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A casa dos grandes pensadores

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Autores Prata da Casa (listagem)

Infantil
 
ELE MENTE QUE NEM SENTE - TEATRO
Por: Gabriella Slovick


Ele mente que nem sente
Adaptação: Gabriella Slovick


Personagens:

Gepeto - o velho carpinteiro

Pinóquio - O boneco de madeira

Fada azul - ser espiritual do Ar que ajuda gepeto e pinóquio

Grilo falante - amigo de Pinóquio

Otavinho - o menino da escola





Cenário :
Casa de Gepeto


Cena 1

Casa de Gepeto, penumbra.

Vários pedaços de madeira/ martelo/serrinha/mesa/ cadeira/pregos/ pincel/ tinta guache. Um boneco está colocado na cadeira. Uma luz se acende e Gepeto entra ajeitando os óculos. Apressa-se em olhar o boneco. Ajeita uma coisa ali outra aqui, mas de repente fica triste.

Gepeto - Sou um velho... Sinto-me tão solitário (olha o boneco) Você vai me fazer companhia. Criei você para não me sentir tão só.

Cena 2
Entra a Fadinha Azul com sua varinha, mas Gepeto não pode vê-la. Ela o observa, escuta e mostra-se emocionada com a cena.


Gepeto (falando com o boneco) - Sabe? A gente quando fica velho vai sendo esquecido; já não serve pra nada. Muitos pensam assim. Ficamos de lado porque o mundo precisa de velocidade e quando a gente fica velho, fica mais lento, mais silencioso por que a gente fica lembrando de quando era jovem e corria e pulada e dançava e as pernas não doíam tanto( sorri levemente). Ai ai! A gente já não sofre, só fica mais triste e com mais tempo. Tempo para observar por que antes quando era mais jovem, também viveria nessa velocidade. E o tempo foi passando, veloz também e agora eu, mais lento, tenho mais tempo, um tempo também lento, para olhar o céu, as flores, pôr - do -sol. Agora tenho você para tomar conta (sorri). Deixe - me ver... você precisa de um nome e eu vou chamá-lo de... De... Pinóquio! ( ajeita o boneco bem sentadinho na cadeira) Agora, fique bem aí porque velho dorme cedo, pra acordar cedo porque não tem mais tanto tempo. Boa noite, meu filho.
(sai e tudo volta a ficar na penumbra. Agora, a luz azul da linda fala ilumina todo o lugar).

Fada Azul - Pobre velhinho solitário. Não tem família, não tem ninguém. Pobres humanos que buscam toda a vida por alguém ,na verdade, sempre estiveram sozinhos e não se deram conta. ( aproxima-se de Pinóquio) Que belo boneco de madeira, como é talentoso o velho carpinteiro gepeto(pensa) Hum... vejamos o que posso fazer para ajudá-lo. Ah já sei! ( levanta a varinha/várias luzes piscam) Com o poder que a mim foi concedido por conhecer a natureza de todas as coisas do Ar, te dou o dom de andar e falar!

Pinóquio começa a se mexer com dificuldade, pisco os olhos e sorri ao olhar a fada azul

Pinóquio - Olá...(alegre) Eu falei! Eu falei !

Fada azul - Shiiii... silêncio ! vai acordar o seu pai.

Pinóquio - Sim, meu pai Gepeto!

Fada azul -Escute bem. Agora você vai precisar ser obediente, estudar e não fazer travessuras coisas ruins podem acontecer se não for bom e também para não quebrar o encantamento você nunca pode mentir, ouviu bem ?

Pinóquio - Sou encantado! Eu sou encantado?

Fada azul - shiii.... Silencio. A vida é um encantamento e é preciso ter cuidado para que ela seja vigorosa e feliz. Existem tantas coisas maravilhosas, e é correto sempre escolher as melhores por que as melhores nos tornam melhor e proporciona às outras pessoas um mundo cheio de luz e paz (sorri/ acaricia o rosto de pinóquio)

Adeus! Estarei por perto, sempre... Adeus. Adeus... (a luz sobre ela vai baixando até se apagar)

Pinóquio começa a dançar e sem querer esbarra em várias coisas. Fica assustado.

Cena 3

Entra o grilo falante

Grilo - ei! você ! Pare de fazer barulho, Eu quero dormir.

Pinóquio- Han ? Quem é ?

Grilo - aqui seu bobo, aqui embaixo.

Pinóquio-(olha e sorri) - você é pequeno.

Grilo- E você é de madeira, e daí ?

Pinóquio (olha-se) - É verdade

Grilo - Como se chama?

Pinóquio - Pinóquio! Meu pai me deu este nome.

Grilo - Ah! Sim. O velho Gepeto. Hoje não se dorme nesta casa... Que movimento.

Pinóquio - A fadinha azul acaba de ir embora

Grilo- ah sim, conheço ela.

Pinóquio -Agora sou um menino.

Grilo - não, você não é um menino.

Pinóquio -Não?

Grilo - Você é um menino só que de madeira.

Pinóquio - Ah ...

Grilo - Mas isso não faz mal, quer ser meu amigo ?

Pinóquio - Quero, quero sim!

Grilo - shii.! Você faz barulho mesmo né? Vamos dormir! Vamos!


Cena 4

É dia.
Gepeto entra o pronto para o trabalho. Pinóquio lhe sorri, levanta da cadeira e abre os braços.

Gepeto -Céus o que aconteceu?

Pinóquio - Sou seu filho! Nunca mais vai ficar sozinho!

Gepeto (emocionado)- Que alegria.

música

Se abraçam.
Gepeto - Meu filhinho! E você fala! (dançam / brincam)

Pinóquio - Paizinho, eu quero que conheça o meu amigo!

Gepeto - amigo?

Pinóquio (grita/ gepeto tapa os ouvidos) - Grilo falante! grilo falante



Cena 5

Entra o grilo falante.

Grilo - que gritaria é essa?

Pinóquio - Este é meu amigo!

Gepeto- Ó! Sim! Muito prazer... Já o vi por aí.... Cantarolando à noite... Me acordando.


Grilo- Ah...(toce/disfarça) claro...

Sorriem

Gepeto - Muito bem pinóquio. Agora temos que ir fazer sua matrícula na escola. Você precisa estudar para ser doutor e ser inteligente.

Pinóquio (pula) - Escola ? Sim, escola! Adoro escola! (cai )

Gepeto ( ajuda) - Calma, precisa ter cuidado. Você é muito frágil;

Grilo- Você é de madeira.

Pinóquio (fica meio triste) - sou de madeira, é...

Gepeto - meu filho amado, isso sim. Agora vou até a escola.(sai)

Grilo - Porque ficou triste ?

Pinóquio - Sou todo desastrado e mole.

Grilo - Que besteira! Lembre-se sempre das palavras da fada azul. A vida é um encantamento.

Pinóquio -A vida... Eu ainda não entendo direito

Grilo - vai entender, vivendo.

Sorriem.

Pinóquio - vamos brincar ?

Grilo - ora esse garoto, sou um sujeito sério, não vê ?

Pinóquio
E pequeno (sorri).

Grilo - Sim, pequeno. Mas sou muito útil, ouviu?

Pinóquio - você é útil?

Grilo - Sim, importante.

Pinóquio (sorrindo)Útil e importante.

Cena 6

Entra Gepeto com um caderno e uma lancheira.

Gepeto - Prontinho, você já pode ir pra escola.

Pinóquio
Oba! (coloca a lancheira no ombro e segura o caderno) - Então eu já vou... Até logo!

Grilo e gepeto - até logo! Até logo




Cena 7

Pinóquio vai caminhando pela estradinha quando encontra um menino que também ia para a escola

Menino (começa a rir ao ver pinóquio) - Ei você é esquisito!

Pinóquio - falou comigo?

Menino - É você é de madeira! Que engraçado

Pinóquio -Porque sou engraçado?

Menino - Você é de madeira, engraçado e burro!(cai na gargalhada )

Pinóquio (aborrecido) - Eu não sou burro ! sou um sujeito sério e importante!

Menino - sério e importante ? Ninguém merece! ( cai na gargalhada)

Pinóquio -Pois eu sou rico também, meu pai vai comprar uma bicicleta pra mim e um trem elétrico bem caro.

Menino - rico? Tá bom.

Pinóquio -E eu sou muito forte e melhor que você (chuta a canela do menino)

Menino - Ai! e você é maluco também

Pinóquio - Eu vou é pra escola.

Menino - Se você é rico, importante, para quê vai pra escola (aproxima-se) não vai não seu otário, vamos jogar bola. Você não quer ser meu amigo ?

Pinóquio - É ? jogar bola ? Ser seu amigo ?

Menino -É Olha meu nome é Bruno( sorri pelas costas de pinóquio ) E o teu ?

Pinóquio - O meu é Pinóquio, filho de um sujeito muito rico.

Menino -Muito bem pinóquio! Filho de um sujeito muito rico! (debocha sem pinóquio ver) vamos jogar bola!

Pinóquio (larga o caderno e a lancheira e sai com o menino)

Cena 8

Casa de Gepeto
Pinóquio entra,sujo arrastando a lancheira, com o caderno amassado e seu nariz estava maior.

Grilo - Pinóquio ! Já chegou da escola ? Mas está sujinho mesmo,heim! ( Olha pinóquio que parece satisfeito) Mas... O que aconteceu com seu nariz ?

Pinóquio - meu nariz ? Nada, ué! O que tem meu nariz ?

Grilo- Parece maior.

Pinóquio - não ...não(nervoso) Está tudo bem com o meu nariz.

Grilo - Hum... não andou aprontando travessuras por aí ,não é ? Lembre do que a fadinha disse.(sai).

Cena 9

Pinóquio sozinho.

Pinóquio - Ora essa! ( coloca a mão no nariz) Ele está maior sim... Mas foi uma mentirinha de nada.Ah ! Não vai crescer mais que isso ( começa a cantarolar).

Cena 9 –

Entra o menino da escola

Menino - Olá menino rico de madeira. Te encontrei( risos )

Pinóquio - Han ?

Menino - Você mora aqui nesse barraco ?

Pinóquio - Eu ? Eu não, só vim até aqui porque... por que...

Menino ( gargalhando ) fala muleque !

Pinóquio - Por que meu pai, que é muito rico, mandou fazer um caminhão de madeira bem grande para eu brincar.

Menino - Tá bom, vou acreditar. Amanhã vamos jogar bola de novo ?

Pinóquio- e a escola ?

Menino - quem precisa de escola ? Isso é coisa pra , zé mané.

Pinóquio- Tá, vamos.

Menino- Amanhã viu?

O menino finge que sai e se esconde.

Pinóquio- Eu queria ser um menino de verdade e muito rico.

Cena 10

Entra Gepeto
Gepeto - Ora! Mas você está precisando ser lavar. Vá, vá que vou servir o seu almoço.

Pinóquio - Sim, papai (sai)

Menino ( escondido ) Eu sabia( risos ) mas esse boneco esquisito não perde por esperar.Vou arranjar uns cupins e vou jogar nele. Os cupins gostam de madeira
( risos/ sai )

Gepeto - Pinóquio! Já terminou?

Pinóquio - Sim, estou com fome!

Gepeto (assusta-se) - Pinóquio, o que houve com o seu nariz ?

Pinóquio - Meu nariz ?

Gepeto- Ele cresceu ( pega um pequeno espelho) veja você mesmo

Pinóquio - Ai! Cruzes ! Cresceu mesmo !

Gepeto - Hum! Temos que saber o que está acontecendo. Venha menino levado, o vamos almoçar( saem)

Cena 11

Entra o grilo falante preocupado.

Grilo - Pinóquio não está preparado para a vida, já nasceu com seis anos.A vida faz com que a gente nasça bem pequeno para que a mamãe, o papai, a vovó e o vovô, possam ajudar e assim todos nós crescemos bons e obedientes. Ele precisa de uma boa lição para aprender a não mentir para os outros e nem para o seu pai .Vou procurar a fadinha.

Cena 12

Entra a fadinha sob uma luz azul.

Grilo (assusta-se) - Ó Senhora linda, fadinha! Esta mesmo à sua procura.

Fadinha - Eu sei falante, ouvi seus pensamentos.

Grilo- Pinóquio está infeliz, quer conseguir amigos, mas se acha diferente, inferior.

Fadinha - Todos somos iguais e uma criança é uma criança seja ela do jeito que for é uma pessoa e merece respeito . Mas o nono Pinóquio tem que aprender e você pode ajudá-lo

Grilo falante - sim, vou ajudar.

Fadinha - Se ele praticar boas ações, terá uma surpresa. Ser bom é receber coisas ruins. Até breve bom grilo. Até breve... (vai sumindo)

Grilo - Bom vamos ver o que posso (sai)

Cena 13

Entra o menino com uma caixa nas mãos.

Menino - Ah Agora !Esse muleque metido a gente vai ver só uma coisa. Vou jogar cupim nele(risos) e depois vou contar pra todo mundo na escola que os cupins comeram ele( risos).

Cena 14

Entra Gepeto

Gepeto- Ouvi tudo seu menino malvado

Menino- ham ?

Gepeto - Me dê esta caixa aqui!

Menino - Não ! ( ele empurra cadeira e gepeto cai desmaiado) vou esconder o velho antes que acorde e tome a caixa de mim. ( Cobre Gepeto com uma lona e deixa a cadeira perto) depois se esconde )

Cena 15

Entra pinóquio.

Pinóquio - Papai Gepeto! papai gepeto ! Aonde será que ele está ? Alguém viu ? Ai cruzes! meu nariz está enorme. E agora ? Papai gepeto! Papai gepeto ! Ninguém sabe dele

Menino ( aparecendo subitamente) Ah ! Seu moleque de madeira.

Pinóquio - Você de novo ?

Menino - Que narigão ! ( risos) Está horroroso( risos ).

Pinóquio- O nariz é meu !

Menino -Claro que é.

Pinóquio - Vá embora! Cadê meu pai Gepeto ?

Menino - Aquele maluco ?( risos)

Pinóquio-Ele não é velho nem maluco.

Menino - Deixa pra lá . Trouxe um presentinho pra você . Pegue.

Pinóquio - Pegar ?

Menino - Vamos pegue logo

Pinóquio ( pega a caixa) - O que tem dentro ?

Menino - Veja, abra. É uma surpresa.

Pinóquio abre a caixa e começa a se coçar.

Menino- São cupins, seu otário ( risos ).

Pinóquio ( se coçando ) -Cupins ? Como você é mal. Me arrependo de ter mentido só para ser seu amigo.Os amigos verdadeiros têm que gostar como da gente do jeito que a gente é. Eu nunca mais vou mentir, nem faltar na escola.

Menino - Isso se os cupins não te devorarem !( risos ).

Cena 16

Entra o grilo falante.

Grilo - Pinóquio! O que houve ?

Menino - Vejam só, um grilo que fala além de encher o saco de noite debaixo da nossa janela.

GrilO -Cale a boca, menino mal !

Pinóquio - Ele jogou cupins em mim.Mas eu fui mal também, menti pro meu pai gepeto ( chora ).

Grilo - Você está arrependido Pinóquio.

Menino - Ai que coisa emocionante, vou chorar também ( debocha )

Pinóquio - Quero meu pai !

Grilo - Pinóquio ! Seu nariz voltou ao normal

Pinóquio - Han?( coloca a mão no nariz ) É mesmo que bom !

Menino - Foram os cupins.

Grilo - não foi não. Pinóquio se arrependeu e é bom e obediente agora.

O pano começa a se mexer ,todos se assustam e gepeto se levanta.

Gepeto - Sim, muito bem meu filho!

Menino - Hi ! Sujou!

Cena 17

Entra a fadinha deixando tudo azul.

Fadinha - Muito bem pinóquio.

Menino - O que é isso aó ? quem é ela ?

Fadinha - Você é um menino mal, mas pode ser bom. Nunca mais faça maldades ( levanta sua varinha e Pinóquio fica livre dos cupins )

Gepeto - Venha menino malcriado, vou leva-lo a até a casa de seus pais

Menino - Não conte pra minha mãe, eu vou ser bom.

Gepeto - vamos! (saem)

Pinóquio - Olhem, os cupins foram embora.

Fadinha - Amanhã, quando acordar terá uma surpresa. Adeus !
( sai )
Grilo falante - Viu ? Eu te disse, eu te disse ( sorriem ) Ai ! que dia ! Já vou indo para o quintal do vizinho, logo que anoitecer, vou cantar de alegria !

Pinóquio - Tchau ,grilo falante !

Cena 18

Penumbra.

Pinóquio dorme. Uma chuva de estrelinhas cai sobre ele.

Cena 19

Entra gepeto
É dia

Gepeto - Filho acorde !

Pinóquio - Bom dia ,papai. Estou muito feliz! Meu nariz voltou a ser como antes e eu vou para a escola.

Gepeto – Que bom! Acho que essa foi a surpresa da fadinha.

Pinóquio – Não sei...eu pensei que ia ser um menino de verdade.

Gepeto – Mas você é um menino de verdade! São as diferenças que nos permite conviver em harmonia! Já pensou se todos fossem amarelos ou cor-de-rosa? O mundo seria todo da mesma cor... (sorriem).

Pinóquio – Sim! Eu sou feliz e sou de madeira! (sorriem).

Gepeto – Você é de madeira e tem um coração de verdade, veja!

No peito de Pinóquio um coração vermelho se ilumina!

Sorriem. Se abraçam. E dançam.
Música

FIM
 

 
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