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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Tarja preta e seus desdobramentos
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Os protegidos não podem se defender sozinhos?


Que o comportamento da Operação Lava Jato não é uma unanimidade entre os que querem Justiça ampla e irrestrita todos sabem. Desde que teve início, há exatos três anos, os petistas, então no governo federal, reclamavam que o único objetivo das investigações era enlamear o PT e desmistificar a figura do ex-presidente Lula. Claro que há exageros de parte a parte, mas o desenrolar do caso e os vazamentos contribuem para reforçar quem acredita nisso. Por que só os da base aliada petista estão presos, se outros partidos também foram denunciados?
Os sobreviventes da Ditadura Militar lembram perfeitamente como funcionava a censura sobre a imprensa escrita na época. Só ia ao conhecimento púbico o que o regime entendia que não causaria problema de credibilidade na gestão Linha Dura. Em outras palavras, a população só sabia o que os militares decidiam que soubessem. Por isso, em sinal de protesto, o jornal O Pasquim, um tabloide que insistia em criticar o sistema, publicou uma edição completamente preta.
Trazendo os absurdos a valores presentes, já que todos pensavam que aquele impedimento com a imprensa estivesse erradicado, o direito de saber o que se passa voltou a ser cuidadosamente selecionado. Nas publicações sobre as delações da Odebrecht, tudo que se referia ao nome do senador Aécio Neves, o presidente do PSDB, ganhou uma tarja preta. Como entender isso? Será que as leis brasileiras são insuficientes para julgá-lo? Ou o seu histórico sobre ética, moral, transparência e honestidade o isentam dessa basteirada toda? Quem sabe?
Após desgastantes três anos de investigações, a Lava Jato, como em toda operação de repercussão nacional e internacional, já produziu as estrelas e ídolos para a sociedade. Quem apoia totalmente a forma como o processo está sendo conduzido se baseia no resultado até o momento. São 198 prisões, entre políticos, lobistas, operadores financeiros e executivos de empreiteiras, sendo 6 em flagrante, 91 preventivas e 101 temporárias. Além disso, tramitam 83 pedidos de inquérito no STF para investigar políticos envolvidos em esquema de corrupção. Mas...
Para responder aos que focam nos valores desviados, a Lava Jato divulgou que recuperou R$10,1 bilhões, através do Ministério Público Federal (MPF), referentes a multas, indenizações e dinheiro mantido no exterior. À parte o questionamento e a insatisfação sobre o que esta quadrilha surrupiou, o contribuinte precisa ter paciência porque, a despeito da indignação, em raríssimos casos, os condenados anteriormente devolveram algum centavo. Precisamos reconhecer os avanços desta operação, mas o espaço amostral deve ser ampliado para incluir todos os partidos.
Uma forma de dialogar com a sociedade é a realização de entrevistas ao vivo com direito a interatividade do contribuinte interessado em saber o que está acontecendo. Lógico que em alguns casos é muito importante manter o sigilo, mas se há vazamentos, como a população ficou sabendo através da mídia, os órgãos responsáveis deveriam ser os primeiros a esclarecer publicamente e não se recolher aos pedestais, como estamos acostumados a ver. Nem tanto à Terra, nem tanto ao mar, mas a pior situação nesta operação é o que permanecer sob tarja preta.
Infelizmente, para quem quer o rigor necessário no combate à corrupção, a transparência da Lava Jato permite dúvidas sobre o objetivo final. Quando o procurador da República, Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, respondeu a um ouvinte que as investigações priorizam o PT, mesmo que haja denúncias contra o PSDB, porque esta Operação tem como foco a gestão petista e sua base aliada... Um vácuo se abre! Foram as palavras dele num programa da Band News, ao vivo, sob o comando do jornalista Ricardo Boechat. Isso não parece seletividade?


J R Ichihara
19/03/2017


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