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Fé demais nunca é pouco! Novena contra os Fernando Soares Campos da Internet
Por: Fernando Soares Campos

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Fé demais nunca é pouco! Novena contra os Fernando Soares Campos da Internet

por Raul Longo(*)

Esse tal de Fernando Soares Campos eu conheço, não é de hoje. Até que escreve bem, o peste, mas ao invés de usar o talento para enaltecer as ações edificantes de gente séria, prefere se dedicar à galhofa, mofa, troça, achincalhe de eminentes personalidades como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e até sobre o glorioso marido da recatadíssima Marcela, o nosso herói, aquele que soube dar a rasteira na estocadora de vento e retomar os destinos do Brasil. Deus proteja Michel Temer da cadeia, por tudo de bom que ele tem feito por esta nossa nação.

Graças a Temer, voltamos aos idos de 2002 para trás. Lembram-se? Dá ou não dá saudade? O Brasil sempre envolvido nos grandes movimentos internacionais! Dava uma crisezinha lá no México, ou na Rússia, lá íamos nós ao FMI, ao Clube de Paris! A China reajustava sua capacidade de produção industrial, respondíamos com um tsunami de desempregos. Aquilo, sim, é que era país globalizado! Não aquele Brasil inativo, alienado dos governos petistas. Em meio a uma crise internacional que não tinha tamanho, todo mundo comprando automóvel novo, as lojas vendendo eletrodomésticos como nunca, até pobre comprando casa própria! Onde já se viu isso? Bolsa subia, dólar caía, combustível não aumentava, juros abaixava, e a inflação ficava ali sob controle, em plena crise internacional! Claro que tinha coisa errada naquilo!

Totalmente fora de contexto! Fora da realidade mundial! Que Brasil era aquele, minha gente? Aonde íamos parar, daquele jeito? Não dava pra ter calma! Afinal, somos dos Estados Unidos ou não somos?

A culpa era de Lula, Dilma e de lulistas e dilmistas, como o tal Soares Campos, que defendia coisas daquele tipo.

Definitivamente é preciso acabar com essa raça! Mesmo que isto custe a Petrobras, que já era mesmo pra ser Petrobrax há muito tempo! Hoje era para ser como a Vale, que nem é rio, nem é doce e só vale a quem e ao que interessa, livre de sustentar a vagabundagem desse povinho caipira, como tão bem o definiu publicamente nosso grande e audacioso FHC, o verdadeiro Fernando! Grande São Fernando divisor das águas Amazônicas, Atlânticas, São Francisco, Capibaribe e Tietê! Este, sim, foi um Moisés da era das trevas! Não nos livrando delas, mas nos ensinando a andar no escuro, na escuridão dos seus dias de governo.

Esse tal de Fernando Soares Campos parece ter boa memória, lembra de quase tudo o quanto é inconveniência. Lembra que a Globo apoiou incondicionalmente a Sacrossanta Ditadura Militar, mas não lembra que ela, a revolucionária ação militar dos anos 60, a Redentora, foi o que nos salvou do comunismo ateu. Isso ele não lembra! Lembrar que a Globo foi a única emissora de televisão que não explorou ou tirou proveito das multidões do Movimento das Diretas Já!, isso ele não lembra! Isso ele omite! Fala que a Globo apoiou a guerra do Vietnam, a guerra do Golfo, invasão do Líbano, do Afeganistão, do Iraque e de Gaza! Mais recentemente a da Líbia e a atual guerra da Síria. Quer dizer... guerras, vírgula! Intervenções humanitárias! Isso, sim!

Diz que a Globo sempre foi fiel aos interesses do capital sionista e dos Estados Unidos, desde que se associou ao Grupo Time-Life, num esforço que a tornou a maior empresa de comunicação suplantando a concorrência: Chateaubriand, com os seus Diários Associados, morreu e o espólio foi negociado por Silvio Santos; e Wallace Simonsen, dono da Panair, a maior companhia aérea, e da Excelsior, a emissora de televisão líder de audiência da época, que suicidou-se por não mais suportar as pressões da ditadura militar... a bem da verdade, a Revolução de 64. Mas não esclarece seus leitores de que foi assim que chegamos ao padrão Globo para o nosso vazio cotidiano, que se tornou mais interessante com as novelas globais e Faustão nos finais de semana, sem contar o fascinante e eventual Big Brother Brasil.

Querer o que há de melhor na vida é obrigação de cada um de nós. Exigir o suficiente pra um sujeito nascer, se criar, casar, ter filhos e morrer é o nosso dever. E a Globo nos ensina os caminhos para se chegar lá! Lá! Lá no topo! São gerações e gerações globais, num projeto de perpetuidade do poder, sem precedente doméstico ou mesmo internacional! Coisa nossa, do nosso jeito, do nosso jeitinho brasileiro.

Não é ótimo? Pensem bem: pra que precisávamos da Panair e da Excelsior se passamos a ter a Varig e a Globo apoiando e apoiados pela ditadura, a CIA, o Pentágono e todo o governo dos Estados Unidos, não é mesmo?

A onipresente Globo que fez o Collor! Quem seríamos sem o Collor de Melo? Quem seríamos sem o Fernando Henrique Cardoso? Onde descambaríamos se hoje não tivéssemos sido salvos por Temer et cátedra (eu disse "cátedra")? Tudo em nosso país se deve à Globo! Inclusive por ela ter nos livrado do Chico Buarque de Holanda. Por conta, sem contar com a censura da ditadura, por mais de uma década Chico Buarque não aparece na tela da Globo nem como Julinho da Adelaide. Pra quê? Pra cantar samba fora de carnaval? Carnaval é na Globo! Carnaval das gostosas peladas, de peitão de fora! Das globelezas! Quem quer saber de negros, de prostitutas, de moleques de rua, travestis, bordéis, Áfricas e Nordeste?

Brasil que é brasil, assim com minúscula, consciente, humilde, é brasil que conhece seu lugar, brasil do embaixador Juracy Magalhães, que sempre soube que o que é bom para os Estados Unidos é bom para este brasil.

Há dois brasis: o brasil da Globo, que, apesar de minúsculo, submisso ao Grande Irmão do Norte, é confortável e realista. E paralelamente existe o Brasil incômodo, apesar de virtual, fantasioso, o Brasil desses Soares Campos, Brasil arrogante, pretensioso, de gente incapaz de compreender as sutis previdências da Miriam Leitão.

Se a Globo e a Miriam Leitão falaram que a Petrobras roubou US$4 bilhões, é porque roubou! Se fossem trilhões, quatrilhões, quintilhões, seria tudo verdade e pronto! Quem é que fala mais verdade do que o colorido padrão global? A verdade é aquilo que se vê com os ouvidos e come-se com os olhos, compreendem?

Esse Soares Campos parece que não enxerga! Como é que a Petrobras, que estava pra ser privatizada na bacia das almas, pelo ínclito Fernando Henrique Cardoso, pôde, nos governos petistas, faturar mais do que a Microsoft? Tá na cara! É mesmo como disse a Leitão. A Leitão falou, acontece! Há quanto tempo ela vinha falando que o Lula é uma crise? E o que deu? Crise Mundial e Gripe Suína! Exatamente! Esqueceram?!

Esse Campos aí não tem abertura nem percepção, sensibilidade para as intrínsecas e sutis relações entre Leitão, PIG e Gripe Suína! É ou não é um apedeuto? Apedeuta? Que importa o gênero, se o sexo é o pai e a mãe de todas as ignorâncias?

Agora, sim, temos os legítimos representantes da sociedade brasileira. Temer e seus impolutos ministros. Esses fazem lembrar aquele senador dos Estados Unidos ao dizer que a violência é tão norte-americana quanto a torta de framboesa. Ou era cereja? Maçã? Não importa! Importa é que nesse mais ao sul dos Estado Unidos é tudo muito global, tudo tem muito a ver com a programação da Globo, que educou nossa juventude nas últimas décadas, ensinando a deseducar os filhos, bater nas mulheres, desmontar boate na porrada, fazer valer os direitos sexuais e impor os orgulhos e as certezas no American Way of Life.

Pois é essa Globo que nos resgatou do atraso, devolvendo-nos ao "isso é que é vida!".

Enfim, até onde vai a maledicência dessa gente que chega até mesmo a por em dúvida as razões meramente acidentais que levaram ao fundo do mar aquela maravilha de plataforma marítima importada pelo governo FHC, a P-36. O sacrifício de 11 vidas e o prejuízo de bilhões de dólares valeram o espetáculo acompanhado pelas câmeras de televisão de todo o mundo, passo a passo, minuto a minuto, até desaparecer. Ora! Queria o quê, o senhor Soares? Que nada afundasse para não poluir o oceano? Será possível que esse indivíduo não assistiu ao Leonardo di Caprio no Titanic? O que tem na cabeça esse homem que quer comparar a qualidade da plataforma estrangeira e naufragada, com outra da produção naval cabocla?

E daí que plataforma brasileira tem menos custo para o país, emprega mais técnicos e mão de obra brasileira, e não afunda? Não afunda, mas não tem glamour, não dá cinema nem Globo! É como o prêmio que o Lula ganhou da UNESCO. Que adianta ganhar prêmio internacional seja lá do que for ou de quem for, se não é notícia na Globo? Quem faz a importância de um prêmio, ou de um acontecimento qualquer, é a Globo!

Esse Fernando Soares não passa de um frustrado porque não é da Globo. É só por isso que ele põe em dúvida a gestão da Petrobras pelo FHC. Será que não consegue perceber que a Petrobras é mero delírio de outro caipira que andou escrevendo umas bobagens pra crianças de antigamente.

Corre história de que a Petrobras foi uma reivindicação popular, surgiu do movimento "O Petróleo é Nosso". Multidões defendendo a soberania nacional e essas besteiras que tanto entusiasmam certos Fernandos, embora outros, como o Iluminado Henrique Cardoso, estejam pouco se lixando. Claro! Muito melhor mudar pra Petrobrax e vender tudo pros capitais estrangeiros. Afinal esse negócio de petróleo brasileiro é só história de Sítio do Pica-pau Amarelo.

E o Soares, tão infantil, fica chafurdando em antigos periódicos, em busca de antigos vazamentos de óleo daqueles bons tempos, quando, vez por outra, se coloria as águas dos mares do litoral paulista, os contornos da Baía da Guanabara e de Todos os Santos, do Nordeste e de qualquer bacia hidrográfica.

Aquilo era muito bom! Ajudava a especular com o preço da gasolina, com a venda da Petrobras e, ainda por cima, promovia algum interesse nas colônias de pesca por outro meio de sobrevivência; pescadores descobriam que nem só de peixe vive o homem, passavam a entender que ser camelô pode render mais e torna o indivíduo mais útil à sociedade.

Claro que precisava acabar com aquilo! Como é que pode oito anos de desgoverno Lula, cinco anos de Dilma saudando a mandioca, tudo sem vazamento em oleoduto, sem aumentar preço de combustível, com auto-suficiência na produção de petróleo, petroleira estatal em primeiro lugar no ranking do faturamento mundial, investimentos em projetos sociais, de educação, cultura e pesquisa?

E ainda aquela insistência de produzir plataformas marítimas aqui mesmo, em solo pátrio, gerando emprego pra um monte de caipira, como bem os classifica o Principe da Privataria... é... desculpe, é da privatização!

Graças a Deus Todo Poderoso, temos uma Rede Globo para defender nossos direitos de sermos todos estadunidenses de respeito, e acabar de vez com essa Petrobras e com esses brazucas nacionalistas, antiglobalização, mandá-los para a República de Curitiba, onde deverão mofar pelos próximos 30, 40, 50 anos... PT nunca mais!

Parem de ler as matérias desse tal Fernando Soares Campos. O pior é saber que o cara está nos ameaçando com um novo livro de contos! Mas Deus é Pai! Acendam vela à Santa Miriam, o Leitão do Dia de Ação de Graças, peçam pra tacar uma gripe suína no sujeito. Valei-nos Ministro da Saúde! Que os porquinhos do senador José Serra espirrem em toda a raça lulista! Em todos os Fernandos Soares Campos da vida!

Saravá!

P.S.: O elemento na foto não é o nosso querido Dr. Jivago, trata-se do tal Fernando Soares Campos usando um dos seus disfarces.

(*)Raul Longo, pousadeiro, jornalista, escritor e poeta. Ponta do Sambaqui, Floripa/SC.
www.sambaqui.com.br/pousodapoesia

Raul longo é autor do livro FILHOS DE OLORUM.
“Filhos de Olorum – contos e cantos de candomblé, é um livro para ser lido muitas vezes. Cada conto de Filhos de Olorum pode ser lido como uma bela narrativa mítica e como uma análise social. E cada leitura desvenda mais um mistério, proporciona mais uma descoberta, dá margem a mais uma reflexão” - afirmam os editores da Pallas Editora e Distribuidora, do Rio de Janeiro.


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