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Crônica
 
Meu filho/aluno errou! E agora? Reflexões sobre o erro com base na Disciplina Positiva: foco em soluções!
Por: Milena Aragão

Certo dia, ministrando uma palestra para um grupo de professores da Educação Básica, perguntei-lhes qual era o maior medo no exercício da função. Não foi surpresa quando todos os 100 docentes participantes do evento verbalizaram que errar era o que mais os assustava! “Tenho medo de responder errado ao que o meu aluno me pergunta!” Assinalou um professor de Matemática! “Eu preciso cuidar para não falar errado, se eles perceberem meu erro eu estou frita!” Disse uma professora de Português. E assim foram proferidos uma série de relatos em que professores e professoras manifestavam ansiedade e medo frente à possibilidade de errar! Todavia, tal medo não permeia apenas a esfera docente! Os estudantes “tremem” só de pensar em apresentar trabalhos! A maternidade/paternidade também não está livre do medo de errar! De fato, é bastante comum ouvir mães expondo suas angústias frente à possibilidade de cometer erros na educação dos filhos.
O verbo errar provém do latim errare, que significa vagar, perambular sem rumo, andar sem direção certa. Ora, se transitamos sem saber para onde vamos, se estamos perdidos, o que desejamos é ajuda para “nos encontrar”, não é mesmo? Precisamos de alguém que nos oriente, nos mostre possibilidades, caminhos! Mas, tendo em vista o grande medo de “nos perdermos”, talvez o que temos recebido ao longo da vida não é nada parecido com ajuda! Medo é um estado emocional frente a uma situação de perigo, de ameaça à nossa segurança! Ao termos medo de errar, manifestamos que nossa experiência com o erro não foi de ajuda, mas de ameaça, perigo, violência, castigo, punição! “Mas o erro merece punição professora!” Compreendo a fala copie montre france da minha querida aluna, especialmente quando vivemos em uma cultura que nos ensina que o certo é bom e o errado é mau, decorrendo em recompensa para o certo e punição para o errado, simples assim! Não! Não é tão simples! Se errar é vagar sem rumo, é estar pedido, é não saber o que fazer, então será que devemos punir uma pessoa que precisa apenas de ajuda? Será que punir não resultará em um medo de errar danado, a ponto de prejudicar seu trânsito social? Ao considerarmos o erro como algo ruim, afastamos a possibilidade de conhecer o que se passa com o sujeito errante! Os motivos que o levou a errar, a enganar-se, a equivocar-se! Será que ele errou por desconhecimento de como fazer diferente, ou por não ter compreendido algo? Se defendermos a ideia de que errar é ruim, como vamos aprender com os deslizes da vida? Errar é humano, mas permitimos que o outro – e nós mesmos – revele sua humanidade através do erro? Ou brigamos, gritamos, castigamos a pessoa? Nesse sentido, do erro emerge a culpa! Nossa, como essa dói! Errei, sou culpado, me puna! É uma lógica perversa! É uma lógica que nos impede de tentar novamente, de aprender com prazer, de desenvolver a compreensão e a empatia conosco e com os outros! A lógica do erro como algo que merece ser punido (e muitas vezes com requintes de crueldade) leva a não pensar no processo como parte fundamental da aprendizagem! Errar faz parte da vida! As crianças são as que mais sofrem com isso! Não é coincidência que hoje, adultos, temos tanto medo de errar! Toleramos muito pouco os erros infantis, justo a etapa que mais precisa de orientação! “Então você está dizendo que é para deixar o erro para lá?” De forma alguma! Deixá-lo “para lá!” seria perder uma excelente oportunidade de orientar o caminho correto! Como aprender de uma forma saudável com uma pessoa que me ignora? Ao mesmo tempo, como aprender de uma forma saudável com uma pessoa que de quem eu tenho medo? Pois bem! O que fazer então?

Existe o caminho do meio! Chama-se Disciplina Positiva! Não, não é positiva por ser permissiva, é positiva por que se contrapõe ao que tem de negativo numa educação: os gritos, os castigos físicos e humilhantes, as ameaças, o desrespeito. É positiva por que direciona nosso olhar para uma aprendizagem focada na cooperação, autodisciplina, responsabilidade, gentileza, ao mesmo tempo em que ensina habilidades para resolução de conflitos de forma respeitosa e empática, valorizando a conexão. Ok, mas como lidamos com o erro nessa perspectiva? Respondo: focando em soluções! Estamos acostumados a dizer o que não se deve fazer, a impor uma forma correta de realizar algo, donde a pessoa as executa sem ao menos saber o motivo! O que há de aprendizado nisso? A Disciplina Positiva (DP) propõe ensinar as crianças e jovens como deve ser feito, chamando-os a serem colaboradores na reflexão sobre as soluções! Eles são ativos no processo, o que os torna menos resistentes à sua adesão. A participação deles nas soluções fornece ferramentas para que possam resolver desafios futuros. Mas Calma!! Não esperem que eles já façam tudo certinho após o primeiro erro! Pode ser que ainda tenham dúvidas, então precisamos ter paciência! Afinal, quem disse que para sermos melhores, precisamos sofrer primeiro? Focar em soluções nos ajuda a construir uma relação acolhedora! Quando você estiver junto com seu filho ou aluno, peça a ajuda deles para solucionar um problema, todavia, não aceite soluções que magoam! Invista em soluções que ajudam e contribuam com ideias sem o uso da violência, ameaça ou exclusão. As crianças sabem fazer isso com alguma facilidade, já os adolescentes, esses podem apresentar certa dificuldade, em especial quando foram criados justamente no modelo que tentamos desconstruir! Lembro-me de quando um aluno do ensino médio descumpriu um combinado e todos os outros sugeriram que ele fosse punido com sua retirada de classe. Foi preciso algum tempo de conversa para que os estudantes pensassem em possibilidades acolhedoras para a situação, com foco em soluções, em detrimento das ideias punitivas presentes em suas falas! Uma forma interessante para exercitar o foco nas soluções é por meio da elaboração do contrato: peça que os estudantes pensem em situações que podem atrapalhar a convivência em classe, como por exemplo: utilizar o celular no horário da aula, chegar atrasado, falar ao mesmo tempo que o professor, ter uma relação amedrontadora... enfim, será uma elaboração conjunta a partir do consenso. Posteriormente, peçam que eles indiquem consequências para quem burlar o acordo anteriormente feito. Nesse momento, uma chuva de punições cairá sobre a sala! Esta será, então, a oportunidade perfeita para refletirmos com o grupo o foco em soluções e não em punições! Importante lembrar que os acordos podem ser revistos sempre que necessário! “Entendi, mas como saberei se estou focando em soluções ou apenas punindo?” Pois bem! A Disciplina Positiva nos brinda com quatro palavras fundamentais que nos ajudam a pensar nas soluções: estas devem ser relacionadas – isto é, ligadas ao comportamento -; respeitosas – ou seja, devem ser aplicadas de forma gentil, sem envolver dor, culpa ou vergonha -; razoáveis – não devemos tirar vantagem do sujeito - e úteis para resolver o problema. Assim, quando uma criança esbarra em um vaso de planta, este cai e suja a sala, você tem duas possibilidades de reação: a primeira: “Poxa!! Mas não pára quieto!! Não faz nada direito!! Quantas vezes repeti que não é para correr na sala!! Vai já para o seu quarto e só sai quando eu mandar!! (Soa familiar?). Ou você pode tentar esta: “O que houve? O que pode ser feito para solucionar isso? Do que precisamos?”(Sem gritos, ameaças ou explosões de raiva). Pode ser que a solução construída seja pegar uma vassoura, uma pá e ela arrumar o que fez, podendo, inclusive, contar com a nossa ajuda se necessário! Esta é uma solução relacionada, respeitosa, razoável e útil, pois realmente resolve o problema! Desta forma, quem terá medo de errar? O erro já não será mais um perigo! Ao contrário, estimulará a encontrar soluções criativas para as situações cotidianas! Mas, se a questão for – também - o fato dele frequentemente correr dentro de casa, então pensaremos juntos em novos caminhos para que este comportamento não ocorra. Veja bem: juntos!! Em resumo, o foco nas soluções nos ajudam a:

1) Pensar sobre o que podemos fazer para resolver a situação, estimulando a aprender com os erros;
2) Desenvolver potencialidades e habilidades de resolução de problemas, já que as crianças e jovens se sentem encorajados a utilizar seu poder pessoal, suas ideias e criatividade para a resolução de conflitos
3) Perder o medo de errar, uma vez que crianças e jovens percebem que o erro é um caminho para a aprendizagem.
4) A parar e pensar antes de reagir.
5) A ser criativo ante a um problema inesperado!
6) A desenvolver respostas apropriadas para os conflitos, tendo em vista que crianças e jovens aprendem o que fazer, ao invés de focar no que não pode fazer! Além disso, aprenderão de forma respeitosa e empáticas, características fundamentais para a convivência social.

Lembre-se, errar faz parte da vida! Todos nós erramos! É importante vermos o erro como oportunidades para aprender e isso só ocorrerá quando desapegarmos da ideia de que quem erra é uma pessoa má! Focar em soluções é, certamente, um dos melhores caminhos para nos ajudar a lidar com o erro – nosso e do outro - de uma maneira relacionada, respeitosa, razoável e útil, trazendo conosco a empatia, o respeito e o amor!

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