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Celso Corrêa de Freitas
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CIDADÃO NÃO VACINADO
Por: Celso Corrêa de Freitas

INDICAÇÃO 1
Para receber o atendimento, pessoas com mais de 60 anos precisarão passar por uma triagem antes da imunização, em casos de contraindicação da vacina.
INDICAÇÃO 2
De acordo com os especialistas médicos, todos os postos de vacinação deveriam ter um médico analisando os riscos e os benefícios de o idoso ser vacinado.
O postinho ao qual o senhor Oslec se dirigiu para tomar a vacina contra a febre do momento, a amarela! Tinha esse médico, de plantão.
Ele Entrou, entreguou o seu cartão de usuário daquele equipamento público, e foi encaminhado para uma sala, onde uma simpática enfermeira o atendeu. Sentado a frente da Enfermeira Suzy, Seu Oslec foi respondendo a triagem feita por ela. Cerca de trinta perguntas feitas tipo:
O senhor é diabético, o senhor tem alergia a ovo, já teve alguma doeça infecciosa...
Não, Não, Não, respondia calmamente seu Oslec a cada pergunta feita pela enfermeira Suzy.
Terminada a triagem, ela levantou-se e o avisou que iria até a sala do medico pegar a autorização.
Alguns poucos minutos depois ela voltou, seu Oslec confiante na sua excelente saúde, já estava com a manga da sua camisa levantada, pronto para a picada anti Aedes aegypti.
Senhor Oslec, o médico não autorizou o senhor a tomar a vacina.
Não autorizou! Falou com certo espanto no rosto, e de imediato perguntou a enfermeira Suzy:
Mas por que não autorizou?
Ele é novo no posto, e disse que não conhece o senhor, e que assim é melhor não autorizar.
Mas, quem sabe se ele me ver, e conferir o meu estado físico com os dados da triagem ele pode mudar de ideia?
Não adianta seu Oslec, ele não autoriza. De manhã ele autorizou todo mundo, mas agora ele está dificil.
Percebendo o incomodo do senhor Oslec diante daquela situação, a enfermeira Suzy perguntou se ele não gostaria de aproveitar e já agendar um exame de sangue, e após alguns dias, de posse desse exame, ir no posto central e pedir a vacina, já que a campanha de vacinação naquele posto se encerraria naquela semana, mas que no posto central continuaria disponível.
Ele acabou aceitando, pois independente da questão da febre amarela, um exame na sua opinião, era sempre bom fazer, muito embora ele se sentisse muito bem do alto dos seus 63 anos.
Metade do mês já se passara, e seu Oslec sem o resultado do exame feito, e nesse contexto um cidadão não vacinado, precisou por força de necessidade profissional viajar para atendimento de algumas demandas pertinentes as suas atividades pessoais.
Foi tudo muito abrupto, ele estava na estrada, rumo ao Rio de Janeiro ...No inicio sentiu-se febril, não era alta mas o incomodava, sentia seu pulso lento, sentia calafrios também, uma dor de cabeça desconfortável, mialgias que o dificultava dirigir, prostração, náuseas e uma vontade de vomitar.
Aquele suplicio já lhe atormentava num crescendo a 3 dias. Ele procurou socorro num vilarejo pelo qual passava, e um farmaceutico local lhe deu um coquetel de remédios e xá de folhas que lhe permitiu, seguindo o conselho desse farmaco, retornar a sua cidade, Praia Grande localizada no Litoral Sul de São Paulo. Parou seu carro no estacionamento do prédio, e passou pela portaria, sem cumprimentar o porteiro Caio, efusivamente como sempre o fazia. Entrou no seu apartamento, desfez suas malas, atirou-se na cama sob o peso dos sintomas que voltaram e com mais força, sentia-se intoxicado, sua febre fazia seu copor arder, uma diarréia que não tinha fim, e o cheiro de vômito começava a impregnar-se nas paredes do seu quarto, aquela borra de café misturava-se ao liquido de suas fezes no fundo do vaso sanitário. Sua pele apresentava sinais de ictericia, feridas hemorrágicas. Sua prostação prendia suas pernas, adormecia suas mãos, e enrolava sua fala...
Seu Oslec, seu oslec, seu oslec
Quem gritava no corredor do prédio, diante do apartamento 2802, localizado no bairro AFASU era o porteiro Caio, que desde o retorno do seu Oslec quatro dias antes, não o vira mais.
Seu Oslec, seu Oslec, seu Oslec
Neste momento o síndico chega ao mesmo ponto onde já estava o porteiro Caio. Mas o síndico não estava só, ele trazia consigo dois policias militares. Foi tudo muito rápido. De posse da chave reserva, o síndico abre a porta, e no mesmo pé que entra no apartamento, ele sai, horrorizado!
Caio e os policiais entram e lá dentro encontram o corpo do seu Oslec caido entre a cama e a porta do banheiro, já em estado de avançada putrefação...
Sobre o a cama, um bilhete escrito com letras tremulas, sobre um papel sujo de sangue e dejeção.
"Custava ter autorizado eu tomar a vacina?"

FIM


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