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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Nossa carne, além de fraca, ainda é podre
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

E pensar que churrasquinho de gato era perigoso!


A população brasileira tomou um susto com a notícia veiculada sobre as investigações nas empresas que fornecem carne para o consumo humano no país. Numa operação batizada de Carne Fraca, agentes da Polícia Federal constataram irregularidades quanto ao vencimento, assim como uso de substâncias cancerígenas, para disfarçar o estado de putrefação nos produtos oferecidos nas redes de supermercados. Que irresponsabilidade! Suspeita-se que a fiscalização fazia vista grossa em troca de propina, que tinha como destino os caixas dois do PMDB e do PP.
Os envolvidos são as empresas JBS e BRF, conhecidas doadoras nas campanhas políticas, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e os partidos políticos que se beneficiavam do esquema. Exames detectaram que algumas amostras continham materiais estranhos, provavelmente com a intenção de aumentar o peso, sem qualquer valor nutricional. Soube-se que muitos produtos impróprios para o consumo foram destinados à merenda escolar. Os criminosos pensaram no que isso poderia causar nos alunos? Qual penalidade eles merecem?
Um balanço da situação do cidadão brasileiro é de deixar qualquer um extremamente preocupado. Educação entregue às traças. Saúde abaixo da linha do inadmissível. Justiça norteada pela política partidária. Segurança à mercê do crime organizado. Este caso da carne podre só reforça a desconfiança de que nem toda empresa privada é séria e comprometida com a legalidade. Há alguns anos, em outra investigação, ficou comprovado que alguns fornecedores de leite Longa Vida acrescentavam formol, soda caustica e água oxigenada nos produtos.
Quando surgiu uma denúncia que estavam vendendo carne de cavalo no lugar da bovina na Europa, em fevereiro de 2013, a população brasileira certamente ficou com um pé atrás, por causa da idoneidade dos fornecedores locais. Agora, com este escândalo nacional, a fiscalização europeia, provavelmente, irá aumentar o rigor nas inspeções das carnes importadas do Brasil. E olhe que não havia indícios de vencimento do prazo de validade nem de incremento de outras matérias estranhas. Para quem depende de exportações para equilibrar contas, isso é péssimo.
Sem a intenção de causar maiores alardes, mas com a consciência de que estamos sob risco de saúde, a mídia informou que as ações descobriram os atos criminosos em sete estados. À parte o nosso país ser de dimensões continentais, a maior parcela do abastecimento do mercado interno é feita pelas duas empresas desmascaradas. Entre as redes de distribuição estão marcas conhecidas como Friboi, Sadia, Perdigão, Seara e Swift, ou seja, todas as grandes que atuam neste ramo de negócios. Isso é eficiência numa gestão? Ou é apenas um crime horroroso?
Mas nada que esteja ruim não possa piorar. No desenrolar do caso, para um grande desconforto do atual governo federal, veio à baila o nome do ministro da Justiça, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), sinalizando algum envolvimento com o líder da organização criminosa, Daniel Gonçalves Filho, a quem chamava de “grande chefe” quando este era o Superintendente do Ministério da Agricultura do Paraná, entre 2007 e 2016. Se isso não vem ao caso, ele continuará intocável no cargo até o presidente da República decidir. Que saia justa!
Costuma-se dizer que nada é pior para uma empresa do que um forte arranhão na sua imagem. A Friboi e a Seara, para consolidar e transmitir credibilidade, usavam os astros globais Toni Ramos e Fátima Bernardes nos seus comerciais. Nestes ficava patente que o consumidor podia comprar os produtos sem receio porque a origem e todo o processo de produção e comercialização estavam acima de qualquer suspeita. Será que eles se sentiram traídos? Isso seria o caso de propaganda enganosa? Coisa feia! O churrasquinho de gato é mais confiável?


J R Ichihara
18/03/2017

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