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Fernando Soares Campos
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Conto
 
Brilhantes mentes sombrias do Majestoso império de Absurdil
Por: Fernando Soares Campos



Ali, precisamente em alguma área entre as regiões ártica e antártica, existia um reino do tipo que só conhecemos em contos de fada: o extraordinariamente vulgar Majestoso Império de Absurdil, governado, durante muitos séculos, pela dinastia Bundaleone. Ferdinando Bundaleone XXIV, o último imperador de Absurdil, era um monarca tão vaidoso que obrigou os seus súditos a reverenciá-Lo até nos pronomes oblíquos.

Sua Presunçosa Majestade parecia feliz com os resultados da política econômico-financeira do reino, seu fabuloso tesouro pessoal era invejado pelos soberanos de todo o mundo. Contudo Sua Faustuosa Majestade andava com o seu augusto saco cheio da monótona rotina: desvirginar as donzelas debutantes, assistir a enforcamento de ladrão de galinha, praticar tiro ao alvo em escravos e alimentar os crocodilos do fosso do castelo com bebês recém-nascidos, como forma de controle da natalidade.

Quase todos os dias, Bundaleone visitava o Museu Imperial, mesmo que fosse apenas para uma rápida passagem pelo setor Cabeças dos Traidores, onde Sua Macabra Majestade apreciava os rostos aterrorizados de inimigos decapitados — as cabeças eram mergulhadas em uma solução conservante e exibidas em vasos cristalinos.

Enfadado com a mesmice do seu dia-a-dia, Sua Entediada Majestade mandou vir à Corte o seu ministro da Ignorância e Barbaria e ordenou que este lhe apresentasse um eficiente programa de manutenção do analfabetismo, pois um relatório do Serviço Absurdileiro de Informações e Delação Obrigatória (Sabido) indicava suspeitas de que alguns trabalhadores estavam aprendendo a ler e escrever. O ministro retirou-se garantindo à Sua Estúpida Majestade que iria intensificar todos os esforços do seu ministério para elaborar o mais eficiente plano de incremento da ignorância e barbaria de todos os tempos, em Absurdil.

Em seguida, Bundaleone convocou o seu ministro das Desinformações. Deste, ele exigiu que fossem tomadas providências para conter a queda de audiência do único canal de televisão do reino, a estatal TV Cubo. Relatório ultra-secreto do Sabido informava à Sua Esclarecida Majestade que, nas segundas-feiras, apenas 99,99% dos televisores permaneciam ligados até a meia-noite. O ministro tranquilizou Sua Preocupada Majestade, garantindo-lhe que apresentaria um infalível plano, desenvolvido em convênio com o Ministério da Aculturação, para obrigar todos os súditos a assistirem à programação da emissora estatal, durante todo o tempo em que não estivessem trabalhando no corte e moagem de cana, a monocultura do vulgarmente extraordinário Majestoso Império de Absurdil.

Finalmente, Sua Injustiçosa Majestade fez vir à sua presença o ministro da Injustiça. A este Bundaleone cobrou mais empenho no desrespeito aos direitos humanos; do contrário, ele próprio, o ministro, seria também chicoteado em praça pública, como qualquer dos súditos que eram mensalmente punidos por terem nascido miseráveis e não conseguirem alcançar o status de pobre ao se tornarem adultos, conforme determinava a lei; feito que qualquer trabalhador poderia facilmente realizar, bastando apenas triplicar o seu volume diário de corte de cana, durante a mesma jornada de trabalho a que estava submetido desde os cinco anos de idade: 20 horas diárias.

No dia seguinte os maquiavélicos ministros compareceram à Corte com os mais sórdidos planos. Os programas propostos para o incremento da ignorância e barbaria, desinformação e violação dos direitos humanos eram tão repulsivos que encantaram Sua Repugnante Majestade Bundaleone XXIV.

— Jamais, em nenhum outro reino, foi implementado um plano tão abominável! — festejou Sua Execrável Majestade. — A ignorância e a injustiça finalmente triunfarão para sempre no meu reino! — sentenciou.

Emocionado, Bundaleone observou seus desprezíveis assessores e sentiu a necessidade de recompensá-los pelos seus esforços. Súbito, brotou uma brilhante idéia sombria da saudável mente psicótica de Sua Mórbida Majestade. Assim, Ferdinando Bundaleone XXIV informou aos seus sabujos auxiliares que lhes prestaria uma homenagem sem precedente na História do Majestoso Império de Absurdil.

Os ministros regozijaram-se com o vergonhoso reconhecimento do soberano desavergonhado e, num gesto coreograficamente ensaiado, ajoelharam-se e, como mandava a tradição, beijaram os pés do escroto monarca, antecipadamente agradecendo-lhe a homenagem que lhes seria prestada.

Bundaleone mandou construir um suntuoso salão anexo ao Museu Imperial. Para a inauguração deste novo espaço cultural, Sua Diabólica Majestade mandou decapitar os três ministros autores dos eficientes planos de incremento da ignorância e barbaria, desinformação e injustiça. As cabeças dos homenageados, mergulhadas em solução conservante, acondicionadas em enormes vasos cristalinos, inauguraram a seção Brilhantes Mentes Sombrias do Majestoso Império de Absurdil.

***
Moral indecorosa: Em alguns casos, é prudente mandar representantes a eventos em que certos governantes pretendam homenageá-lo.

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