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Artigo
 
Armas e Serpentes
Por: Valdir Pedrosa

ARMAS E SERPENTES

“- Mas... e as armas? - perguntei - acaso são utilizadas?

- Como não? - disse Alfredo, pressuroso - não temos balas de aço, mas temos projetis elétricos. Naturalmente, a ninguém atacaremos. Nossa tarefa é de socorro e não de extermínio.” [1]

Não, caro leitor, você não leu errado. Sim, há armas no plano espiritual. Segundo informações prestadas por Alfredo, os projetis disparados assustam terrivelmente os Espíritos trevosos, podendo até causar a impressão de morte. Dá pra imaginar?

Diante do espanto de tal revelação, o administrador do posto de socorro esclareceu: “Se já não estamos na carne, busquemos desencarnar também os nossos pensamentos. As criaturas que se agarram, aqui, às impressões físicas, estão sempre criando densidade para os seus veículos de manifestação, da mesma forma que os Espíritos dedicados à região superior estão sempre purificando e elevando esses mesmos veículos. Nossos projetis, portanto, expulsam os inimigos do bem através de vibrações do medo, mas poderiam causar a ilusão da morte, atuando sobre o corpo denso dos nossos semelhantes menos adiantados no caminho da vida. A morte física, na Terra, não é igualmente pura impressão? Ninguém desaparece. O fenômeno é apenas de invisibilidade ou, por vezes, de ausência. Quanto à responsabilidade dos que matam, isto é outra coisa. E além desta observação, que é da alçada da Justiça Divina, temos a considerar, igualmente, que, nesta esfera, o corpo denso modificado pode ressurgir todos os dias, pela matéria mental destinada à produção dele, enquanto que, para obter o corpo físico, almas há que trabalham, por vezes, durante séculos...” [1]

Cabe ressaltar a importância do pensamento neste processo. Quanto mais o indivíduo se apega às sensações físicas, mais densos e grosseiros ficam seus corpos espirituais (astral, causal, mental, etc.), os quais Allan Kardec chamou genericamente de perispírito. [2] O contrário também acontece, ou seja, nas esferas mais sublimes do plano extrafísico, os Espíritos trabalham a elevação de seus pensamentos e, consequentemente, seus veículos de manifestação vão se purificando, tornando-se cada vez mais sutis, diáfanos e quintenssenciados. Por isso se diz que o perispírito tem um peso específico, uma vez que sua natureza sempre guarda relação com o grau de adiantamento moral do Espírito e que a condição moral corresponde a uma determinada densidade do envoltório fluídico.

Salientamos mais dois pontos: o primeiro nos chama atenção para o poder dos projetis elétricos utilizados nas armas, chegando até mesmo a causar ilusão de morte. Podem imaginar isso? Um desencarnado ser alvejado por uma arma que o faz ter a sensação de estar morrendo novamente... Não deve ser algo agradável, não é verdade? Como se não bastasse, muitos inimigos do bem fogem ou são expulsos simplesmente pelas vibrações do medo... medo por ver uma arma apontada para si... medo de morrer outra vez (?).

O outro ponto diz respeito a informação de que há almas que trabalham por muitos séculos para obter um novo corpo carnal. Ora, isto quer dizer que devemos valorizar bastante a nossa reencarnação, aproveitando ao máximo todas as oportunidades de aperfeiçoamento intelectual e moral, tendo em vista que, do lado de lá da vida, no Além, a fila deve estar muito grande para voltar ao mundo material com um novo corpo físico.

Por fim, diante da estupefação que essas revelações causaram em André Luiz e Vicente, Alfredo contou a lenda hindu da serpente e do santo: “Contam as tradições populares da Índia que existia uma serpente venenosa em certo campo. Ninguém se aventurava a passar por lá, receando-lhe o assalto. Mas um santo homem, a serviço de Deus, buscou a região, mais confiado no Senhor que em si mesmo. A serpente o atacou, desrespeitosa. Ele dominou-a, porém, com o olhar sereno, e falou: - Minha irmã, é da lei que não façamos mal a ninguém. A víbora recolheu-se, envergonhada. Continuou o sábio o seu caminho e a serpente modificou-se completamente. Procurou os lugares habitados pelo homem, como desejosa de reparar os antigos crimes. Mostrou-se integralmente pacífica, mas, desde então, começaram a abusar dela. Quando lhe identificaram a submissão absoluta, homens, mulheres e crianças davam-lhe pedradas. A infeliz recolheu-se à toca, desalentada. Vivia aflita, medrosa, desanimada. Eis, porém, que o santo voltou pelo mesmo caminho e deliberou visitá-la. Espantou-se, observando tamanha ruína. A serpente contou-lhe, então, a história amargurada. Desejava ser boa, afável e carinhosa, mas as criaturas perseguiam-na e apedrejavam-na. O sábio pensou, pensou e respondeu após ouvi-la: - Mas, minha irmã, houve engano de tua parte. Aconselhei-te a não morderes ninguém, a não praticares o assassínio e a perseguição, mas não te disse que evitasses de assustar os maus. Não ataques as criaturas de Deus, nossas irmãs no mesmo caminho da vida, mas defende a tua cooperação na obra do Senhor. Não mordas, nem firas, mas é preciso manter o perverso a distância, mostrando-lhe os teus dentes e emitindo os teus silvos.” [1]

Recordemos a lição do Mestre Jesus: “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.” [3] Frequentemente nos lembramos que a pomba simboliza a paz que todos almejamos, mas sempre nos esquecemos da necessidade de desenvolvermos a prudência das serpentes, enaltecida até pelo Cristo. Essa virtude possui vários sinônimos: juízo, razoabilidade, sensatez, atenção, reflexão, comedimento, moderação, critério, sobriedade, ponderação, cautela e precaução, dentre outros. Na mitologia greco-romana, a serpente é associada à cura e considerada símbolo da medicina e da sabedoria. Precisamos dizer mais?

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 20 (Defesas contra o mal).
[2] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 2ª parte (Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos) – capítulo 1 (Dos Espíritos) – questão 93.
[3] Evangelho Segundo Mateus – 10:16.

Valdir Pedrosa – Janeiro/2016

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