado pertence. Por que não?
Fala-se que a Democracia é o pior regime de se conviver. À parte as opiniões de quem clama pela volta da Ditadura Militar, o que a população tem de entender é que o momento pode ser de desânimo, pelas quantias desviadas, mas os Três Poderes serão obrigados a dar respostas à sociedade quanto às denúncias. Talvez muitos culpados sejam inocentados, assim como inocentes serão condenados, mas é um inédito divisor de águas neste país. Se a Justiça atuar com a imparcialidade que se espera, pode ser o embrião da transparência que todos queremos.


J R Ichihara
18/04/2017

Comente este texto

 

Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: TDaM (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.