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Jornalismo
 
Insatisfação no serviço público e suas consequências
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Seria pela desigualdade gritante entre alguns servidores?


As recentes paralisações das Polícias Militares no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, que aos poucos voltam às ruas, mostraram o que alguns serviços públicos essenciais, como educação, saúde e segurança, podem trazer consequências desastrosas à população. As dezenas de mortes, saques e depredações exibidas na mídia apenas confirmam o que todos sabem que acontece sem policiamento nas cidades brasileiras. Isso serve de alerta para quem acredita que a honestidade é inerente ao ser humano. Para se respeitar os bens alheios precisa de um policial?
Quando isso ocorre as autoridades tentam apagar o incêndio quando as labaredas já ganharam intensidade que fogem ao controle. Mas o estopim, o que realmente levou uma faísca a atingir proporções incontroláveis, tem motivos que não foram levados em conta pelo Poder Público. Atraso no recebimento de salários, péssimas condições de trabalho, desvalorização profissional e outros mais. Sem contar que chega ao conhecimento público que alguns servidores do Legislativo e do Judiciário ganham altas somas, pagas religiosamente em dia, sem correr risco.
Historicamente se acredita que o servidor público é mal remunerado, portanto a baixa qualidade oferecida à sociedade devia-se a isso. Ainda acontece em algumas atividades como a de professor e outras profissões liberais, mas dizer que auditores fiscais em geral, juízes, promotores, vereadores, deputados, senadores e procuradores ganham mal é uma afronta, um desrespeito com as outras categorias. Que risco de vida esses servidores são submetidos no exercício da função, comparados com os policiais? Não está mais do que na hora de rever isso?
Culturalmente temos o hábito de estipular o salário de um profissional pela graduação acadêmica do ocupante. Esta crença é reforçada porque acreditamos que somente a educação formal torna alguém merecedor de uma remuneração justa. Mas será que isso se aplica a tudo na vida? Por que um bombeiro, que arrisca sua vida diariamente, tem de ganhar pouco? Um salva-vidas precisa ser altamente graduado para realizar o seu trabalho? Ambos têm de receber uma insignificância somente porque não possuem curso superior? Quantos fazem jus ao que ganham?
Os episódios por causa dessas paralisações dos policiais militares, como sempre, geraram manifestações de apoio, assim como de críticas. Não poderia ser diferente disso. Provavelmente a solução não deve se encontrar em nenhuma das posições radicais. Punição aos grevistas, com possível exoneração da corporação? Talvez não seja eficaz! Ceder às reivindicações da categoria? Pode ser inexequível devido a contenção de gastos público. Mas se as autoridades se derem ao trabalho de analisar a insatisfação, corretamente, acham uma solução.
Quando a diretora do FMI, Christine Lagarde, disse ao nosso ministro da Fazenda Henrique Meirelles, no encontro de Davos, dia 18 de janeiro deste ano, que ele deveria focar a solução na desigualdade e não na contenção de gastos essenciais, ela estava mais do que certa. Isso salta a olhos vistos em todos os segmentos públicos no Brasil. É um problema mundial, mas aqui é muito mais sentido pela população desfavorecida. A disparidade entre alguns servidores e outros é inaceitável. Por que isso só tende a aumentar? Não dá mais para aceitar passivamente!
Logicamente o bem remunerado dirá que algumas funções são de categorias inferiores, portanto recebem o salário correspondente. Pode até estar certo, mas alguém sente desconforto quando os lixeiros entram em greve? Ou os condutores do transporte público resolvem parar? Qual a repercussão da falta de atendimento nos postos de saúde públicos? Como ficam as escolas sem os professores? Certamente usar isso como forma de chantagear a gestão pública é errado, mas que outro meio esses manifestantes têm para serem ouvidos? Apenas reivindicar? Então...


J R Ichihara
11/02/2017

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