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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Pré-aquecimento carnavalesco
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

É hora de vestir outra fantasia?


Depois de tanto desgaste com as ocorrências, o brasileiro volta os olhos para uma das maiores paixões nacionais, o carnaval. Afinal, um pouco de alegria e descontração não faz mal a ninguém. O batuque desta vez será diferente das panelas nas sacadas dos apartamentos de luxo. A manifestação será na rua, mas nada de confrontos entre ideias divergentes, policiais, holofotes da mídia partidária. Os problemas gerados pelas crises política, de moral e ética que esperem ganhar atenção depois da quarta-feira de cinzas. Inspiração para fantasia é que não vai faltar.
O indicado pelo presidente Michel Temer para o STF, Alexandre Moraes, o rejeitado por quem gosta de transparência, foi aprovado pelo Senado? Tudo bem! O ministro das Relações Exteriores, Jose Serra, senador do PSDB-SP, pediu demissão do cargo e foi prontamente aceito pelo chefe? Isso não muda nada, agora. Surgem notícias de que o patrimônio da filha dele aumentou assustadoramente nos últimos anos? Tudo isso será visto no momento oportuno! Enfim, é carnaval e nada disso é motivo para desviar o foco do maior espetáculo da Terra. Portanto...
Mas esta festa tão popular no Brasil também oferece a oportunidade para a manifestação dos indignados mostrar a cara. Daí as marchinhas ironizando as atitudes e o comportamento de quem deveria dar bom exemplo, mas não o faz, a situação do desempregado, os abusos das autoridades... o que não tem repercussão pelos meios considerados legais. Talvez por isso o carnaval seja a festa mais democrática do país. Ninguém é obrigado a participar, muito menos ser punido por isso. Brinca quem quer. Não importa se o país vai bem ou mal – o tempero é a alegria!
Lógico que muitos criticam esses momentos, considerados de pura alienação diante dos escândalos que estão acontecendo, alegando que o fato de expressar alegria e descontração transmite a ideia de indiferença com as coisas erradas que precisam ser consertadas. Mas será que apenas isso desvaloriza todo o restante de desgaste na luta contra as injustiças que se praticam diuturnamente contra o contribuinte? Pelo que e vê o balde da paciência e da tolerância da população já transbordou há muito tempo. O que mais poderia ser feito para mostrar isso?
Entremeando os escândalos e a expectativa de muita alegria que o carnaval pode trazer, os brincantes inveterados estão com a cabeça em outros assuntos. A mídia falou no Blackout, a 38ª fase da Operação Lava Jato, a que mira nos operadores financeiros do PMDB, o partido do presidente em exercício Michel Temer? E daí? É apenas mais um que vai assistir a folia atrás das grades, apenas isso. Mas o assunto é sério porque pode atingir o atual presidente que, segundo as delações da Odebrecht foi beneficiado pelo esquema, provocando uma instabilidade. Verdade?
O fato é que a maioria já está no clima de festa. Por que se preocupar agora com o que se arrasta há séculos sem solução? Injustiça, discriminação, exclusão social e outras miçangas mais existem desde que as primeiras caravelas aqui aportaram. Os endereços da Casa-Grande e da Senzala são os mesmos e, pelo andar da carruagem, jamais mudarão de lugar. Provavelmente aquele conhecido ditado nos momentos cruciais, onde a impotência toma conta de qualquer ser humano, o usual “relaxa e goza” voltará a ter o seu lugar de destaque no cenário pátrio. Então...
Comete um enorme equívoco, porém, quem pensa que tudo é festa. Dedicar alguns minutos de alegria e desprendimento não significa abrir mão dos questionamentos. Quem aguenta futricar continuamente, vinte quatro horas por dia, contra os abuso e desmandos, além das injustiças, que os ocupantes da Casa-Grande apresentam nas suas ações? Os momentos de descontração não podem deixar o nível de insatisfação chegar ao volume morto. Que os amantes do carnaval brinquem à vontade e retornem com energia redobrada para cobrar das autoridades.


J R Ichihara
23/02/2017

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