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Josete Marinho de Lucena
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Ensaio
 
Doce recordação
Por: Josete Marinho de Lucena

Ao alvorecer do dia, o barulho da vassoura no calçamento da rua me faz lembrar as manhãs em que minha mãe, há muito tempo atrás, iniciava a labuta diária, varrendo o nosso extenso quintal tão cheio de plantas ornamentais, ervas para chás, a goiabeira e um belo cacimbão.
Nossa casa já não é a mesma. Ela continua no mesmo lugar em que, aos dois anos e meio de idade, eu, menina magrela (quase raquítica), vim morar com meus pais e sete irmãos mais velhos que eu. Sim, sete irmãos, pois nossa caçula ainda não havia nascido.
A mesma casa onde meus pais encontraram a forma de sobrevivência e de educar os nove filhos.
Tudo parece igual neste amanhecer, mas muita coisa mudou, nesta cidadezinha do interior e nas nossas vidas. Papai não está mais aqui e minha mãe já não varre mais o nosso quintal e nem faz exalar o cheiro bom de café. O vendedor de mungunzá não grita mais “tá quente, manguzá, ei”.
Esse se tornou um tempo distante, em que os nove filhos se apertavam em três quartos pequenos. Os quartos continuam em quatro, porém mais amplos e sete dos nove filhos tornaram-se pais e mães, avôs e avós.
O barulho do carro de boi que transportava a carne para o mercado e, que a meninada da rua e meus irmãos mais velhos pegavam morcego até a esquina de Sr. Aguiar, foi substituído por motos e carros apressados e potentes. O som da rádio difusora foi substituído pelo som da Rádio Cidade e de carros de som que fazem constantemente propaganda das lojas.
No meio de tantos transeuntes que, em grande quantidade trafegam, principalmente, nessa época do ano em que o comércio é aquecido pelas compras de final de ano, procuro os rostos e as brincadeiras das crianças que habitavam esta artéria da cidade. Nessas lembranças encontro a menina que mora em mim.
Vejo que tanta coisa aconteceu desde a época em que a menina, que fazia as moças que vinham trabalhar nas nossas casas aprenderem a ler, até tornar-se professora...
Talvez tudo isso tenha um tom de melancolia, mas... ah quanta alegria nos traz as doce recordações de tempos que não voltam!!! Até a nostalgia é alegre por podermos perceber que um longo caminho foi trilhado e que os bons sentimentos permaneceram.
Josete Marinho de Lucena
02/01/2015, 04:30

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