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Jornalismo
 
Lavanderia estaria usando o TSE?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Cerco providencial na impunidade


Provocou um alvoroço no meio político em Brasília a decisão do STF examinar as contas de campanha do senador Valdir Raupp (PMDB-RO) sobre as doações feitas pela empreiteira Queiroz Galvão, no valor de R$ 500 mil, em 2010. Claro que o acusado, agora considerado réu no processo, alegou que tudo foi realizado dentro da legalidade e aprovado pelo TRE. Mas no entendimento do STF, o fato de uma doação ter a aparência de legalidade não exime que a origem do dinheiro seja proveniente de um esquema de corrupção, desvio ou fraude. Como discordar?
Não precisa desenhar para todos o que o STF está procurando esclarecer. Mecanismos para esquentar dinheiro de propina e outras origens, a operação conhecida como lavagem, existem e são de conhecimento da sociedade brasileira. O que problema é provar, como sempre. Portanto, o que alguns parlamentares alegaram que tal medida coloca sob suspeita toda e qualquer doação “legal” de empresas é temeroso para o processo eleitoral. Como assim? Qual é o inocente que acredita que as eleições de 2014 foram irrigadas com R$5 bilhões por idealismo?
A medida desagradou profundamente os políticos que receberam doações nas últimas eleições, mas não foram eles mesmo que declararam, no voto a favor do afastamento da ex-presidenta Dilma, que isso é para acabar com a corrupção no país? Qual é o problema agora em ir fundo no tsunami de dinheiro que inundou as tesourarias das diversas legendas nas campanhas? Por que temer (sem trocadilho) uma investigação? O objetivo da Operação Lava Jato, salvo os vazamentos seletivos, não é separar o joio do trigo? Portanto... esclarecimentos já!
Um comportamento que deveria mudar no brasileiro é a satisfação com a simples prisão de condenado por corrupção. Isso é o bastante para acabar com este mal? Ou a pena também deveria reparar os danos aos cofres públicos? De que adianta estampar, como se isso fosse o verdadeiro exemplo de atuação da Justiça, que o ex-governador Sergio Cabral possui R$ 300 milhões em contas na Suíça? Tal fato, se não for acompanhado de uma devolução integral para o Tesouro Nacional, só aumenta a indignação e estimula a ousadia por causa da impunidade.
Mostrar que já atingimos o amadurecimento político e social do país precisa de fatos concretos e mensuráveis. Ninguém aguenta mais tanta denúncia e pouca ação. Passou da hora de considerar que todos devem obediência às leis, independentemente de sexo, cor raça, opção político-partidária e grau de escolaridade. Chega de prender só o pobre coitado que depende da Defensoria Pública! Enquanto o tratamento não for igual para todos, respeitando as restrições previstas em Lei, a população continuará com a percepção de que a nossa Justiça é cara e inútil.
Recentemente o assunto que esquentou os noticiários e as redes sociais foi a necessidade de acabar com o “Foro Privilegiado”. Basta prestar atenção na posição de cada parlamentar para ver que o instrumento legal para assegurar uma atuação independente, sem retaliações, está longe do que a maioria entende como exercício da função. Então, tirar da vida do brasileiro este abuso contra os princípios morais e os bons costumes, virou a tábua de salvação contra a impunidade. Os beneficiados, claro, estão preocupadíssimos com esta ameaça no horizonte.
O contribuinte tem poucos motivos para elogiar e aumentar a credibilidade no STF, mas quando isso acontece não podemos deixar de reconhecer a assertividade. Mesmo que a mídia dê mais atenção a alguns membros desta instância máxima da Justiça, a população deve exigir, pressionar e questionar, através do meio legal disponível, sempre que uma decisão contrarie os interesses da sociedade. Usar o TSE para legalizar dinheiro de origem ilegal é querer subestimar a inteligência das pessoas. Que o STF seja o obstáculo dessa turma que desconhece limites.


J R Ichihara
10/03/2017

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