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Crônica
 
Janeiro branco: vamos conversar sobre a saúde mental das crianças!
Por: Milena Aragão

Ah! Infância!! Tempo bom!! Brincadeiras ao ar livre, risadas, amizades “eternas”! Já perceberam que a criança vive no aqui/agora com uma maestria admirável? Para ela não tem depois, não tem amanhã! Quando entra em uma brincadeira, ela está 100% nela, mesmo que dure apenas alguns minutos! Ela se entrega de corpo e alma ao prazer! Vive intensamente cada momento! Que saudade de quando eu me sentia assim: desfrutando com profunda entrega apenas o momento presente!
Nós adultos estamos constantemente ansiosos, pensando no que vem depois! As contas, as críticas, o medo das escolhas erradas, preocupações com o trabalho, família... E assim ficamos cada vez mais distantes da nossa criança interior, cada vez mais desconectados do prazer de viver o hoje, o agora.
O que faz conosco essa imensidão de “vida adulta”, que muitas vezes consome nossa energia, nos deixa estressados, irritadiços, ansiosos, nos faz esquecer da criança que nos habita? Engana-se quem pensa que toda essa tensão fica somente conosco! De fato, ela retorna para as crianças da nossa vida. Retorna em palavras grosseiras, ameaças, castigos físicos e humilhantes, quando - na verdade - queremos apenas que elas se aquietem um pouco, que nos respeitem. E então passamos para o corpo e a psiquê das crianças o medo, a ansiedade, a dor, tudo aquilo que nos faz mal.
Quando nos lembramos da infância, parece um mundo distante, outra vida, outra dimensão! Mas ela não é outra, ela está em nós! Nós vivemos essa alegria, mas também vivemos as frustrações de uma liberdade e autonomia cerceadas pelos nossos pais ou responsáveis. Vivemos o medo, um tipo de medo que nos prejudica profundamente, até hoje: o medo de errar, de não ser bom o bastante, de não corresponder às expectativas. Sim, crianças vão construindo esses medos a partir de nós, adultos, seja em casa ou na escola. Quando ameaçamos, gritamos ou batemos nela, frente a um comportamento considerado inadequado, ao invés de abrir um canal de comunicação para compreender a criança, suas motivações e seus sentimentos; nós fechamos esse pequeno ser no medo de nos contar algo, no medo de ter seu frágil corpinho agredido e criamos uma enorme confusão na cabecinha dela: afinal, sou amada ou não? Dizem me amar, mas me humilham, me agridem, o que ocorre?
“Imagina! Crianças não pensam ou sentem isso!” Ora, se parássemos para ouvir as crianças, perceberíamos que sim, elas sentem um conflito enorme dentro delas. Esse conflito reflete em sua saúde mental e, na prática, em seu comportamento na escola e em casa. Sabe aquele comportamento de “teste”, que nos tira do sério? É ela querendo dizer algo, mas não sabe como, então manifesta dessa forma. E o que ela quer me dizer? Bom, ela pode estar querendo dizer que sente sua falta ou falta de outra pessoa que ela tenha forte vínculo; ela pode estar dizendo que quer mais tempo para brincar, que está cansada, que está sofrendo na escola, enfim, muitas coisas podem provocar um comportamento que nos tira do sério, mas tenha certeza: eles não melhoram com a nossa indiferença, eles não melhoram com a “palmadinha”, eles não melhoram com o isolamento! Eles melhoram com o quê então? Com a brincadeira, com o diálogo, com a escuta! Quantas vezes você pai, mãe, professor, professora, responsáveis, sentaram para brincar com a criança? Quantas vezes na semana você dedicou um tempo para uma roda de história, umas boas risadas, uma brincadeira onde a TV, o tablet e o celular passam longe? Não falo de levar ao parque e ficar olhando enquanto descem do escorrega! Falo em brincar efetivamente! Em entrar no universo delas! Falo de conexão!
Essa necessidade de controle que temos gera muitos prejuízos em nós e nelas também! A falta de respeito quando falamos com elas, a agressividade que muitas vezes trazemos na voz, no olhar, as ameaças, os tapas. Isso gera uma ansiedade enorme! Um medo tremendo que pode ser manifesto em posturas de enfrentamento, submissão, ou apatia, e nenhuma delas é boa para nós, tampouco para as crianças!
A saúde mental da criança passa por um ambiente acolhedor, com diálogo, escuta, sem gritos, com limites sim, mas apoiado na gentileza e amorosidade! Infelizmente tudo isso é contrário ao que muitos de nós vivemos e vemos mundo afora, não é mesmo?!
Trocando em miúdos, a saúde mental da criança passa, fundamentalmente, por uma educação livre de violência! Mas cá para nós: somente a da criança? Quem consegue ter boa saúde mental em um ambiente assim? Imagina se toda vez que errássemos ou quase sempre que estamos aprendendo algo, tivéssemos como repreensão um grito, puxão de orelha, tapas, humilhações, isolamento... Como estaria nossa saúde mental?
Pois é colegas! Que tal alimentarmos nossa criança interior com aquelas brincadeiras gostosas que tínhamos? Com as risadas de doer a barriga, com um bom banho de mangueira ou de chuva! Vivendo no aqui/agora, no momento presente! As crianças são ótimas educadoras nisso! Elas nos ensinam a nos reconectar com a nossa alegria infantil, com a nossa criatividade e espontaneidade, com o amor e a entrega aos momentos de prazer. Esse movimento de ir ao encontro da criança nos permite, também, aprender muito sobre esse serzinho que está cotidianamente conosco, mas que pouco observamos e escutamos de fato.
Encerro este breve texto com as palavras de uma criança que presenciei brincando de furar ondas na praia junto com o pai e os irmãos: “esse é o melhor dia da minha vida”! Façamos que em todos os nossos dias tenhamos momentos, mesmo que durem alguns minutos, onde possamos dizer: “este é o melhor dia da minha vida”! E que sejamos capazes de proporcionar isso as crianças da nossa vida, excluindo de uma vez por todas a violência! #juntospelasaúdemental

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