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Crônica
 
Dia das mães em família
Por: Morena

Estava tudo bem. Sentindo-me saudosa da minha querida mãe, ganhei presentes, almoço caprichado, mas então "ele” chegou com a eterna desculpa de estar com os filhos. Eu estava no computador digitando uma crônica. A família o recebeu e eu, entretida no texto, não notei a aproximação dele, que desejou-me Feliz Dia das Mães, isso pondo as mãos nas minhas costas com seu ar de adoração pra cima de mim, arre! Levantei da cadeira nervosa e resmunguei:- Não põe a mãe em mim!
Eu sofro de afefobia (medo, aversão de ser tocado). Não é tão grave, mas não gosto que ponham a mão em mim. Só permito aproximação de amizades sólidas. Brinco, deixo-me ser abraçada e beijada por pessoas próximas, queridas. Tal aceitação requer muita confiança e bem estar à proximidade de todos.
Sobre esse meu distúrbio, uma colega de trabalho me disse:
_ Ah agora eu sei porque o seu cachorro não gosta que ponham a mãe nele também, e até morde quem mexe com ele. Todo cachorro assimila as fobias do seu dono (será?).
O que sei é que semanas atrás eu fui pegar o meu cachorro, que entrara na sala, para levá-lo para fora e ele quase engoliu a minha mão. Mordeu-a em cinco lugares. Mordida de cachorro dói pra burro. Foram ferimentos meio superficiais que sangraram horrores. Fiquei dias indo trabalhar com curativo e sem querer ver o meu arisco vira-latas na minha frente, mas já fizemos as pazes.
Há pouco tempo, durante o expediente, um paciente chegou em mim e disse, pegando no meu braço sobre o balcão: - Querida, você pode me dar uma orientação?
Sem pensar, sentindo certa pressão daquela mão estranha no meu braço, eu vociferei: Eu não sou a sua querida, e tira a mão de mim!
O homem, surpreso, tirando a mão, quis dizer algo, ensaiou, mas nada disse. A minha colega veio em meu socorro e o atendeu. Eu fingi ocupar o clima tenso do momento com outra coisa.
Depois que ele se foi sem me olhar, a minha colega disse:
- Morena, você não tem jeito mesmo. É assim que trata o paciente?
- Ora, ele que vá pôr a mão na nona dele! Eu até que fui delicada. Só esperei que ele achasse ruim que eu teria perguntado se ele gosta dos machos pondo as mãozonas nas mulheres da família dele.
Retornando ao assunto do pai dos meus filhos, que estragou o meu dia bem estragadinho, ele percebeu o meu desconforto com a presença dele, almoçou e se mandou rapidinho, mil améns?
Ainda estou sentindo as mãos asquerosas dele nas minhas costas. Sinto vontade de vomitar com a lembrança do asco sentido. Eu devia tê-lo mandado pro inferno. Talvez assim estivesse me sentindo melhor. Com meu cachorro eu faço as pazes, mas com ele, não mesmo!

* https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_fobias

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