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Artigo
 
Anjos e Demônios, Uma Questão de Evolução
Por: Valdir Pedrosa

ANJOS E DEMÔNIOS, UMA QUESTÃO DE EVOLUÇÃO

“Deus meu! - exclamou Vicente, admirado - mas por que se organizam deliberadamente para o mal? Não sabem, porventura, que todos os patrimônios universais pertencem à Majestade Divina? Não reconhecem o Soberano Poder?” [1] Uma coisa é compreendermos e aceitarmos a existência de Espíritos que, por ignorância, perambulam pelas fieiras do mal. A falta do conhecimento da verdade e do amor pode levar almas neófitas, até então desprovidas de experiência e instrução, a trilharem um caminho menos feliz. Todavia, como conceber a existência de criaturas verdadeiramente diabólicas? O questionamento de Vicente não tratava de seres simplesmente ignorantes, mas sim de entidades que se organizavam e se devotavam deliberadamente não apenas a praticar o mal, mas também a destruir tudo o que remetia ao bem, como o posto de socorro e as atividades que ali eram desenvolvidas. Referia-se a criaturas que, mesmo conhecendo a senda do bem, optaram conscientemente pelo mal.

E por que isso acontece? De acordo com os ensinamentos recebidos através da Doutrina Espírita, já sabemos que Deus é a inteligência suprema e a causa primária de todas das coisas. [2] Temos ciência de que o nosso Criador é infinitamente perfeito e que possui todas as perfeições em grau supremo. Fomos informados que o Pai Celestial é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e soberanamente justo e bom. [3] Se desfrutamos pleno entendimento sobre tudo isso, por que ainda existem homens e Espíritos efetivamente perversos? Contudo, quantos realmente conhecem as lições imorredouras do Espiritismo? Dentro do campo das especulações podemos aventar a hipótese destas criaturas conhecerem tais informações, mas não as compreenderem de fato. Possivelmente falte a esses irmãos trevosos o tempo que lhes proporcionará a necessária experiência. Porém, não são poucas as vezes em que, devido à nossa insistência em fazer o mal, o bem somente se fará presente em nós à base de dores e sofrimentos, essas sentinelas da evolução cujos aguilhões nos conduzem na direção de Deus.

Alfredo, o administrador do posto de socorro, disse que fez as mesmas perguntas quando retornou ao plano espiritual e que encontrou respostas incisivas e concludentes: “Os criminosos que fazem as vítimas da guerra, os exploradores da economia popular, os avarentos misérrimos, os sedentos de injustificado predomínio e os vaidosos cheios de fatuidade sabem, tão bem quanto os nossos adversários daqui, que tudo pertence a Deus, que o homem é simples usufrutuário dos divinos bens. Não ignoram que os antepassados foram chamados à verdade e a contas pela morte, e que eles seguirão os mesmos caminhos; entretanto, atormentam-se na crosta como verdadeiros loucos, amontoando possibilidades para a ruína e abusando das oportunidades mais santas. Aqui se verifica a mesma coisa. Querem dominar antes de se dominarem, exigem antes de dar e entram em perene conflito com o espírito divino da lei. Estabelecido o duelo entre a fantasia deles e a verdade do Pai, resistem às corrigendas do Senhor e transformam-se, esses desventurados, em verdadeiros gênios da sombra, até que, um dia, se decidam a novos rumos. (...) Na crosta, nossos irmãos menos felizes lutam pela dominação econômica, pelas paixões desordenadas, pela hegemonia de falsos princípios. Nestas zonas imediatas à mente terrestre, temos tudo isso em identidade de condições. Entre as entidades perversas e ignorantes, há cooperativas para o mal, sistemas econômicos de natureza feudalista, baixa exploração de certas forças da Natureza, vaidades tirânicas, difusão de mentiras, escravização dos que se enfraquecem pela invigilância, doloroso cativeiro dos Espíritos falidos e imprevidentes, paixões talvez mais desordenadas que as da Terra, inquietações sentimentais, terríveis desequilíbrios da mente, angustiosos desvios do sentimento. Em todo o lugar, meu amigo, as quedas espirituais, perante o Senhor, são sempre as mesmas, embora variem de intensidade e coloração.” [1]

Vejam que não há grande diferença entre o que ocorre nas esferas espirituais mais próximas do planeta e o que vivenciamos no plano físico. Muitos homens e Espíritos não conseguem perceber que tudo é impermanente, que tudo muda; nada é inalterável, nada é imutável, exceto Deus. Além disso, precisamos ter a consciência de que tudo pertence ao Criador; nada nos pertence, a não ser os conhecimentos adquiridos, os sentimentos desenvolvidos e as experiências vivenciadas. Quando desencarnamos somos compelidos a devolver à terra até o corpo físico, do qual nos julgamos donos. Assim, urge termos em mente o ensinamento daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida: “(...) buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” [4]

Nessa busca incessante vamos, aos poucos, nos aperfeiçoando e adquirindo a capacidade de discernir entre o bem e o mal, colocando-nos em posição de escolher a senda que quisermos. É neste momento que entramos em conflito íntimo e questionamos: O que já sabemos? O que estamos aprendendo? O que estamos fazendo com tudo isso? O Apóstolo dos Gentios alertou: “Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse pratico.”[5] Mesmo sabendo o que precisamos e devemos fazer, em várias ocasiões não encontramos força suficiente em nós mesmos para operar as mudanças necessárias. Desenvolvemos inteligência e raciocínio, adquirimos conhecimento e cultura, mas possuímos uma dificuldade enorme em lidar com sentimentos e emoções que, desequilibrados e em desarmonia, nos prendem a mundos de provas e expiações como a Terra.

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 20 (Defesas contra o mal).
[2] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 1ª parte (Das causas primárias) – capítulo I (De Deus) – questão 1.
[3] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 1ª parte (Das causas primárias) – capítulo I (De Deus) – questão 13.
[4] Evangelho Segundo Mateus – 6:33.
[5] Epístola de Paulo aos Romanos – 7:19.

Valdir Pedrosa – Janeiro/2016

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